Ah! Meus içás de chuva
no céu cheirando terra!
Envernizadas asas... Quisera
voltar àqueles tempos ingênuos
da minha infância, pudera!
As ruas largas de chão,
nas horas de mil histórias...
A lua fazendo clarão,
nas noites que iam embora.
A venda de fraca luz,
onde tocava um sanfoneiro...
Trazendo sono ao menino,
com sonhos de cavaleiro!
Buscaria louras tranças,
da menina Conceição...
Partiria por mil estrelas, num cavalo alazão...
Ah! Meus içás de chuva!
Meu cururu do brejeiro!
Sapo que insistia
espiar-me no banheiro.
Ia e voltava, debaixo da vassoura,
para o grande terreiro!
Fugia com pulos largos,
se escondia atrás do pote!
De repente, lá estava ele,
a olhar-me de camarote!
As cantigas de roda
vagavam soltas no céu.
Uma declaração de amor para Rosa,
na brincadeira do anel!
O badalar da matriz,
o vigário festeiro...
Os quitutes das tias,
os bolos de tabuleiro!
A escolinha, os professores,
a turma de formatura,
o meu primeiro amor.
Um tempo de pura ternura...
Ah! Meus içás de chuva!
De cada rosto eu me lembro,
nas tardes de muita calma.
São quadros dependurados,
todos enfileirados,
no alpendre da minha alma!
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