domingo, 16 de dezembro de 2007

FELICIDADE REALISTA

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro
e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos
desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.

Dinheiro?

Não basta termos para pagar
o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina
olímpica e uma temporada num spa
cinco estrelas.

E quanto ao amor?

Ah, o amor... não basta termos alguém
com quem podemos conversar, dividir uma pizza
e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos
AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e
presentes inesperados,

queremos jantar à luz de velas de
segunda a domingo, queremos sexo selvagem
e diário, queremos ser felizes assim e não
de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns
romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz
sem nenhum.

Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.

Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo.

Não perder tempo juntando, juntando,
juntando.

Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado.

E se a gente tem pouco, é com este pouco
que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que
saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco
de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer
o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem
almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar
lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem
exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus
limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal
competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a.

Se você não está de acordo com as regras,
demita-se.

Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade
é um sentimento simples, você pode encontrá-la
e deixá-la ir embora por não perceber sua
simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso
coração.

Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo,
mas não felicidade.

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