Saudade é não saber.
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos,
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento,
não saber como frear as lágrimas
diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um silêncio
que nada preenche.
Mostrar mensagens com a etiqueta Martha Medeiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Martha Medeiros. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A Morte Devagar
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
MAMÃE NOEL
Sabe por que Papai Noel não existe? Porque é homem. Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag? Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! Mamãe Noel, sim, existe.
Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis. Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado?
Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.
Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis. Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado?
Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A Janela dos Outros
Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.
Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.
Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.
Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.
A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.
Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.
É o triunfo da dúvida.
Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.
Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.
Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.
A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.
Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.
É o triunfo da dúvida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
PUDIM
Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação....
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .
Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação....
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O DIVÃ
"Tenho viajado bastante para acompanhar algumas
pré-estreias do filme "O Divã," baseado no meu livro homônimo.
Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de
verdade, do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou
enxuto, delicado e emocionante!!...
Além disso, ainda consegue me provocar...
A personagem Mercedes (vivida pela incrível Lilia
Cabral) está fazendo análise, e leva para o consultório
muitos questionamentos sobre sua vida.
Até que, passado um tempo, finalmente RELAXA, e se dá
conta de que não há outra saída a não ser conviver com
suas IRREALIZAÇÕES....
Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate:
ALTA??!! Logo agora que estou me divertindo?
Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no
filme, me pareceu tão cristalino:
Um dos sintomas do AMADURECIMENTO é justamente o RESGASTE
DE NOSSA JOVIALIDADE, só que NÃO A JOVIALIDADE DO CORPO,
que isso só se consegue ATÉ CERTO PONTO... mas a
JOVIALIDADE DO ESPÍRITO, TÃO MAIS PRIORITÁRIA!!...
Você é adulto(a) mesmo?
Então, PARE DE RECLAMAR!!.. PARE DE BUSCAR O
IMPOSSÍVEL!!... PARE DE EXIGIR
PERFEIÇÃO DE SI MESMO!!... PARE DE ENCONTRAR LÓGICA PARA
TUDO!!...
PARE DE CONTABILIZAR PRÓS E CONTRAS!!.. PARE DE JULGAR OS
OUTROS!!...
PARE DE TENTAR MANTER SUA VIDA SOB RÍGIDO CONTROLE!!...
SIMPLESMENTE DIVIRTA-SE !!... NÃO QUE SEJA FÁCIL....
Enquanto que um corpo sarado se obtém com exercício,
musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos
cotidianos, A LEVEZA DE ESPÍRITO REQUER JUSTAMENTE O
CONTRÁRIO:
A LIBERAÇÃO DAS CORRENTES !!! A AVENTURA DO NÃO DOMÍNIO
!!.. PERMITIR-SE O ÊRRO!!.... NÃO SE SACRIFICAR EM DEMASIA!!..
Já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino,
que não é nada ESPETACULAR...
É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador!
Afinal, quem quer cruzar a linha de chegada?!...
Mil vezes CURTIR A TRAVESSIA!!...
Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada,
baixo-astral, carente de frescor, e fiquei imaginando, como
deve ser difícil VIVER SEM ABSTRAÇÃO E SEM VER GRAÇA NA
VIDA!!.. ENCLAUSURADA NA DOR!!...
Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim
manifestando sua contrariedade em relação ao universo,
apenas isso: ODIAVA O MUNDO!!!...
Não a conheço, pode sofrer de DEPRESSÃO... TER UM
PROBLEMA SÉRIO...
Sei lá!!... Mas há pessoas que apresentam QUADRO
DEPRESSIVO e ainda assim, NÃO PERDEM O HUMOR, NEM QUE
QUEIRAM!!...
Tiveram a sorte de nascer com esse REFINADO INSTINTO DE
SOBREVIVÊNCIA!
DORES?!!!... CADA UM TEM AS SUAS!
Mas o que nos faz CULTIVÁ-LAS por décadas??!!...
Creio que nos APEGAMOS COM DESESPERO às dores, POR NÃO
TER O QUE COLOCAR NO LUGAR, CASO A DOR SE VÁ!!!... E então
se fica RUMINANDO, ALIMENTANDO A "PRÓPRIA MÁ
SORTE", NUM PROCESSO DE VITIMIZAÇÃO, QUE CHEGA AO
NÍVEL DO ABSURDO!!...
Por que fazemos isso conosco?
AMADURECER TALVEZ SEJA DESCOBRIR QUE SOFRER ALGUMAS
PERDAS É INEVITÁVEL!!.., MAS QUE NÃO PRECISAMOS NOS
AGARRAR À DOR PARA JUSTIFICAR NOSSA EXISTÊNCIA!!..."
pré-estreias do filme "O Divã," baseado no meu livro homônimo.
Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de
verdade, do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou
enxuto, delicado e emocionante!!...
Além disso, ainda consegue me provocar...
A personagem Mercedes (vivida pela incrível Lilia
Cabral) está fazendo análise, e leva para o consultório
muitos questionamentos sobre sua vida.
Até que, passado um tempo, finalmente RELAXA, e se dá
conta de que não há outra saída a não ser conviver com
suas IRREALIZAÇÕES....
Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate:
ALTA??!! Logo agora que estou me divertindo?
Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no
filme, me pareceu tão cristalino:
Um dos sintomas do AMADURECIMENTO é justamente o RESGASTE
DE NOSSA JOVIALIDADE, só que NÃO A JOVIALIDADE DO CORPO,
que isso só se consegue ATÉ CERTO PONTO... mas a
JOVIALIDADE DO ESPÍRITO, TÃO MAIS PRIORITÁRIA!!...
Você é adulto(a) mesmo?
Então, PARE DE RECLAMAR!!.. PARE DE BUSCAR O
IMPOSSÍVEL!!... PARE DE EXIGIR
PERFEIÇÃO DE SI MESMO!!... PARE DE ENCONTRAR LÓGICA PARA
TUDO!!...
PARE DE CONTABILIZAR PRÓS E CONTRAS!!.. PARE DE JULGAR OS
OUTROS!!...
PARE DE TENTAR MANTER SUA VIDA SOB RÍGIDO CONTROLE!!...
SIMPLESMENTE DIVIRTA-SE !!... NÃO QUE SEJA FÁCIL....
Enquanto que um corpo sarado se obtém com exercício,
musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos
cotidianos, A LEVEZA DE ESPÍRITO REQUER JUSTAMENTE O
CONTRÁRIO:
A LIBERAÇÃO DAS CORRENTES !!! A AVENTURA DO NÃO DOMÍNIO
!!.. PERMITIR-SE O ÊRRO!!.... NÃO SE SACRIFICAR EM DEMASIA!!..
Já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino,
que não é nada ESPETACULAR...
É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador!
Afinal, quem quer cruzar a linha de chegada?!...
Mil vezes CURTIR A TRAVESSIA!!...
Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada,
baixo-astral, carente de frescor, e fiquei imaginando, como
deve ser difícil VIVER SEM ABSTRAÇÃO E SEM VER GRAÇA NA
VIDA!!.. ENCLAUSURADA NA DOR!!...
Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim
manifestando sua contrariedade em relação ao universo,
apenas isso: ODIAVA O MUNDO!!!...
Não a conheço, pode sofrer de DEPRESSÃO... TER UM
PROBLEMA SÉRIO...
Sei lá!!... Mas há pessoas que apresentam QUADRO
DEPRESSIVO e ainda assim, NÃO PERDEM O HUMOR, NEM QUE
QUEIRAM!!...
Tiveram a sorte de nascer com esse REFINADO INSTINTO DE
SOBREVIVÊNCIA!
DORES?!!!... CADA UM TEM AS SUAS!
Mas o que nos faz CULTIVÁ-LAS por décadas??!!...
Creio que nos APEGAMOS COM DESESPERO às dores, POR NÃO
TER O QUE COLOCAR NO LUGAR, CASO A DOR SE VÁ!!!... E então
se fica RUMINANDO, ALIMENTANDO A "PRÓPRIA MÁ
SORTE", NUM PROCESSO DE VITIMIZAÇÃO, QUE CHEGA AO
NÍVEL DO ABSURDO!!...
Por que fazemos isso conosco?
AMADURECER TALVEZ SEJA DESCOBRIR QUE SOFRER ALGUMAS
PERDAS É INEVITÁVEL!!.., MAS QUE NÃO PRECISAMOS NOS
AGARRAR À DOR PARA JUSTIFICAR NOSSA EXISTÊNCIA!!..."
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Gente Fina...
Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados:
sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de Era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e,
como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados:
sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de Era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e,
como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Gente Fina
Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados:
sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e,
como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados:
sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.
Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada
e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e,
como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.
domingo, 29 de março de 2009
A MULHER BOAZINHA
Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Apesar de tudo
Apesar de tudo, continuamos amando,
e este "apesar de tudo" cobre o infinito.
Esta frase do filósofo Cioran
expressa a extensão dos nossos
obstáculos amorosos.
Apesar de termos acreditado na
eternidade dos nossos sentimentos
e depois descobrirmos que nada
mantém-se estável por muito tempo,
continuamos amando.
Apesar de termos sofrido noites inteiras
por amores que não se concretizaram
ou que foram vagos ou pueris,
continuamos amando.
Apesar de termos sido rejeitados,
apesar de o nosso amor não ter sido
suficiente para encantar o outro e
fazê-lo permanecer ao nosso lado,
continuamos amando.
Apesar de todos os livros escritos,
todas as sentenças filosóficas, todas
as análises terapêuticas e todos os
exemplos de paixões falidas,
continuamos amando.
Apesar de não termos mais 15 anos e
estarmos numa idade em que os outros
acreditam que o nosso coração envelheceu,
continuamos amando.
Apesar de a pessoa que a gente ama sentir
por nós um amor de amigo, um amor fraterno,
um amor camarada que nada faz lembrar
o amor ardente que a gente deseja e sonha,
continuamos amando.
Apesar de a gente saber que o amor acaba,
que o amor talvez nem seja pelo outro,
mas apenas uma projeção do amor que
a gente tem por nós mesmos,
continuamos amando.
Apesar da falta de grana, das desilusões
com a política, do cansaço no final do
dia, dos projetos que não foram adiante,
do tempo que nos falta e do medo que nos sobra,
continuamos amando.
Apesar da chuva que não permite o passeio
de mãos dadas, do espaço compartilhado
que não permite privacidade, da desaprovação
dos que nada têm a ver com o assunto,
continuamos amando.
Infinitamente,
apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos,
continuamos amando ...
e este "apesar de tudo" cobre o infinito.
Esta frase do filósofo Cioran
expressa a extensão dos nossos
obstáculos amorosos.
Apesar de termos acreditado na
eternidade dos nossos sentimentos
e depois descobrirmos que nada
mantém-se estável por muito tempo,
continuamos amando.
Apesar de termos sofrido noites inteiras
por amores que não se concretizaram
ou que foram vagos ou pueris,
continuamos amando.
Apesar de termos sido rejeitados,
apesar de o nosso amor não ter sido
suficiente para encantar o outro e
fazê-lo permanecer ao nosso lado,
continuamos amando.
Apesar de todos os livros escritos,
todas as sentenças filosóficas, todas
as análises terapêuticas e todos os
exemplos de paixões falidas,
continuamos amando.
Apesar de não termos mais 15 anos e
estarmos numa idade em que os outros
acreditam que o nosso coração envelheceu,
continuamos amando.
Apesar de a pessoa que a gente ama sentir
por nós um amor de amigo, um amor fraterno,
um amor camarada que nada faz lembrar
o amor ardente que a gente deseja e sonha,
continuamos amando.
Apesar de a gente saber que o amor acaba,
que o amor talvez nem seja pelo outro,
mas apenas uma projeção do amor que
a gente tem por nós mesmos,
continuamos amando.
Apesar da falta de grana, das desilusões
com a política, do cansaço no final do
dia, dos projetos que não foram adiante,
do tempo que nos falta e do medo que nos sobra,
continuamos amando.
Apesar da chuva que não permite o passeio
de mãos dadas, do espaço compartilhado
que não permite privacidade, da desaprovação
dos que nada têm a ver com o assunto,
continuamos amando.
Infinitamente,
apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos,
continuamos amando ...
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Um Deus que Sorri....
Eu acredito em Deus!
Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em
que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bonito ou o feio!.
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma idéia, uma energia, uma eminência, uma força cósmica universal.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas
e um pensamento que não se renova nunca.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros,
mas sua superioridade está na compreensão das diferenças,
na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e,
detecta em mim a honestidade dos meus atos e intenções.
Não distribui culpas a granel: às minhas são umas, às do vizinho são outras,
e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.
Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer.
Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e a violência,
se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas,
se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que
Deus seria ele se ainda por
cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial,
a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que
uma flexão de e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita
promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro
É onde tudo acontece. Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo.
Meu Deus é discreto e otimista.
Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas
boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale
um pequeno momento grandioso;
de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e não posso
imaginar um Deus que não sorri.
Porque quem não te sorri, não é teu cúmplice...
Um super beijo para você.
Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em
que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bonito ou o feio!.
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma idéia, uma energia, uma eminência, uma força cósmica universal.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas
e um pensamento que não se renova nunca.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros,
mas sua superioridade está na compreensão das diferenças,
na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e,
detecta em mim a honestidade dos meus atos e intenções.
Não distribui culpas a granel: às minhas são umas, às do vizinho são outras,
e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.
Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer.
Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e a violência,
se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas,
se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que
Deus seria ele se ainda por
cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial,
a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que
uma flexão de e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita
promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro
É onde tudo acontece. Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo.
Meu Deus é discreto e otimista.
Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas
boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale
um pequeno momento grandioso;
de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e não posso
imaginar um Deus que não sorri.
Porque quem não te sorri, não é teu cúmplice...
Um super beijo para você.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Doida ou santa
'Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa'.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra:
'De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?'.
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo mesmo louca de pedra.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra:
'De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?'.
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo mesmo louca de pedra.
sábado, 17 de maio de 2008
Os excluídos
Ao contrário do que o título desta crônica possa sugerir, não vou falar sobre aqueles que vivem à margem da sociedade, sem trabalho, sem estudo e sem comida.
Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor.
São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.
A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossíver ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.
E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis. Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.
Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive. Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.
A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.
PERIGOOOOOO!!!
Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor.
São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.
A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossíver ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.
E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis. Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.
Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive. Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.
A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.
PERIGOOOOOO!!!
segunda-feira, 28 de abril de 2008
O CONTRÁRIO DO AMOR
O contrário de bonito é feio, de rico é pobre,
de preto é branco,
isso se aprende antes de entrar na escola.
Se você fizer uma enquete entre as crianças,
ouvirá também que o contrário do amor é o ódio.
Elas estão erradas.
Faça uma enquete entre adultos
e descubra a resposta certa:
o contrário do amor não é o ódio,
é a indiferença.
O que seria preferível,
que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar,
ou que lhe fosse totalmente indiferente?
Que perdesse o sono
imaginando maneiras de fazer você se dar mal
ou que dormisse feito um anjo a noite inteira,
esquecido por completo da sua existência?
O ódio é também uma maneira
de se estar com alguém.
Já a indiferença
não aceita declarações ou reclamações:
seu nome não consta
mais do cadastro.
Para odiar alguém,
precisamos reconhecer que esse alguém existe e
que nos provoca sensações,
por piores que sejam.
Para odiar alguém, precisamos
de um coração, ainda que frio, e
raciocínio, ainda que doente.
Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo.
Odiar nos dá fios brancos no cabelo,
rugas pela face e angústia no peito.
Para odiar, necessitamos do objeto do ódio,
necessitamos dele nem que seja
para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira,
nossa pouca sabedoria para entendê-lo
e pouco humor para aturá-lo.
O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho,
tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém,
precisamos do quê?
De coisa alguma.
A pessoa em questão pode saltar de bung-jump,
assistir aula de fraque,
ganhar um Oscar
ou uma prisão perpétua,
estamos nem aí.
Não julgamos seus atos,
não observamos seus modos,
não testemunhamos sua existência.
Ela não nos exige olhos, boca,
coração, cérebro:
nosso corpo ignora sua presença,
e muito menos se dá conta de sua ausência.
Não temos o número do telefone
das pessoas para quem não ligamos.
A indiferença, se tivesse uma cor,
seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação:
ou ela é muito amada,
ou criticada pelo que apronta.
Uma criança está sempre em uma
das pontas da gangorra,
adoração ou queixas,
mas nunca é ignorada.
Só bem mais tarde,
quando necessitar de uma atenção
que não seja materna ou paterna,
é que descobrirá que o amor e o ódio
habitam o mesmo universo,
enquanto que a indiferença
é um exílio no deserto.
de preto é branco,
isso se aprende antes de entrar na escola.
Se você fizer uma enquete entre as crianças,
ouvirá também que o contrário do amor é o ódio.
Elas estão erradas.
Faça uma enquete entre adultos
e descubra a resposta certa:
o contrário do amor não é o ódio,
é a indiferença.
O que seria preferível,
que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar,
ou que lhe fosse totalmente indiferente?
Que perdesse o sono
imaginando maneiras de fazer você se dar mal
ou que dormisse feito um anjo a noite inteira,
esquecido por completo da sua existência?
O ódio é também uma maneira
de se estar com alguém.
Já a indiferença
não aceita declarações ou reclamações:
seu nome não consta
mais do cadastro.
Para odiar alguém,
precisamos reconhecer que esse alguém existe e
que nos provoca sensações,
por piores que sejam.
Para odiar alguém, precisamos
de um coração, ainda que frio, e
raciocínio, ainda que doente.
Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo.
Odiar nos dá fios brancos no cabelo,
rugas pela face e angústia no peito.
Para odiar, necessitamos do objeto do ódio,
necessitamos dele nem que seja
para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira,
nossa pouca sabedoria para entendê-lo
e pouco humor para aturá-lo.
O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho,
tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém,
precisamos do quê?
De coisa alguma.
A pessoa em questão pode saltar de bung-jump,
assistir aula de fraque,
ganhar um Oscar
ou uma prisão perpétua,
estamos nem aí.
Não julgamos seus atos,
não observamos seus modos,
não testemunhamos sua existência.
Ela não nos exige olhos, boca,
coração, cérebro:
nosso corpo ignora sua presença,
e muito menos se dá conta de sua ausência.
Não temos o número do telefone
das pessoas para quem não ligamos.
A indiferença, se tivesse uma cor,
seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação:
ou ela é muito amada,
ou criticada pelo que apronta.
Uma criança está sempre em uma
das pontas da gangorra,
adoração ou queixas,
mas nunca é ignorada.
Só bem mais tarde,
quando necessitar de uma atenção
que não seja materna ou paterna,
é que descobrirá que o amor e o ódio
habitam o mesmo universo,
enquanto que a indiferença
é um exílio no deserto.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Um Deus que Sorri
Eu acredito em Deus !!
Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro.
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma idéia, uma energia, uma eminência.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.
Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.
Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer.
Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.
É onde tudo acontece e Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo.
Meu Deus é discreto e otimista.
Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso:
de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e não posso imaginar um Deus que não sorri.
Porque quem não te sorri, não é teu cúmplice...
Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro.
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma idéia, uma energia, uma eminência.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.
O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.
Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão.
Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.
Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer.
Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.
É onde tudo acontece e Este é o Deus que me acompanha.
Um Deus simples.
Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo.
Meu Deus é discreto e otimista.
Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso:
de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
Meu Deus é humilde.
Não posso imaginar um Deus repressor e não posso imaginar um Deus que não sorri.
Porque quem não te sorri, não é teu cúmplice...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Amantes promovidos
Venho percebendo um fenômeno da ordem dos menos importantes, mas, ainda assim, curioso. Antigamente, a pessoa casada que vivia um relacionamento extra-conjugal tinha o quê? Um amante. Homens tinham amantes, mulheres tinham amantes, e amantes não tinham a menor chance de receber alguma condescendência por parte da sociedade. O povo caprichava na hora de estereotipá-los. No caso das amantes, eram descritas como notívagas que vestiam vermelho, mantinham garras afiadas, lingerie de tigrinho e cabelos excessivamente compridos. No caso dos amantes, eram homens com emprego incerto, que podiam escapar no meio da tarde, e que usavam camisas listradas. Por que camisas listradas? Sei lá, deve ter alguma relação com a imagem do malandro, uma coisa meio Moreira da Silva. Mas sem o chapéu.
Os amantes exalavam luxúria. Eram pessoas de índole duvidosa, já que pouco se importavam de estar colaborando para a ruína dos lares. As amantes eram umas sem-vergonhas que queriam fisgar um marido a qualquer preço, os amantes eram uns farristas que divertiam-se comendo a mulher do próximo. Um pessoal absolutamente sem coração.
Alguém ainda tem amante? Nunca mais ouvi falar. E olha que eu lido com gente à beça, de tudo quanto é tipo, formato, cor, idade, estado civil. Ninguém mais tem amante. É uma raça em extinção. As pessoas, agora, casam e são felizes para sempre. E, quando acham que o "pra sempre" anda meio tedioso, arranjam um namorado.
Homens têm a esposa e uma namorada. Mulheres têm o marido e um namorado. Nunca vi nada mais familiar. As namoradas são estudantes, médicas, bibliotecárias, mulheres que usam jeans e camiseta, cabelo curto e unhas curtas, elegantes e discretas. Discutem Nietzche, são companhia para um cinema, passam as festas de fim de ano com a turma sem reclamar.
Os namorados são surfistas, engenheiros, instrutores de informática. Mandam e-mails carinhosos, sugerem discos de jazz, dizem eu te amo.
Amante é coisa de quem curte relações clandestinas, transa atrás das portas e exagera no perfume. Uma decadência. Os amantes foram promovidos a namorados. Adeus vestidos vermelhos e camisas listradas.
Os amantes exalavam luxúria. Eram pessoas de índole duvidosa, já que pouco se importavam de estar colaborando para a ruína dos lares. As amantes eram umas sem-vergonhas que queriam fisgar um marido a qualquer preço, os amantes eram uns farristas que divertiam-se comendo a mulher do próximo. Um pessoal absolutamente sem coração.
Alguém ainda tem amante? Nunca mais ouvi falar. E olha que eu lido com gente à beça, de tudo quanto é tipo, formato, cor, idade, estado civil. Ninguém mais tem amante. É uma raça em extinção. As pessoas, agora, casam e são felizes para sempre. E, quando acham que o "pra sempre" anda meio tedioso, arranjam um namorado.
Homens têm a esposa e uma namorada. Mulheres têm o marido e um namorado. Nunca vi nada mais familiar. As namoradas são estudantes, médicas, bibliotecárias, mulheres que usam jeans e camiseta, cabelo curto e unhas curtas, elegantes e discretas. Discutem Nietzche, são companhia para um cinema, passam as festas de fim de ano com a turma sem reclamar.
Os namorados são surfistas, engenheiros, instrutores de informática. Mandam e-mails carinhosos, sugerem discos de jazz, dizem eu te amo.
Amante é coisa de quem curte relações clandestinas, transa atrás das portas e exagera no perfume. Uma decadência. Os amantes foram promovidos a namorados. Adeus vestidos vermelhos e camisas listradas.
domingo, 16 de dezembro de 2007
FELICIDADE REALISTA
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro
e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos
desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.
Dinheiro?
Não basta termos para pagar
o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina
olímpica e uma temporada num spa
cinco estrelas.
E quanto ao amor?
Ah, o amor... não basta termos alguém
com quem podemos conversar, dividir uma pizza
e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos
AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e
presentes inesperados,
queremos jantar à luz de velas de
segunda a domingo, queremos sexo selvagem
e diário, queremos ser felizes assim e não
de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns
romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz
sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando,
juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco
que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que
saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco
de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer
o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem
almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar
lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem
exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus
limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal
competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras,
demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade
é um sentimento simples, você pode encontrá-la
e deixá-la ir embora por não perceber sua
simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso
coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo,
mas não felicidade.
e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos
desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.
Dinheiro?
Não basta termos para pagar
o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina
olímpica e uma temporada num spa
cinco estrelas.
E quanto ao amor?
Ah, o amor... não basta termos alguém
com quem podemos conversar, dividir uma pizza
e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos
AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e
presentes inesperados,
queremos jantar à luz de velas de
segunda a domingo, queremos sexo selvagem
e diário, queremos ser felizes assim e não
de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns
romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz
sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando,
juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco
que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que
saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco
de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer
o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem
almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar
lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem
exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus
limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal
competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras,
demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade
é um sentimento simples, você pode encontrá-la
e deixá-la ir embora por não perceber sua
simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso
coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo,
mas não felicidade.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
A Fita Métrica do Amor
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: A Amizade, O Carinho, O Respeito, O Zelo, E até mesmo o Amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... ...é a sua sensibilidade, sem tamanho...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: A Amizade, O Carinho, O Respeito, O Zelo, E até mesmo o Amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... ...é a sua sensibilidade, sem tamanho...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
A Fita Métrica Das Pessoas
Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme
o grau de envolvimento.
Ela é enorme para você quando
fala do que leu e viveu, quando trata
você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri
destravada.
É pequena para você quando
só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira
pouco gentil, quando fracassa
justamente no momento em
que teria que demonstrar o que há
de mais importante entre
duas pessoas:
a amizade.
Uma pessoa é gigante para
você quando se interessa
pela sua vida, quando busca
alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando
perdoa, quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo
com o que esperam dela, mas de
acordo com o que espera
de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando
se deixa reger por comportamentos
e clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar
grandeza ou miudeza dentro
de um relacionamento, pode crescer
ou decrescer num espaço
de poucas semanas:
será que ela que mudou ou será
que o amor é traiçoeiro
nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir
o tamanho de um amor que
parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar
o tamanho de um amor
que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta
elasticidade: as pessoas
se agigantam e se encolhem
aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito
não através de centímetros e metros
e sim de ações e reações,
de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender
a mão e,ao recolhê-la
inesperadamente, se torna
mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso,
nem os músculos que tornam
uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.
Os tamanhos variam conforme
o grau de envolvimento.
Ela é enorme para você quando
fala do que leu e viveu, quando trata
você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri
destravada.
É pequena para você quando
só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira
pouco gentil, quando fracassa
justamente no momento em
que teria que demonstrar o que há
de mais importante entre
duas pessoas:
a amizade.
Uma pessoa é gigante para
você quando se interessa
pela sua vida, quando busca
alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando
perdoa, quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo
com o que esperam dela, mas de
acordo com o que espera
de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando
se deixa reger por comportamentos
e clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar
grandeza ou miudeza dentro
de um relacionamento, pode crescer
ou decrescer num espaço
de poucas semanas:
será que ela que mudou ou será
que o amor é traiçoeiro
nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir
o tamanho de um amor que
parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar
o tamanho de um amor
que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta
elasticidade: as pessoas
se agigantam e se encolhem
aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito
não através de centímetros e metros
e sim de ações e reações,
de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender
a mão e,ao recolhê-la
inesperadamente, se torna
mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso,
nem os músculos que tornam
uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Voz Do Silêncio
Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.
Tenha uma excelente semana!
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.
Tenha uma excelente semana!
Subscrever:
Mensagens (Atom)