Fazer do simples, do claro,
algo cristalino, palpável
atingível, afiançável,
torna-se difícil...
Nossas mentes carregam resquícios
de uma sabedoria prepotente e oca.
Agregada àquela luz que se mantém fosca,
pois não nos dirige
afeta-nos, nos ilude, nos aflige,
e eis que nosso escrito
teima em querer se fazer
épico, eterno,
e acaba tornando-se lítico,
pois que a simplicidade não o adorna.
Não existe caminho no universo
onde a humildade,
de mãos dadas com a simplicidade
não se apresente enriquecendo,
em meio absterso,
a inspiração deflagrada em rimas e versos...
E nesse percurso o que nos toca
justamente não é a riqueza do glossário,
o que realmente comporta e importa
é o todo contido num relicário
de expressões edificantes,
porém simples e por isso marcantes.
Um ambiente claro...
Um coração vermelho, amor raro...
Um instante onde o que se espoca
é a verdadeira noção do escrever
não pra se obter complexidade
mas sim, para tornar o crível fácil de se ver,
cumpliciando-o sempre com a simplicidade...
Maneira poética de ver as coisas.
Os olhos jamais inventam.
As mãos seguem o mesmo caminho,
pois que senão
perder-se-ia da linha o linho.
Perder-se-ia do belo
o que o faz vero...
E o todo deixaria de ser sentimento...
Assim penso...
Simples assim.
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