domingo, 7 de outubro de 2007

O FILHO QUE NUNCA TIVE

Nasceste e logo te puseste a chorar,
Teu cabelo pretinho lembrava a noite,
E os olhos tinham um certo oscilar,
Como as candeias ao vento num açoite.

Que pequenino tu eras, meu menino,
Na incubadora te puseram ali,
E, eu, sentindo-me o homem mais sozinho,
Fiquei toda a noite ao pé de ti.

Os dias passando regressaste ao lar
E eu contente não me contive,
Para finalmente poder-te acariciar.

Montei um berço que não existe,
Porque o meu filho já não vive,
É imaginação minha que ainda persiste.

Sem comentários: