terça-feira, 23 de setembro de 2008

SAX

Não há mensagens no teu telefone...

Nem cartas, nem bilhetes... só saudades

E o som fiel do teu saxofone

Vagando em tuas sensibilidades.



Não sopras, beijas... produzindo sons,

Como se murmurasses tua dor...

As formas que tu vês são só neons

Criando um bailado sedutor.



A música passeia pela sala

Enorme... sem aplausos ou platéia...

E enquanto o teu coração se cala,

O som resvala doce... da traquéia...



Apagas tua luz, queres ficar

Sozinho, recriando a harmonia

Em tons, já que não podes recriar

O amor que se perdeu... por ironia...



Não falas, mas a música articula

O que tu gostarias de dizer

E enquanto a tristeza te anula

A melodia acorda o teu prazer.



O jaz passeia lento, convidando

Os pares a dançar...então, um blues

Se solta do instrumento e vais soprando

As mágoas, transformando o som... em luz...



Num êxtase, angústias bailarinas

Deslizam nos salões da tua dor

E envolvem tuas trôpegas retinas

Ao som desse teu sax...tenor.

Sem comentários: