quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Enchente da flor

Vem ao meu alcance grávida de flor,

depressa, adocicando as cascatas

salinas do meu olhar em ressaca;

vem! — numa enchente límpida de amor.





Mãe risonha, abençoada e serena,

se derramando o leite encantado,

há de milagrar o inesperado;

então me abraça, mãe, eu sou pequena.





Vem depressa gotejar o absinto,

umedecendo o quintal agreste,

embriagando a paisagem rupestre

no fadário bronzeado que eu pinto.





Ah! mãe e mãe, me ilumina e me irriga

com a sua tempestade de emoção,

se deitando do útero outra oração,

germinará a luz na minha vida.





Fada da flor, mãe grávida de lis,

enlevo a remissão e beijo a criança,

primavera lilás que descansa...

cio da estação; uma enchente mais feliz.

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