quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Cortinas do Tempo

As cortinas do tempo se abrem...

Vejo-me, então, lá... no palco... sozinha...

E como se possível fosse também,

deslizo como sombra diáfana no espaço,

única, majestosa...

A saia em tule, abrindo-se como uma rosa

em cor-de-rosa...

A platéia silenciosa,

como se estivesse em transe,

acompanha a minha performance...

Eu não os via, apenas os sabia...

O foco de luz dançava comigo

e eu não me sentia mais só... Era meu abrigo...

Minha pele alva, com a claridade daquela magia,

tornava-me uma bailarina de porcelana.

Mais vibrantes iam se transformando

as notas musicais

e eu criava asas, em vôos triunfais,

deixando o cisne flutuar para a morte...

Uma explosão de aplausos em delírio

estalam na minha realidade...

Levanto-me lentamente, com dificuldade,

penteio meus cabelos brancos

com um sorriso nos lábios... diferente...

Naquela noite pude dançar novamente...

... até o fim,

e a bailarina que em mim

já há muito tempo adormeceu,

agradece-me pela noite de apogeu.

Sem comentários: