Talvez, por todas as vezes que já chorei...
E choro por aquelas vezes
que não pude sequer chorar...
Eu choro por aqueles que amei
e perdi...
Lágrima a lágrima, no silêncio.
Lembro tudo o que perdi,
e tudo o que não encontrei,
Choro pelo desgostos que tive...
Tudo o que não tenho, tudo o que não sou,
A face fica estática, o olhar parado, fixo,
meu corpo fica imóvel, rígido...
Quando choro, acumulo as águas dos rios,
à velocidade da luz,
passam imagens dolorosas,
de tudo o que me feriu...
Sei que choro por aquilo que um dia ainda
vou chorar, choro,
até o choro dos outros, mas,
quando a chuva cai,
sei que ela chora em meu lugar
e posso finalmente parar de chorar,
porque vejo as minhas lágrimas no seu olhar.
Sinto um vazio e um silêncio imenso...
O silêncio é o signo das coisas escondidas,
dos olhos tristes, da saudade...
os moinhos emergem das lágrimas
e encontram futuro nos ventos.
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