terça-feira, 15 de julho de 2008

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que
resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante,
mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiamentos, as distâncias, as
impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro.
Mas, quando existe não precisa de códigos verbais
para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que as
pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro
com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com,
Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Sentir com,
é não ter necessidade de explicar o que está sentindo,
é olhar e perceber.
É mais calar do que falar ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio,
tanto nas possibilidades exercidas quanto das
impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas
ou tiradas pela vida .

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