Sentindo as garras da lua
num abraço feiticeiro,
fiz-me inteira, toda tua,
num romance passageiro.
E num sonho de momento,
aceitei teu argumento
nada, em tese, verdadeiro.
Virei a alma no avesso,
tentei-te com meus encantos,
nos beijos que não esqueço,
banhados destes meus prantos.
Desvio dos meus compassos,
perdida nos teus abraços,
deslumbrada nos teus cantos.
Na procura eu não te vejo,
na espera eu enlouqueço.
Na febre do meu desejo,
de dores tantas padeço.
Então, embaço a vidraça,
e a luz da lua não passa...
Nada adianta! Não te esqueço!
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