Não me refiro ao olhar apaixonado. Falo de alguém. Falo do olhar que paralisa o outro e não pode desligar. Que se apavora de adivinhar-se possivelmente feliz e se descobre em profundidade e espanto no poço do outro, no fundo do qual mora uma certeza nunca antes confirmada.
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A paz é amor porque só surge quando se está ao lado de alguém sem medo, sem culpa, sem pena, sem ter que explicar e se explicar, sem interesse algum, senão o de ficar ali.
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Sentir é não ter necessidade de explicar o que se está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar. Ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
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Afinidade não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. Não importa o tempo, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
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Ver com coração e olhos livres, o que ou quem nos foi amor, traz indizível sensação de bem.
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Compreender é perdoar por antecipação. Gostar não é apenas durante, é, sobretudo, depois.
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É preciso saber dar a devida dimensão de tudo, em vez de ser dimensionado pelo que acontece.
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Qualquer pessoa vacila diante da carga de responsabilidade implícita no ato de ser livre.
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Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
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A grandeza do amor está na impossibilidade de sua catalogação, cristalização, definição, congelamento em fórmulas, formas e fôrmas. Ele é tão amplo, misterioso e profundo, que sempre está além de onde o colocamos. Sempre surpreende. Sempre é mais. É outro. Aparece diferente. Aumenta na hora de acabar. Diminui na hora de existir. De vez em quando, coincide. Enfada, se permanece. Assusta, se ameaça partir. Cansa na constância. Desanima na inconstância. Cresce, porém, na constância. Vive de um estranhamento. Mas é carregado de afinidade.
Formatada com carinho, para o Escritor
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