Volta gaivota ao meu desejo
Deixa de imitar a garça errante,
teu olhar prometeu-me alado beijo
para que eu visse a terra azul distante
Fugiste do meu amor por ser tristonho?
Se tens vazio o meu lugar confessa,
pois que na espera eu ainda ponho
a mesma ansiedade da promessa
Tu que és uma das aves do meu sonho
não chegarás, por certo, a aninhar-te,
mas na excitação da espera ainda componho
a fantasia que usas no disfarce
Mergulha no meu peito liquefeito
como se fosse poço cristalino
e perceberás o vibrar perfeito
da canção de um mágico violino,
mas se fizesses do amor hipotético
o trampolim para o beijo de verdade
talvez nos perdéssemos no patético
visto ser difícil fantasiar a realidade
Ah, que vôos, desprendida gaivota
pela trilha do arco-íris dou contigo,
no teu bico a rosa-flor devota,
a perfumar o sonho que persigo
Ah, gaivota das minhas fantasias
amacias os tombos do meu peito,
iluminas os escuros dos meus dias,
e até de feliz me pões com jeito
Meu peito no querer é horizonte,
necessita da amplitude do espaço,
se alguma ave bebe em sua fonte
na angústia do inútil me desfaço
Volta, a minha espera te procura
vem espadanar as asas francas,
sobre esta esperança de ternura,
vem cobrir de ardor as rosas brancas,
ou espera na liberdade que eu vôe,
no sonho, à tua altura
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