sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Meditando

Lembro-me de quando era menina, viajando pelo interior com a família, eu e meu mano observavamos da janela traseira do carro, o movimento dos automóveis que nos ultrapassavam velozes na estrada.
- Olhe, um Cadillac!
Nossos olhos se iluminavam de prazer ao ver o carro mais cobiçado da década de cinquenta, mas que hoje virou peça de colecionadores e museus.
Depois vieram os charmosos Mustangs e Pumas que todo jovem rico ou não, queria ter e ambos seguiram o mesmo caminho do esquecimento dos famosos Cadillacs.
Recordo-me da sensual Brigitte Bardot, a BB, também da Gina Lolobrigida, Sofia Loren, as famosas estrelas internacionais de cinema da época mais brilhante do século passado: década de sessenta. Hoje as vemos como senhoras envelhecidas com rosto esticados pelas inúmeras plasticas, esquecidas e desconhecidas pela nova geração. O mesmo destino espera pelas outras beldades atuais.
Alguém sabe quem foi o Rei da Vóz? A Rainha do Radio?
Os primeiros computadores despertavam admiração de quem os vissem, eram enormes e necessitavam grande locações para serem acionados. Hoje aquele maquinário que desperdiçava espaço chega a ser aparelho minusculo cumprindo a mesma função e cada vez mais, os modelos são ultrapassados pelos mais atuais. A distância do antigo e do moderno está cada vez mais curta.
Palacetes, prédios, móveis, aparelhos eletrônicos, objetos ultra-modernos de hoje serão "demodê" no futuro. Mais rapidamente hoje do que ontem porque o tempo corre mais célere nesta época de transição.
Tudo se modifica, tudo se ultrapassa e todo objeto de desejo do homem será deixado de lado para se buscar outros mais novos. É aceitável que acompanhemos o progresso material e ter tudo que facilite nossa vida acelerada deixando tempo para buscar o que realmente tem valor.
Anos atrás, marcou-me fortemente na memória uma frase de jornal: "O homem mais rico do mundo, morreu". Nem me lembro quem era e onde morava, a frase acendeu no meu entendimento uma lição importante que todos sabem, mas ninguém toma conhecimento:- NADA É PARA SEMPRE NA FACE DA TERRA.
Nenhuma riqueza, beleza, fama, poder, projeção social, status dura após a morte, o que não impede a humanidade passar toda sua existência em busca desse pouco, dessas efêmeras conquistas. E outra pergunta veio: O que dura para sempre e desafia o tempo?
O ser alado que paira sempre no céu de meus pensamentos e guia meus claudicantes passos ao grande aprendizado da existência, respondeu:

- A alma!
As criaturas passam toda sua vida em busca de tudo que é de fora de si mesmo, mas o que dura para sempre está dentro, no espírito imortal..
- O paradoxo da vida é se desprender dos bens materiais para ser rico.
- Ser obscuro na vida para resplandecer após a morte.
- Envelhecer por fora para rajuvenescer por dentro.
- Sofrer no corpo para ser feliz no espírito.
- Perder para ganhar.

Na escuridão é onde a luz mais se acentua, justamente nesta ocasião memorável que o céu está medindo nossa luz. Trabalhemos no abrilhantamento de nosso universo interno.
Não reclamemos das trevas, antes, louvemos a escuridão que faz moldura para a nossa alma iluminada. Busquemos o que enriquece o espírito como o amor, a fraternidade, a paciência e tolerância pelas falhas alheias, a alegria de viver sem irresponsabilidade, o conhecimento superior aliado à modéstia, o respeito profundo por tudo que existe desde a minúscula ameba à grandiosa estrela do firmamento.
O respeito, o trabalho e o amor intenso por toda Criação nos fará seres possuidores de eternas riquezas.

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