De uns anos para cá, cada vez gasto menos o meu tempo com os noticiários. Cansei dos"desfalques públicos" sem as devidas restituições, da visão de obras públicas começadas e não concluídas, das manobras eleitoreiras, do populismo, enfim, cansei do pouco caso do poder público para com as reais necessidades desta Nação. Concluí que, neste País, é melhor ser alienado do que revoltado. No entanto, o ser político que existe em todos nós acaba buscando saber dos acontecimentos. Foi assim que não escapei de acompanhar os últimos acontecimentos no Senado. Neste últimos dias, o que tenho visto e escutado seria cômico se não fosse trágico.
Sinto-me triste. Uma tristeza tão grande que não sobra espaço para raiva ou revolta com a situação.
Sinto-me triste acompanhando o dia-a-dia dos bolsistas que o Presidente da República criou. Outro dia, lí um artigo onde o autor escreveu que os pobres não querem receber as tais bolsas. Penso diferente. Penso que eles querem, sim. Tanto é que as recebem. A minha crença é a de que os pobres não merecem recebê-las porque têm aparência e conteúdo de esmolas. E, como bem dizia o saudoso Luiz Gonzaga em uma de suas canções, elas "matam de vergonha ou viciam o cidadão". Viciaram o cidadão. O fato de eu viver numa cidade do interior dá-me oportunidade de ver, mais de perto, os resultados dos dinheiros/bolsas nas mãos do nosso povo. Está cada vez mais difícil de se encontrar pessoas para trabalhar, no campo ou na cidade. Aquelas verdadeiras "merrecas" que os bolsistas recebem, sem qualquer esforço para as merecer, afrouxaram o espírito de luta por uma vida melhor, com dignidade. Transformados em pedintes, passaram a "sobreviver", satisfeitos, das esmolas que recebem do governo. O que os políticos não sabem é que esmoler é tanto quem recebe a esmola quanto quem a dá. Este pensamento me leva a outro chamado corrupção. Não existem corrompidos sem corruptores. Por que não criam oportunidades de trabalho para o povo viver com dignidade? As urnas eleitorais respondem!
Sinto-me triste ao ver a conduta dos que nos representam como cidadãos. "Cada povo tem o governo que merece." Merecemos estes representantes? Quem os colocou alí? Muitos votaram enganados. Mas a grande maioria de votantes é constituída pelos eleitores que o Senador Silvestre Péricles denominava de "poeirinha de ouro", ou seja, a grande massa de bolsistas declarados e um verdadeiro contigente de bolsistas não declarados, representados pelos que recebem esmolas, na forma das benesses oriundas do poder público. É triste ver-me representada por aquelas Excelências. E eu nem votei neles!
Sinto-me triste com o descaso com que a coisa pública trata necessidades básicas como educação, saúde e segurança. Falta de recursos financeiros não é. O dinheiro está sobrando. Para saber onde ele está, basta acompanhar as notícias do seu roteiro. O dinheiro está no bolso e nas contas bancárias dos nossos representantes políticos junto com os seus séquitos de assessores diretos e indiretos e sendo investido nas suas negociatas. Educação, saúde e segurança não lhes dizem respeito. Eles e seus familiares têm acesso às melhores escolas particulares, aos melhores serviços médicos que o dinheiro paga e andam cercado por seguranças que nós, os inseguros, pagamos. Por que se preocupar com quem financia toda esta farra?
Sinto-me triste na mesma proporção em que me sinto impotente. Vendo aquelas cenas deprimentes no plenário do Senado, perguntei-me sobre o que posso fazer para mudar o roteiro e o cenário políticos deste País. A resposta foi "Nada!". Sou uma cidadã comum, simples abelha operária e sem o respaldo de um "curral eleitoral". Portanto, não tenho vez e nem voz.
Sinto-me triste, sobretudo, porque amo este pedaço de chão chamado Brasil e estou cansada de escutar que este é o País do futuro. Um futuro que nunca chega e que, a cada dia, acompanhando essa sucessão de escândalos, sinto mais distante de chegar. Ó, Pátria amada, idolatrada, salvem! Salvem!
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