quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Matinal

A janela amanhece preguiçosa
com o pipilo dos pardais.
O despertador acorda - à toa -
os sonolentos quintais.


Tento lavar minha preguiça
na água chocha da torneira,
sonhando, um dia,
tomar banho em gostosa e farta cachoeira.


Queria soltar as bruxas,
despir pesadelos
desnudar-me inteira...


Bocejo escandalosamente,
acordo duma vez!
Embrulho meus sonhos
em meias, chinelos e roupão.


Teimo em alisar as rugas - mas em vão!
Desmancho mal e mal a remela.


O dia começou de vez.
Vamos abrir as janelas!

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