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domingo, 5 de dezembro de 2010

Faro

Teu cheiro,
coisa volátil,
incêndio,
trovão.
Onda que me excita,
incita,
fustiga.
Mescla de sândalo
e jasmim,
teu cheiro nutre
e me pinica.
Teu cheiro
cabe inteiro
nos meus desvãos.

domingo, 17 de outubro de 2010

De esquecimentos...

E me esqueceste tão rapidamente que nada sobrou. Nem a mais leve pista, de quanto nos amamos, eu consigo encontrar.
Cartas de amor não respondidas, escondidas pelas gavetas testemunham o fim desta paixão finita, mas iniciada para não ter fim.
No porta-retrato, as fotografias cristalizam promessas não cumpridas.
Uns versos capengas se espalham no dia e procuram um endereço sem conseguir encontrar.
Mudaste deste canto, procuraste outros recantos...
Mesmo que o choro me encontre, esconderei a lágrima teimosa que insiste em rolar.
Não mereces que eu fique assim, em tristezas embrulhada.
Não te escreverei mais poemas de amor, juro.
Calei em mim qualquer ilusão de te encontrar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

miserere nobis

As migalhas que reparte
é banquete
para as bocas ávidas,
para o choro conformado,
para a fome
que geme no ventre;
e entre os dentes
mastiga a miséria
sem misericórdia.
De que adiantam
as vestes de colorido dos céus
e os campos floridos
que recobrem a nudez?
Não mascaram
a cor do olhar vazio,
da desesperança,
do oco da vida.
E assim,
sem nome,
jaz na poeira
mais um... dentre tantos
à espera do fim.

Espelho

Nas linhas que o espelho reflete

eu marco o tempo que fiquei sem ti.

Nos olhos, o brilho,

nos lábios, contorno o sorrir.

Não me importa se digo ao meu reflexo

que espero ainda por ti.

Não haverei mais de chorar

não posso me permitir.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Solitária alma

Minh'alma grita...
Ouves?
Por certo, não.
Só podem fazê-lo os que colocam os ouvidos no meu peito.
Só me ouvem os que aqui estão.
E estás tão longe que nem te pressinto.
Tão longe...
e mesmo assim
és nuvem de tempestade
que me revolve os dias,
bagunça minha ordem,
respinga as fantasias.
Sente o que eu sinto,
um pouco que seja,
um minuto apenas.
Estou aqui e não minto:
dou-te meu amor de bandeja.

Palavras mil

Abraço tuas palavras
que me sussurram carinhos,
que me prometem amor sem fim.
Deixo-me ficar entre tantas letras
que dizem que nunca irás me deixar.
E mesmo que não sejam os mesmos caminhos
que haveremos de trilhar,
ainda assim irás comigo
em cada palavra que irei guardar...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Cumplicidade

Tão leve,
tão nosso
esse sentimento
que nos faz cúmplices,
tramando felicidade nas nossas manhãs.
Vira-e-mexe
desvendamos segredos,
planejamos risos,
soltamos pipas e gargalhadas.
Construímos versos bobos,
contamos casos tolos
e adormecemos
anjos sem asas,
bêbados
de poesia.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Em volta do tempo

Esse lapso de tempo entre o acabar do teu amor e o continuar da minha dor fez da minha vida um amontoado de lembranças que, por mais que eu queira, não consigo ordenar.
Ficam todas (elas, as lembranças) espalhadas, esperando que as reúna por ordem alfabética, quiçá por tempo de uso ou, ainda, por felicidades que trouxeram ou, ainda, pelos estragos que causaram.
E ficam aqui e acolá, atravancando caminhos, deixando-me impossibilitada de colocar novos sentimentos, ou novos amores, ou mesmo dores que por vezes fazem bem, embora amargas e travosas.
E adio a faxina por cansaço puro, por preguiça casual, por medo de rever antigos cantinhos submersos em cartas amassadas e descoloridas.
Tenho medo de te encontrar em fitas e folhas secas que ainda dizem da minha saudade e da tua indiferença que já nem faz mais tanta diferença.
Tenho medo das tuas letras em rimas quebradas, dizendo amores que já se desfizeram nas rodas do tempo. Tenho medo de ver que esse tempo (o meu tempo) se foi. Tenho medo de ver que foste para sempre nas areias de outras praias.
Em qual ampulheta deixei meu tempo escorrer?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Estelar paixão

Veste-me
com teus beijos...
desenha,
com a língua,
estrelas em meu corpo
e eu terei um céu
nas curvas desta escuridão...
Orienta meu desejo
com tua mão.
Dá-me um prumo,
alinha-me o rumo.
Quero explodir em faíscas
por conta desta nebulosa
e inesperada
paixão...

Um beijo

Nada faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um beijo

Nada faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Borboleta

Procuro,
nas cores,
a borboleta,
- aquela -
que se deixa pousar em
minha mão.
Fica lá,
imóvel,
feito meu anel...
Lambe meus dedos,
rouba-me as flores
e deixa brilhos esvoaçantes,
deixa gotas de chuva,
sobram pingos de mel.
Nas minhas mãos
em oração
suspendo asas de cristal.
Efemeridades,
sopro divino,
frágeis leques,
pousados entre o Bem e o Mal.

Jejum

As palavras andam assustadas
e fogem-me das mãos.
Seus significados espalham-se
em páginas brancas e
amores inúteis.
Não consigo uni-las em versos
ou mesmo em lamúrias.
Tudo o que me vem
são frases fúteis,
incapazes de pintar
o que me vai pelo coração.
Ó belas palavras, onde estão?
Venham ,
cubram-me
com poesia
e me tirem desta escuridão.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sonho de amor perfeito

Porque ouço tua voz,
meu coração em festa,
descompassado, se agita.
Canto em cores vibrantes,
faço fita,
danço na ponta dos pés
tuas secretas coreografias,
saltito entre as nuvens,
invento histórias,
vivo o real ou a fantasia?
Porque somos nós,
a sós,
insisto,
incito,
excito,
imito,
desminto...
Sou eu ou tu?
Somos um só, concluo...
Somos nó bem feito, afirmo...
E juro de pés juntos:
"Jamais tive um amor tão lindo
dentro do meu peito!
Te amo,
meu sonho de amor perfeito!"

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Te amo porque te amo

Quero te amar inteiro e, principalmente, te amar com teus defeitos,
porque te amar com tuas qualidades é fácil demais.
Difícil é querer-te com tuas vontades e desmandos.
Difícil é te adorar com tua mania de dono-do-mundo,
de papai-sabe-tudo.
Difícil é passar por cima do teu jeito mandão de ser.
Seria fácil te amar pela tua inteligência,
pelo teu carinho sem fim,
pela tua delicadeza ao me adorar.
Seria fácil te querer pelas flores que sempre me dás,
ou pelas jóias que me trazes mas tem o lado difícil de te querer.
Mas se não fosse essa humana dualidade já tinha deixado de te amar.
Eu te quero pelo sono inquieto,
pelo biquinho amuado,
pelos repentes de raiva,
pela solidão em que te instalas.
Te quero pelo olhar distraído e pelo teu jeito sem jeito de me amar.
Te quero pelos teus silêncios...
e te adoro nas manhãs mal-humoradas e nas horas de enjôo das ressacas.
Eu te amo pela data que não lembrou.
Eu te amo de zorba e meias na hora do amor.
E te quero com suor ou cheirando a banho recém-tomado.
Eu te amo pelas palavras não ditas e pelas palavras doídas da hora da raiva.
É fácil te querer por perto nas horas de chamego, e nos dias de frio.
Difícil fica estar contigo nas horas dos resmungos e das contas a pagar.
Mas eu te amo por tudo isso e muito mais.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais que tudo

Mais que tudo
quero o dia amanhecendo
enrolado em cobertas quentinhas.
Mais que tudo
quero chuva fininha,
sol,
ventos suaves,
quero cantos,
danças,
quero aves.
Mais que tudo
quero amor,
carinho,
saúde,
quero o lar,
quero a flor.
Mais que tudo
quero-te ao meu lado,
crescendo,
estrela brilhante,
vivendo intensamente
este momento tão nosso.
(Instante abençoado).
Mais que tudo
quero fazer
tudo o que sempre sonhei.
Quero dar a você
tudo
o que posso.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Matinal

A janela amanhece preguiçosa

com o pipilo dos pardais.

O despertador acorda- à toa-

os sonolentos quintais.

Tento lavar minha preguiça

na água chocha da torneira,

sonhando, um dia,

tomar banho em gostosa e farta cachoeira.

Queria soltar as bruxas,

despir pesadelos,

desnudar-me inteira...

Bocejo escandalosamente,

acordo duma vez!

Embrulho meus sonhos

em meias,chinelos e roupão.

Teimo em alisar as rugas- mas em vão!

Desmancho mal e mal a remela.

O dia começou de vez.

Vamos abrir as janelas!

Te amo porque te amo

Quero te amar inteiro e, principalmente, te amar com teus defeitos,
porque te amar com tuas qualidades é fácil demais.
Difícil é querer-te com tuas vontades e desmandos.
Difícil é te adorar com tua mania de dono-do-mundo,
de papai-sabe-tudo.
Difícil é passar por cima do teu jeito mandão de ser.
Seria fácil te amar pela tua inteligência,
pelo teu carinho sem fim,
pela tua delicadeza ao me adorar.
Seria fácil te querer pelas flores que sempre me dás,
ou pelas jóias que me trazes, mas tem o lado difícil de te querer.
Mas se não fosse essa humana dualidade já tinha deixado de te amar.
Eu te quero pelo sono inquieto,
pelo biquinho amuado,
pelos repentes de raiva,
pela solidão em que te instalas.
Te quero pelo olhar distraído e pelo teu jeito sem jeito de me amar.
Te quero pelos teus silêncios...
e te adoro nas manhãs mal-humoradas e nas horas de enjoo das ressacas.
Eu te amo pela data que não lembrou.
Eu te amo de zorba e meias na hora do amor.
E te quero com suor ou cheirando a banho recém-tomado.
Eu te amo pelas palavras não ditas e pelas palavras doídas da hora da raiva.
É fácil te querer por perto nas horas de chamego, e nos dias de frio.
Difícil fica estar contigo nas horas dos resmungos e das contas a pagar.
Mas eu te amo por tudo isso e muito mais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sonho de amor perfeito

Porque ouço tua voz,
meu coração em festa,
descompassado, se agita.
Canto em cores vibrantes,
faço fita,
danço na ponta dos pés
tuas secretas coreografias,
saltito entre as nuvens,
invento histórias,
vivo o real ou a fantasia?
Porque somos nós,
a sós,
insisto,
incito,
excito,
imito,
desminto...
Sou eu ou tu?
Somos um só, concluo...
Somos nó bem feito, afirmo...
E juro de pés juntos:
"Jamais tive um amor tão lindo
dentro do meu peito!
Te amo,
meu sonho de amor perfeito!"

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Licença poética

Hoje estou livre para
deixar a palavra
chegar aos meus lábios
e permitir que alce voo;
libertar a tristeza
que há tempos mora
em meus versos;
permitir que o vento
revolva os sonhos que dormitam
em travesseiros
de noites insones;
deixar fluir
rios de significados
construídos
atrás dos muros;
ficar leve
livre e solta;
erguer lençóis,
abrir janelas,
ver o sol
beber a chuva;
ser eu mesma
em vários papéis.