domingo, 11 de maio de 2008

Retrato de mãe

Uma simples mulher existe que,

pela imensidão de seu amor,

tem um pouco de Deus;

pela constância de sua dedicação,

tem muito de anjo;

que, sendo moça,

pensa como uma anciã,

sendo velha,

age com todas as forças da juventude;

quando ignorante, melhor que qualquer sábio

desvenda os segredos da vida;

e, quando sábia,

assume a simplicidade das crianças;

pobre,

sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama;

rica, empobrece-se para que seu coração

não sangre ferido pelos ingratos;

forte,

estremece ao choro de uma criancinha;

fraca,

entretanto se alteia com a bravura dos leões;

viva,

não lhe sabemos dar valor,

porque à sua sombra todas as dores se apagam;

morta,

tudo o que somos e tudo o que temos

daríamos para vê-la de novo,

e dela receber um aperto de seus braços,

uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,

se não quiserem que ensope de lágrimas esse álbum

porque eu a vi passar em meu caminho.

Quando crescerem vossos filhos,

leiam para eles esta página;

eles vos cobrirão de beijos a fronte

e vos dirão que um pobre viajante,

em troca de suntuosa hospedagem recebida

aqui deixou para todos o retrato de sua própria

MÃE...

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