"...Sempre fui um pouco nostálgica, feito pracinha vazia com aqueles bancos solitários de cimentos descascados...Abracei a vida com fúria, e vivi todas as vertigens com voracidade... Mergulhei em todos os abismos e passei frio na alma desde que meu coração, numa curva sinuosa, quebrou desavisado...E quando já não haviam no meu céu, nem lua nem estrelas de reservas, abraçada com a minha fé eu pedi paz a Deus...
Chorei pela menina que não fui, pelas descobertas precoces e indevidas, pela infância cinzenta e pelas mãos sujas de gente grande, que pesadelos amargaram tanto tempo... Anjos alvoroçados e sensíveis solidarizaram-se com o meu clamor e evocaram prioridade a Deus que ouviu e se comoveu...
Com meu olho desfocado eu vi branco no vermelho, vi luz na escuridão, vi amor no grande ódio...
Tive medo e solidão...
Senti-me entre espinhos, mas Deus com delicadeza tirou de mim um por um, enchendo minha vida de esperança assim como quem infla, com paciência, uma bola colorida de criança..."
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