quinta-feira, 8 de maio de 2008

Gosto Amargo da Vida

Ninguém aprende a lidar com a dor.
Quando ela chega, entramos em pânico,
querendo fugir do eco, que não diferencia o som.
Os ais espelham os uis doídos
e, sem querer, vamos ficando órfãos
de tudo nesta vida,
tentando desesperadamente
substituirmos as perdas por ganhos,
sabendo que não sairemos vitoriosos,
e sim sobreviventes da dor,
que fica escondida atrás do riso,
lembrando, com saudade,
as lágrimas que secaram
dentro de nossos olhos,
mas que brotam dentro da gente,
escorrendo por nosso corpo,
sem que ninguém possa conhecer
a sua extensão.
Um fato lembra outro,
e nos acorrenta ao presente,
com a esperança passada
de voltarmos a ver um amanhã
um pouco menos doído.
Dizem que ninguém é insubstituível,
mas a verdade é que somos únicos,
girando a roda do tempo.
A dor navega sobre as ondas
de um mar que não tem fim;
vem do fundo, ao menos profundo.
e nos machuca, sem eliminar o gosto
amargo e salgado
que a vida nos obriga a provar.

Sem comentários: