segunda-feira, 19 de maio de 2008

Canto sem cor

Adornadas estrelas desenham

um céu que nunca sonhei,

ímpar sem par no breu onde

em insanos medos escondeu.







Envolta em muralhas, entresilhada,

capturada ave em seu vôo

na primitiva rasante que brinda

a suposta liberdade do eu.








Desfazendo-se em parafina,

vai a menina correndo atrás de si só,

por onde andarão os deuses

se seus adeuses não fizeram ouvir?







Percorre abatida sua sina,

nada mais há além de memória e pó

e a cotovia que canta a reclusa agonia

no espírito que tenta brunir.








Pretere ao passado suportando

um presente sem futuro ou dó,

rescindi a imagem desdenhada por

outros espelhos que não os seus.







Sabe-se sóbria na loucura prenha

de alguma completa embriagues

enquanto corre a menina sua sina,

de memória e pó, só, sempre só...

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