sexta-feira, 14 de março de 2008

Interregno

Não pode ser... é impossivel
viver-se no interlúdio,
que confunde o ontem e o hoje
numa miscelânea obscura
de sentimentos sem princípios ou rumo conhecidos...

*
Borboletas sem cor, ao léu,
pássaros sem ninhos...
Flores espalhadas ao chão,
velhas roseiras sem espinhos,
assim, sem proteção...
Enfeites do mausoléu
do passado que se foi...

*

Um flor saudade
resiste às intempéries,
viçosa está lá,
recebe a visita de um velho sabiá,
que perdeu o passado
e não canta mais...
Vive ausente, sem luz,
no interregno dos tempos...

*

Quando presente chegar
virão as incertezas...

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