quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MINHA HERANÇA

Deixo-lhe minha vida!



Não a que me foi prometida...

Mas este emaranhado de sentimentos

Que se abriu em intensas feridas,

Pois não encontrou o esquecimento.



Deixo-lhe minha essência imortal!



Uma alma ora triste e atormentada,

Perdida nas sombras dos dias...

Nômade em sombrias madrugadas,

Sangrando saudades e agonias...



Deixo-lhe o meu amor!



Aquele que sempre lhe pertenceu!

E mesmo agonizante, em ansiedades,

À distância imposta, sobreviveu!



Deixo-lhe meu coração!



Um livro sempre aberto,

Permanece ali registrado

Todo o encantamento vivido,

Quando adormecia ao seu lado...



Deixo-lhe ainda como herança:



Antigos sonhos de felicidade,

Floradas orvalhadas de esperança,

Na luz mágica da eternidade...



Só não lhe deixo:



O sono do meu corpo,

Que nos vitrais estilhaçados das solidões

Quedou-se ao silêncio, morto,

Em agrilhoados porões!



Só levo comigo:



A magia que havia em seu olhar,

O seu primeiro sorriso,

Os fios prateados do luar

Onde seu abraço, era meu abrigo

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