Enquanto essa luz vestida de viés
perspassa a mortalha de meu revés,
quem pensas que és?
Enquanto eu posto corpo sobre os pés
procuro-me entre rios, córregos, canapés...
Quem pensas que és?
Eu sou da tira da luz,
um efeito de almenara.
Embora por vezes me fira,
atiro-me ao encontro do que me induz,
pois se ouço a lira,
por que haveria de recusar minha cruz?
Eu sou nos nacos dos reflexos
que se espargem pelas paredes
dos meus segredos,
a sede que quer matar os meus degredos.
O desejo mor,
que a prior, já sabe de cor,
o meu porquê de vir,
jamais parar, sempre prosseguir...
Talvez até saiba quem és...
Talvez do convés,
tenhas outras visagens
das viagens
pelas quais perdemo-nos por aí...
Mas o dito pelo não dito
é propósito contradito...
Eu vou,
tenho minhas metas
à minha espera, conexas, completas...
Não me interessam saber se tu
colocar-te-á ao lado dos meus ideais,
não te quero SOMBRA que me espezinha,
quero alimentar-me isso sim,
desses raios espargidos de luz,
que trazem-me verdades afins
e despertam-me,
mesmo que entrecortados
em sua brilhatura,
pelo que semi-fechado se perdura,
não me deixam a descoberto.
Não me fazem luz no sentido completo,
mas iluminam-me...
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