sexta-feira, 17 de agosto de 2007

razão para ser

Desvencilhar-me do que minha alma onera.
Em verdade fazer-me outro,
um ser mais que leve, solto
para que eu possa lobrigar de meu mirante
tudo o que antes, fazia-se enrustido,
acizalhado, encardido...

Buscar nos meus próprios escritos
as notícias que retracejei e destaquei,
colocando-as sob grifos,
para que mais tarde fossem valorados
meus quereres e meus secretos desejos aflitos,
que eu sabia, mesmo que circunscritos,
iriam questionar meus atos, minhas viagens e vôos...

Ler minhas próprias manchetes...
Rever o que não fiz,
e sem desdenhar das feridas,
que à época se abriram,
relembrá-las atraves da extensa cicatriz
que em meu corpo ficou,
feito marca do que sou...

E após fazer-me solícito,
com minhas próprias indagações,
deixar modo bem explícito
que minhas razões,
ainda existem....

Saber que minhas vontades,
para o infinito,
ainda não viajaram...
Que eu, minhas verdades
enfim meus desejos,
estamos ainda caminhando sem alardes
procurando pelas estradas redentoras,
as quais ainda não vejo...

Mas qual chama que não se apaga
far-me-ei arder, iluminar...
Existe uma razão para ser,
e eu por certo a haverei de identificar...

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