sexta-feira, 18 de julho de 2008

Palavras

Se a boca fala... Ou cala...
Se minha palavra é só um eco...
Ou apenas verbo sem resonância,
Calo!... Calo!... A falar me nego!

Já não me importa, falar ou calar...
Falar me cansa e atormenta...
Meu silêncio é afirmar o que calo...
Calada evito novas tormentas!...

Vou engolindo, remoendo palavras...
Esquecendo o que estava apalavrado...
Fazendo emudecer o triste coração...
Já tão frágil, enfermo e angustiado!

Palavras são inspiradoras ou assassinas,
São velhas ranzinzas ou meninas...
Que nos extasiam ou magoam...
Muitas vezes bondosas, outras ferinas!

Se o silêncio se faz ouvir arrastado...
A boca já não precisa de nenhum som.
Fala o silêncio em seu mutismo...
Fala a dor em alto e dorido tom!...

Falar ou calar... Tanto faz!...
Gritar e espernear é burrice!
Só faz perder o rumo... O tino!
Caminhar à beira da sandice!

Basta de palavras, elas não dizem nada!
Calo me calo... E calarei para sempre!
Tudo o que fere... Tudo que maltrata!
Palavras são ardilosas e dementes!...

Palavras contêm mel e veneno...
Que adoçam ou amargam a vida...
Que abrem caminho a outras palavras,
Deixo-me então assim, emudecida!

Palavra!... - Desta vez me calo!
Deixo escoar aquilo que irá sobrar...
Permito-me um silêncio profundo...
Traduzindo o que já não dá para falar!

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