Poeta, anjo louco das letras,
Escritor de palavras cruzadas...
De sentimentos não correspondidos,
Indecifráveis, picantes e proibidos...
Vai poeta rabiscando seu verso,
Derrama com sua mágica pena,
A constelação, o arco-íris...
É fácil colorir, recriar essa cena.
Voar, fugir da crueldade da vida,
Que cutuca sua ferida em dor atroz.
Destila a beleza rara que não existe,
Onde a esperança enferma, mal resiste...
Completa seu verso com um final feliz,
Diga que não há mais ódio, nem fome,
Que a guerra acabou, a paz chegou,
Curtindo a dor da mentira até a raiz...
Ah... Poeta fingidor, bobo, insano...
Palhaço talentoso, fazendo a platéia sorrir.
Esperando sob a mesa, míseras migalhas
Do afeto inventado, sonhado, perfeito...
Falando do amor que nunca teve,
Nem tem mais jeito. Pintando o céu
Mais azul, o mar calmo e sereno...
Minta, minta sempre, corajosamente!
Esconda nas entranhas toda decepção
Que a pequenez humana lhe causou...
Há de chegar o dia de cantar e sorrir...
Viver será um noturno, uma canção...
Sua voz um grito de êxtase e alegria,
Ainda que no peito esteja parando,
Quase morrendo... O idiota coração!
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