quarta-feira, 12 de março de 2008

Quintal sombrio

No meu quintal a chuva se derrama
E a rouca voz do vento passa e geme,
Minha alma, mais que o meu peito que treme,
Ajoelha-se de medo e um nome chama.

"Escuta a dor na voz de alguém que te ama!"
É o meu amor descrente que te teme...
E encurva-se na mágoa que me espreme,
Até encobrir-me o rosto nessa lama.

A tarde vai sumindo desmanchada,
Mais temeroso fico ao te chamar,
Porque de longe me responde o Nada...

E a noite surge num longo arrepio,
De ave de mau agouro a sobrevoar
A minha casa e o meu quintal sombrio.

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