Elas viraram o jogo. Alcançaram o topo das grandes empresas, os postos de comando da administração pública e as cadeiras das universidades. Elas são ao mesmo tempo mãe, esposa, dona de casa e profissional.
A trajetória feminina é longa e representa conquistas coletivas e vitórias individuais. No fim do século XIX, as mulheres chegaram à universidade. Na década de 1930, passaram a votar. E depois da Segunda Guerra Mundial começaram a trabalhar. A partir dos anos de 1960 iniciaram uma batalha que perdura até os dias atuais, a busca do autoconhecimento e da construção de uma identidade.
A mulher abriu o próprio espaço no mercado de trabalho, buscando a igualdade em relação ao outro gênero. Antes, ela se contentava com o cuidado do lar. Agora, ela tenta conciliar a independência do individualismo contemporâneo e da revolução feminina com valores tradicionais. Ela sonha em casar e ter filhos, mas também que ser reconhecida pela competência no trabalho.
Muitas vezes as mulheres adiam projetos pessoais como o casamento e a maternidade para trilharem a carreira profissional. Primeiro, elas querem alcançar a estabilidade financeira e até mesmo emocional, para depois ter marido e filho. Por isso, decidem investir nos estudos e na profissão antes de formar uma família.
E para conseguirem êxito nas suas tarefas, principalmente na maternidade, algumas procuram depositar confiança em serviços como, creches ou babás. Há as que usam de estratégias de organização para manter o pleno funcionamento da casa nas mãos de empregados. Quase todas têm um aliado, o celular. A maioria se comunica com os filhos pelo aparelho.
A extensão do trabalho da mulher para além do espaço doméstico ampliou as dimensões das perspectivas de suas vidas. Surgiram novos comportamentos e novos anseios e desejos. Uma rotina de trabalho atribulada, afazeres domésticos e responsabilidades com a maternidade, muitas vezes, é fator de motivação na vida das mulheres.
O ingresso da mulher no mercado de trabalho provocou mudanças na sua vida, nas relações familiares e conjugais e na sociedade. Por muito tempo o “segundo sexo” foi orientado para construir uma família e se dedicar apenas ao lar. Hoje a mulher ocupa as vagas de emprego e mesmo assim ainda é o alicerce emocional da estrutura familiar.
A figura materna sempre foi e continua sendo a base da harmonia no lar. Entretanto, essa função se torna mais difícil na atualidade porque a mãe também é profissional. O dilema em conciliar a carreira com a maternidade pode ser o principal motivo de angústias das mulheres, já que elas desejam alcançar o sucesso profissional e a realização pessoal.
O modelo tradicional de família também sofreu novos arranjos, depois da consolidação do sexo feminino no ambiente de trabalho. Hoje, aumenta o número de mães solteiras que são chefes do lar. Elas assumem a produção independente e as responsabilidades com o sustento da casa. E assim são formadas as famílias monoparentais maternas, que também podem ser frutos de mulheres separadas com filhos.
A multiplicidade de papéis exige preço alto das mulheres. Elas se tornam escrava do tempo, ou melhor, da falta dele. É como se as 24 horas do dia não fossem suficientes para ser mulher, esposa, mãe, dona de casa e profissional. Elas têm que se desdobrar para poder atender o que é esperado delas. O esforço para conciliar diversos papéis na sociedade atual é um grande desafio para a mulher. Nesse processo, parece que não tem bônus sem ônus.
Nos últimos anos, a vida das mulheres seguiu mudanças importantes e irreversíveis. A mulher hoje é fruto da invenção da pílula anticoncepcional, na década de 1960, que desvinculou o sexo da procriação e a permitiu o planejamento familiar. Casar ou ficar solteira, ter filho ou não, ser a rainha do lar ou atuar no mercado de trabalho são escolhas que não implicam em optar entre sujeição e liberdade. Atualmente, a mulher é capaz de criar o seu ritmo de acordo com os seus desejos.
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