terça-feira, 11 de março de 2008

Chove chuva, chove!

Chove chuva, chove!

Deixa que cada pingo teu

se arraste até o estômago das bocas,

essas que gargalham no solo seco.

Os risos são de escárnio!

Que cada gota tua leve consigo,

bem lá nas entranhas, escondidas,

gordas sementes, prestes à vida!

Gota a gota, feche, chuva, as fendas

desses risos que machucam

e debocham do sertanejo.

Jorre cores e verde na terra...

Deixe que o homem se encante

e afugente a fome que o abate.

E as grandes bocas se fechem,

no abandono do desdém.

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