terça-feira, 4 de dezembro de 2007

FORÇA INTERIOR

O tempo estava frio, chuvoso
Minhas roupas encharcadas,
O peso de minha mochila se multiplicara
As estradas de barros ora asfaltos enlameados,
Mas eu tinha um propósito, uma finalidade,
Em algum lugar eu teria que chegar...

O peso da mochila fazia doer minhas costas
Era uma longa jornada, mas tinha que ser feita.
Na estrada um longo e silencioso engarrafamento
Tinha caído uma barreira
Os automóveis não tinham como prosseguir viagem
O que restava mesmo, era aquela gente
Que assustados ao me verem encarar a tempestade
Me acompanharem ou ficarem entregues a seus destinos...

Ali, naquele momento
Não me importava com seus pensamentos
Ou o que de mim pensavam,
Eu tinha que em algum lugar chegar
E não seria uma tempestade que iria me fazer desistir.
Confesso que sentia temor,
Temor que de repente algum barranco
Poderia desabar e me soterrar
Mas tinha que continuar, não era um desafio
Mas à vontade de me fazer chegar
Num lugar plano e seguro
Onde eu poderia minha carcaça descansar...

Uma longa jornada se fazia pela frente
Vi pessoas abandonarem seus carros
E como uma peregrinação,
Meus caminhos e passos seguirem.
Ninguém nada falava, nada perguntava
E eu, nada tinha pra falar e nem perguntar,
Só seguia em frente, seguia, seguia e seguia...

A chuva apertara mais de uma hora,
Uma hora dessas lentas que custam a passar.
Já bem acima da estrada,
Eu e as pessoas dos dezoito carros
Que na estrada estavam parados,
Ouvimos um grande e ensurdecedor estrondo,
Mais uma barreira desabara
Olhamos para trás, para baixo
De onde tínhamos uma hora atrás,
Debandados e vimos os carros desaparecerem
Sobre o barranco desabado...

As pessoas que momentos antes
Não entendiam o porque eu retornara
O caminho antes abaixo percorrido
Entreolharam-se e fixaram seus olhares duvidosos
E aterrorizados em mim.
Agora eles entenderam o porque eu tinha
Tomado meu caminho de volta
Eles entenderam o porque pus minha coragem
Na frente e encarei aquele forte temporal
Onde raios e trovões
Faziam suas festas naquele céu nublado.
O homem e a mulher que tinham me dado carona
Naquele momento passaram a entender
Que é melhor encarar desafios
Do que ficar a mercê deles...

Horas se passaram,
Caminhávamos sem parar
A luta era desigual, chuva, vento forte contra nossos corpos
Raios e trovões sobre nossas cabeças
Nossos corpos encharcados enlameados
Mas existia uma coisa importante naquela gente,
Eles sabiam fazer silêncio, eles sabiam
Que deveríamos ficar atentos
Por causa que em qualquer momento
Poderíamos nós, todos nós
Sermos soterrados.
Alcançamos uma parte plana da estrada,
Não mais caminhávamos subida acima,
Estávamos numa parte plana da estrada
Onde as encostas dos morros não nos alcançariam...

Momentos difíceis
Momentos que temos que provar
Que estamos acima de nossos medos
E que enquanto existir fé e coragem,
À vontade de vencer
Sempre prevalecerá em nossas almas.
Por fim chegamos em lugar seguro
E ninguém, ninguém lamentou a perda
De seus veículos,
Ninguém amaldiçoou aqueles momentos
Mas uma voz firme e grave
Após termos sentados num abrigo
Se fez ouvir,
Uma voz que se calara assim como as outras
Por todo o tempo de nossa jornada
Onde somente o destino sabia
Para onde nos guiar disse:
“Foi a vontade de Deus que nos fez te seguir
Caso contrário estaríamos todos
Dentro de nossos carros protegidos do temporal
Mas soterrados para o resto dos fins dos tempos...”

Realmente, se não fosse por vontade de Deus
Eu também não teria coragem
De encarar aquela tempestade
E me por a caminhar por estrada afora
Onde somente o destino saberia
Quando, como e aonde eu deveria chegar.
Coragem, força, confiança e determinação
Essa é a arma que nós devemos carregar
Em nossos alforges, em nossos coldres, em nossas almas.
Nascemos de novo.

Sem comentários: