Tempo vago por total vazio
Pensamentos perdidos ao nada
Longas estradas
Grandes caminhadas
Sem ponto de partida
Sem pressa de chagada
Solidão dos tempos
Irmã paz do nada.
Solidão não tem casa não tem moradia
Solidão não tem nome não tem cor não tem fantasia.
O espaço que crio no tempo
Não dá tempo para uma ocupação
Não tenho nome não sinto dor
O frio que me corre a alma
Termina num passado de solidão.
Ela não é inimiga
Ela não é amiga
É apenas a solidão
De quem segue sem rumo
Sem tempo sem princípio
Sem criar um início para ter um fim.
Respiro o cheiro do mar
As pedras me atraem
No estar descalço a caminhar
Minhas pegadas na areia deixam as marcar
Marcas de um tempo passado
Marcas de um registro de vida
Vida passada sem glorias sem perspectivas
Onde somente a solidão se mostra
E desmonta meus sonhos de puras ilusões.
Procuro uma razão perdida
Não existe uma volta na vida
Existe um destino e ele tenho que seguir
Só não sei como e quando a chegada.
Sigo a direção vos ventos
Meus cabelos se rebelam
A poeira misturada com a areia que o vento levanta
Banha meu corpo da sujeira desse viver
Não sei de tristeza na busca
Num só momento de alegria.
Solidão minha amiga
Somente a você me entrego por prazer.
As estradas são longas
Os caminhos alternados
Apanho-me chorando num campo descampado
No compasso de uma canção triste
E que dela tento fugir
Somente nesse mundo estranho vazio
A solidão encontro presente
Ela invade o pensar
O pensar desse meu eu
Que um dia perdeu o dom de amar.
Solidão minha solidão
Somente a você me agarro me entrego
E na falta desse amor
Me ponho a desesperar
No desespero de um estreito fechar de minhas mãos
Tento fugir do marasmo onde fecho o abismo da vida
Na vala de meus conceitos perdidos
Destranco a tranca de meu coração
Fecho a porta de meu porão
Nela deixo guardado meus segredos meu passado
Minhas tristezas... Minha solidão.
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