A vida é um enredo
em que o olhar se torna um ostensório que expõe o espírito,
às vezes carente, às vezes, difuso
ou com a pureza
dos santos do éden celestial
ou, ainda, com as incertezas
de um purgatório.
Nesse drama sou um ator
de uma escala indefinida,
no teatro da vida não represento bem, faço o papel triste do carente
na corte das rainhas do amor.
Quero partir, navegar no meu barco
sem amarras que me prendam à ilusão,
quero romper o cabo da âncora
das minhas incertezas.
Partirei sem a âncora
que o fundeia e o fixa, para as reflexões.
É uma viagem que maltrata,
crucifica este timoneiro
de sonhos em vão...
Não vejo o ancoradouro,
vejo a agitação da vaga desordenada
a destruir a ventura dos meus ideais,
conquistados com a força de um mouro
no decorrer da minha vida,que é o tempo,
cheio de venturas e desditas.
E, como o meu,
seguem tantos barcos
entre rosas e rosário dos santos,
entre lágrimas dos oratórios
dos sonhadores
de peitos sob constrição...
Acordo com o sol a me iluminar
e a me mostrar
que tudo era uma miragem,
essa viagem que se instalou
no meu sonho.
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