segunda-feira, 14 de julho de 2008

A vida em um sonho

A vida é um enredo

em que o olhar se torna um ostensório que expõe o espírito,

às vezes carente, às vezes, difuso

ou com a pureza

dos santos do éden celestial

ou, ainda, com as incertezas

de um purgatório.



Nesse drama sou um ator

de uma escala indefinida,

no teatro da vida não represento bem, faço o papel triste do carente

na corte das rainhas do amor.



Quero partir, navegar no meu barco

sem amarras que me prendam à ilusão,

quero romper o cabo da âncora

das minhas incertezas.



Partirei sem a âncora

que o fundeia e o fixa, para as reflexões.

É uma viagem que maltrata,

crucifica este timoneiro

de sonhos em vão...



Não vejo o ancoradouro,

vejo a agitação da vaga desordenada

a destruir a ventura dos meus ideais,

conquistados com a força de um mouro

no decorrer da minha vida,que é o tempo,

cheio de venturas e desditas.



E, como o meu,

seguem tantos barcos

entre rosas e rosário dos santos,

entre lágrimas dos oratórios

dos sonhadores

de peitos sob constrição...



Acordo com o sol a me iluminar

e a me mostrar

que tudo era uma miragem,

essa viagem que se instalou

no meu sonho.

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