domingo, 20 de julho de 2008

QUANDO UM AMOR SE VAI

O momento em que um amor de despede é diferente de qualquer outro que alguém já tenha vivido. Refiro-me àquela despedida que acontece quando a decisão está amadurecida por todas as circunstâncias vividas, e quando já se esgotaram todas as possibilidades. É um momento solene.

Ao longo do processo, não percebemos a transformação. É muito sutil. Enquanto vislumbramos uma possibilidade, o sentimento está imerso na esperança e pronto para vivenciar, gloriosamente, uma nova oportunidade. À medida que os insucessos vão se acumulando, o amor vai saindo, devagar, da nossa vida, até que, um certo dia, olhando o relacionamento sob todos os ângulos, vemos que o estoque de possibilidades está esgotado.

No primeiro instante, ficamos um tanto perplexos e perdidos diante da constatação: ruiu a ponte que ligava dois universos. Nada mais a fazer. Nada mais a dizer. Qualquer gesto, qualquer palavra mergulhará no nada que vem depois da despedida. Sentimos tristeza. Afinal, estamos fechando um ciclo importante no qual a afetividade foi exercitada, permeando de sonhos e de esperanças cada minuto da nossa vida.

À medida que o tempo vai passando, começamos a enxergar aspectos do relacionamento que antes não queríamos ver. As mágoas que relevamos, os constrangimentos que desculpamos, em alguns casos, o descaso ou o desrespeito com que o nosso amor foi tratado são cenas que aparecem na tela da nossa mente, como numa seqüencia de filme. Repassamos, então, o que foi a nossa conduta durante aquele trajeto e percebemos as situações injustas que permitimos que acontecessem conosco enquanto insistíamos nas nossas possibilidades.

Neste ponto, tomamos consciência de um fato importante: o verdadeiro amor não morre, nem mesmo muda. Permanece intacto. Mas intacto no seu tempo. Naquele espaço de tempo em que foi vivenciado a dois. Nós é que mudamos. Começamos, então, o retorno ao nosso próprio centro e, em alguns casos, a recuperar a dignidade e o respeito próprios que estiveram esquecidos enquanto acreditávamos nas possibilidades. Sem mágoas, respeitamos o direito de escolha do outro e voltamos a sentir orgulho de nós mesmos!

Estamos livres! O desatar dos nós que nos prendiam a um vir-a-ser que não foi nos proporciona a serenidade do reencontro com o nosso eu interior, com o equilíbrio e com a alegria de viver. Somos nós mesmos, inteiros e muito melhores do que antes. É o benefício equivalente de qualquer experiência de vida.

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