A maria-fumaça, um tanto sonolenta,
rangia nos trilhos secos e enferrujados,
uma aquarela da janela luarenta
descia no meu olhar infante e tão sulcado.
O fumo solto libertava enfim Maria,
assaltando a passarada. Ave! revoada...
Dessa tela inda bebo o riso que escorria
das miragens desfilando alcoolizadas.
Desnudar a nuvem nos azuis que eu abrigo
adoçando o vinho das mil madrugadas,
parar o céu e as mãos em graça quando irrigo
a chuva onde pincelo a noite e a risada.
Encenar o vinho... tinta que derramo
na tatuagem anímica da aquarela,
adocicando as faces luarentas que eu amo
na pintura alcoolizada de quimeras.
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