quarta-feira, 2 de julho de 2008

Aquarela da janela

A maria-fumaça, um tanto sonolenta,

rangia nos trilhos secos e enferrujados,

uma aquarela da janela luarenta

descia no meu olhar infante e tão sulcado.





O fumo solto libertava enfim Maria,

assaltando a passarada. Ave! revoada...

Dessa tela inda bebo o riso que escorria

das miragens desfilando alcoolizadas.





Desnudar a nuvem nos azuis que eu abrigo

adoçando o vinho das mil madrugadas,

parar o céu e as mãos em graça quando irrigo

a chuva onde pincelo a noite e a risada.





Encenar o vinho... tinta que derramo

na tatuagem anímica da aquarela,

adocicando as faces luarentas que eu amo

na pintura alcoolizada de quimeras.

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