Pelas teclas do piano, um passarinho
Passeava, entre bemóis e sustenidos;
Ao tocá-las, ele ouvia,bem baixinho,
Outro canto que alegrava os seus ouvidos.
Muito ingênuo, o frágil animalzinho,
Respondia àquela espécie de assobio,
Tropeçando nos bemóis... devagarzinho,
Como se ouvisse o som de um novo pio.
Pelos olhos nebulosos de um velhinho,
Esta cena inusitada parecia
Um desenho rabiscado, com carinho,
Pelos dedos de arco-íris... da poesia.
Por instantes, comovido com o que via,
O velhinho aproximou-se do piano
E enxergou, dentro da própria miopia,
O amor de Deus mostrado em outro plano.
Mansamente, seus dedos enrijecidos
Repetiam cada nota que a ave
Emitia e percorria seus sentidos;
A partitura era uma pauta...sem a clave.
Cada vez que o contato digital
Produzia um novo som, o animalzinho
Repetia-o num toque musical
E o velhinho... já não era mais sozinho.
De manhã, quando o piano emudeceu,
Só um eco metafísico pairava...
Era a alma da canção que se perdeu
No silêncio de um velhinho...que voava.
...
Sem comentários:
Enviar um comentário