Não lamentes
esta ausência de paz
se por ela teu canto grita
e, na sua falta, o peito se agita.
Não chores pelos efeitos
se à causa não contribuíste,
se entre os uivos impensados
teu dedo ergueu-se em riste,
se à massa dos descarados
com atos probos insurgiste.
Não blasfemes contra teu Deus
juntando teus apelos a ateus
nem lamentes a desventura,
se enxergares com brandura
o que da vida não se altera,
mesmo que não seja o que espera.
Não fujas da responsabilidade
de fazer o melhor, com fé e piedade,
nem jogues no ombro do ausente
a culpa que não existe no inocente.
Não julgues, a não ser tuas próprias ações,
pois não és senhor das honras e perdões.
Não te esquives, no excesso de tua caridade,
de bradar pelo justo e pela moralidade,
de erguer tua voz na defesa do que é certo
e repudiar o vício, de aplausos coberto,
para não seres apenas ovelha passiva
num rebanho de puros, sem alternativa.
Se nada fizeres pelo próximo,
nada terás feito também por ti.
Se, de alguma sorte,
achares que já fizeste tudo
pela tua Pátria,
e sentes orgulho
mesmo sem nada teres conseguido
além do que lhe competia,
vista qualquer cor,
jamais o verde-amarelo
que honra os bravos, os fortes,
aqueles que se acomodam jamais
diante do destino obscuro e funesto
que os detentores do poder
tentam direcionar
aqueles que pisam
o mesmo chão que te viu nascer.
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