Olhos que guardaram segredos
Olhos que presenciaram tantas coisas
Olhos que exprimiam verdades
Verdades de uma vida assim passada
Que somente o tempo pode testemunhar.
Olhos que sobreviveram uma guerra
Olhos que marcharam numa revolução
Olhos que revolucionaram uma vida.
Foram tantas as passagens
Foram tantos os amores
E eles, esses olhos grandes e claros
Continuaram firmes e ativos até seu último momento
Como se fossem os botes certeiros de um puma.
Foram de uma intimidade franca com vida
Foram olhos que pareciam ser do mundo
Foram totais de incrível sabedoria
Sabedoria de quem viu e viveu por varias vezes
A morte fria a sua frente no caminhar com ela lado a lado
Ora temendo-a ora salvando vidas
Ora safando-se e salvando a si próprio
Olhos que testemunharam uma história
Jamais vivida por alguém de tamanha coragem
Quantas e quantas mortes
Nos campos de batalhas esses olhos presenciaram
Quantas e quantas vidas esses olhos viram nascer
Foram olhos ágeis que viram várias gerações crescerem
Olhos da mulher que foi você
Que mais perecia ser do firmamento.
Foram tantas histórias contadas e ouvidas
Foram tantas falas ensinadas ao meu silêncio
Olhos que foram puras experiências de uma mulher que somente
Conheceu a palavra “verdade”
Olhos de quem fez o mundo curvar-se diante de si
Olhos que guiaram esse meu caminhar
Olhos que viveram noventa e seis anos
Olhos que agora estão a repousar
No silencio frio de uma eternidade.
Descanse em paz Adalgisa
Com você aprendi parte do que é viver uma vida.
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