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terça-feira, 25 de março de 2008

desta vez chorei por dentro...

Minhas emoções travaram-se...
meus sentidos, abruptamente relutaram
e paralisei-me, totalmente cimbrado,
quis mover-me, mas qual o quê,
parecia estar sendo tragado por um pesadelo...
desta vez, chorei por dentro.

Embora crível, discernível,
confesso que o sal das lágrimas
atingiu meus recônditos...
chorei como choram os que sentem dor...
senti a lasciva e incômoda reação de perda.
Desta vez, chorei por dentro.

Não me descrevi, nem sequer me desenhei,
confesso, que inerte fiquei...
sem movimento, sentindo o vento,
mas semi-morto...
não senti meu corpo...
desta vez, chorei por dentro.

Como dói, como corrói...
como se faz indescritível, perder-se consciente.
Estranho sentir nas entranhas,
uma tristeza infinda, infinita...
sentir calafrios, forma circunscrita,
chorar de soluçar, mesmo em silêncio,
quando o coração se agita mas não grita.
Que desdita...
desta vez, chorei por dentro.

Estavas ao meu lado...
não te enxerguei.
Falaste junto ao meu ouvido,
mas dorido, não te escutei..
Mandaste que eu fitasse teu rosto belo,
mas te juro, nada disso eu vi...
deixei-me por instantes, morrer...
e segui, tinha que seguir.
Carros passavam.
Pessoas conversavam.
E eu estranhamente, meio que demente,
não me senti... não reagi...
por uns momentos, realmente morri...

É...
desta vez,
chorei por dentro...

modo infinito...

Meneio por teu corpo...
inebrio-te, elevo-te.
Faço-te descobrir a cor
dos teus sonhos...
nada em ti, será amorfo.
Tudo ganhará fulgor
e nada do que for visonho,
ousará possuir-te...

Falo não por mim,
mas pelo amor.
Pelo que fulgura e inebria.
Pelo que determina e irradia.

Velo teu sono.
Revelo meu segredo.
Livro-te do medo.
Digo pra ti
em sussurros ternos,
quem sou...
faço-te ablaqueada,
completamente livre
de teus infernos.

Se preciso fôr,
deixo de ser
para tê-la...
Quem fala por mim é o amor,
que pleno de querer
por ti passeia...

Em silêncio, sem agito...
modo infinito.

segunda-feira, 24 de março de 2008

a arte vence o fogo...

A arte vence o fogo...
dita as regras do jogo
e sublima...

No seu divino voar
- mirante acima -
constrói sua viagem
e alimenta de cor,
a paisagem...

Assim seremos...
uma eterna coragem,
que far-se-á
plasmada imagem,
pois que somos arte e fogo...
somos algor e calor...
somos arte e amor...

E enquanto imerso em arte
nosso canto parte,
por caminhos além...
e nesse instante,
não existe o fogo.
Não sobrevive o jogo.
Apenas somos.

Pertencemo-nos...

sem me saber...

Hoje,
justamente hoje.
Não sei se por coincidência,
ou por eqüivalência,
sinto-me só...
Não se trata
de uma solidão qüantitativa,
aquela que enumera os dias,
mas uma solidão qualitativa.
Um dissabor amargo,
no qual eu me travo
e minha força se desativa.

Nada de escrito bucólico...
ou ter que seguir por uma estrada de terra...
trata-se de uma necessidade/ânsia
de conversar inteligentemente.

De sorver o que se faz
conseqüente.
De enfim,
revalidar-me.

Sabe quando "pinta" aquela
indefinição de não se saber?
Pois é...
é justamente um problema desses.

Mas nessa hora
o que se aflora,
é a imensa dificuldade
do par estar em disponibilidade...
Isso bate feito açoite.
Isso me tira a seriedade.

Fazer o quê...
pelo menos até amanhã
- quiçá até nunca mais -,
eu terei que ficar
sem me saber.

só quero saber onde o trem do tempo parou...

Visagens acizalhadas
pelas quais viajo,
sem poder colear.
Viagens conturbadas
onde sequer ajo,
somente fico a observar.

Nem sinto o movimento
de meu braço,
pois que meu corpo lasso
já não encontra espaço,
apenas absorve o que o fez cansar.

De soslaio observo figuras...
verdadeiras miragens.
Confundo o sol dos dias
e não tenho discernimento,
entre o real e a fantasia.

Mas não me amedronto.
Não vou criar confronto.

Apenas quero saber
em qual instante estou...
em qual estação
o trem do tempo parou.

"in natura..."

Mergulhar...
inserir-me no abluir
do que se cria,
e entregar-se ao esculpir...

Crio meus anjos e arcanjos.
Dou cor ao meu céu.
E vôo...

Artista, arte...
nada se reparte
a não ser para somar.
O anjo,
já me sorri...
minhas mãos em frenesi
buscam prosseguir.
Forma que se toma.
Inspiração explícita.
Um indício de que,
alcançamos a arte
em sua forma mais pura,
mais lícita.

Sinto que cresci.
Sinto que ao criar
fiz-me também parte da criatura,
"in natura"...

fé de ainda ter que ser

Um foco tenro de luz.
Uma diretriz?
Ou algo, que nada deduz,
mas que por reluzir, me seduz?

No encontro das dúvidas.
No menear pelas beiras sem eira
dos algares.
No cabal breu dos lugares,
que se põem plasmados,
porém não delineados,
perco-me...
senso emaranhado.

Num relance absorvo
dos meus pecados,
todo o que se fêz turvo, tosco,
embaraço, empecilho, estorvo.

Ato contínuo,
faz-se movente
o que é acolhido pela mente
e meu destino
não admite,
que eu pare.
Em desatino,
por momentos choro...
movido pela fé
de ainda ter que ser,
por momentos, oro...

pelas entrelinhas da dor.

O sibilo da brisa murmura
de forma dura e pura,
- há séculos -
que um abandono,
pode prostrar um corpo no chão.
E que, enquanto inerte,
a musa amada lhe arranca o coração,
e parte...

Um costume?
Uma lenda qualquer?

Enquanto tentamos definir e discernir
o que se dá,
eis que muitos corpos, já frios,
contraídos denotam o vazio...

E a gente sente, vindo ao vento,
o aroma deixado por um sentimento...

E por mais que nosso senso relute,
nossos sentidos inda plasmam um vulto,
que encoberto, deixa deserto
o lugar, o sonho, e o desejo de amar.

Dizem os antigos, que o que fica,
- modo aparente -
é somente uma semente,
que fruto não se fêz...
um amor que não vingou.
Uma lacuna não preenchida,
que agora jaz perdida
e vaga etérea,
pelas entrelinhas da dor...

segunda-feira, 10 de março de 2008

complicado...

Se me tocas, arrefeço-me...
se murmuras palavras doces, estremeço-me.
Mas que sensação é essa, que embarga e anula
minhas vontades, fazendo alarde e em mim pulula?
Se miro teu olhar, o que salta,
são límpidas e cristalinas visagens...
projetos de viagens,
que nem sequer passeavam pela minha mente.
Se quero fugir de ti, me prendo.
Se me abraças, me rendo.
Mas meu Deus, porque isso faz-se assim?
Invadiste meu corpo, tocaste minha alma,
e teu todo fez-se em mim, mais que afim.

Quando será que vou reagir?
Quando será que tua falta, deixará de existir?

Se sorrio, vem-me tua alegria.
Se choro, vem-me teu carinho.
Se vejo-me só, somente vislumbro-me,
adentrando-me em teu caminho.
Sei lá se sou hoje parte de um ser,
ou se deixei de ter fé no amanhã...
não sei explicar esse respirar com afã,
pois que nunca nada me fez agir dessa maneira,
passos trôpegos, pensando asneiras,
sem coragem de virar o jogo,
fugir do que se faz fogo,
e ser-me, por que sei do que sou capaz...

Mas espera...
talvez haja um último encontro.
Num cintilante ponto
onde o no entanto, faça-se encanto,
e quem sabe...

Mas deixa estar...
nada em mim alimente,
não faças que em mim aumente
o que já imenso se faz...

sexta-feira, 7 de março de 2008

pobre do meu coração...

Noiites em que dormias
eu permaneceia desperto...
Nos dias pelos quais fingias
eu me prostrava boquiaberto...

Sabias...
por isso,
cerceavas os meus guias.
Abrias,
portas e cancelas,
fazias,
surgir figuras venenosas e esguias.

Mas mesmo assim eu sorria
pois recordava dos caminhos,
que há milênios eu fazia
pra poder desvendar sozinho,
os meus segredos...
sempre morrendo de medo,
se por acaso tu passavas...

Deixei que me beijaste...
fui sugado como traste,
pela força do arraste,
pelo dissabor, pelo desastre
de saber, que nunca dormiste sozinha...
enquanto meu coração, se iludia,
imaginando que foste somente minha...

paradoxal...

E vens com tuas vestes brasonadas
como fosses luzente candelabro, que pra omitir os descalabros,
calava-se, a cada momento em que embarreirado,
descobria-te prisioneira dos teus próprios gritos...

Ao final da festa, na semi-penumbra, rastejavas...
embodegava teu orgulho, e repleto de eufemismo,
já não mais esbravejavas...
Fazia-te filha mor do masoquismo...

Mas insistias, semi ablaqueada,
em perverter e perverter-te...
mirrada prostrava-te,
como estivesses travada, encantada,
pelo teu próprio jeito amaro e enodoado...

No paradoxo das sensações
que espocavam,
o crer refutava...
o querer relutava...
e ao fim,
uma atitude por demais igual,
por demais banal...
o afastar simplesmente pelo prazer de afastar-te...

pérfidas interrogações...

Nos muros grafites... nas línguas uma imensa falta de caridade.
No versejar uma carga enorme, não de falsidade,
mas um desejo de ser o que a muito, perdeu-se pelos becos das cidades.

Quando penso estar próximo ao amor
eis que ele se apresenta coberto de veleidades...
um conjunto inteiro de meia verdades,
que impõem-nos interrogações várias,
que não se fazem silenciosas, são dinâmicas, fazem alardes...

Quem supõe ter conhecido o amor,
que se aprofunde nos recônditos do próprio ego,
onde se encontram os alfarrábios, o que a poesia da vida deixou...
Sim, hoje sou assim um viajor,
que adejou, adejou,
e após chocar-se nos vários obstáculos,
decidiu-se por deixar,
que sem foguetórios e espetáculos,
o amor ecloda em mim...
como eclode o fim
das pérfidas interrogações...

desconhecem ter almas...

Os rearranjos, são nada mais, retalhos...
um mesclar de alhos e bugalhos
para tentarem dar um percurso errado
ao destino das balas perdidas...
assim penso eu, esses pobres mortais,
raciocinam e projetam, o calar de inocentes vidas.

Ei! Quem é você poeta qualquer,
que desafia o que der e vier
ao lançar suas injúrias?

Apenas alguém, que não se atrapalha,
que ainda não virou palha,
e nem se concebe tão covarde
a ponto de manifestar o que lhe arde,
no que sobra dessa densa cizalha...

E assim caminham nossos instantes...
alguns inseridos em ideais,
outros perdidos no querer constante
de proteger sonhos materiais...

Desconhecem ter almas...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Com paixão

Os traços que tem seu rosto
No brilho do seu olhar
Mostram um grande desgosto
Não conseguem ocultar

Seus olhos, que me seduzem
Pela tristeza que tem
A sonhos mil me conduzem
Desejo ir muito além

Ve-los brilhar de alegria
Ve-la sorrir satisfeita
Ve-la ao meu lado eu queria
Fazer de tí, minha eleita

Mas não posso fazer nada
Tenho que viver distante
Pois você é bem casada
Não precisa de um amante

Ser seu palhaço eu queria
Pra poder te ver feliz
Encher de amor o seu dia
Te dar o que sempre quis

Te dar amor e carinho
Te dar todo meu amor
Ao seu lado no caminho
Do eterno esplendor

Vou te amando em segredo
Pois não posso revelar
Prejudicar você é meu medo
Por isso não vou contar

Um dia descobrirá
Que eu te amo e não minto
Nesse dia, saberá
Tudo e mais do que eu sinto

sábado, 6 de outubro de 2007

simples assim...

Fazer do simples, do claro,
algo cristalino, palpável
atingível, afiançável,
torna-se difícil...
Nossas mentes carregam resquícios
de uma sabedoria prepotente e oca.
Agregada àquela luz que se mantém fosca,
pois não nos dirige
afeta-nos, nos ilude, nos aflige,
e eis que nosso escrito
teima em querer se fazer
épico, eterno,
e acaba tornando-se lítico,
pois que a simplicidade não o adorna.

Não existe caminho no universo
onde a humildade,
de mãos dadas com a simplicidade
não se apresente enriquecendo,
em meio absterso,
a inspiração deflagrada em rimas e versos...

E nesse percurso o que nos toca
justamente não é a riqueza do glossário,
o que realmente comporta e importa
é o todo contido num relicário
de expressões edificantes,
porém simples e por isso marcantes.

Um ambiente claro...
Um coração vermelho, amor raro...
Um instante onde o que se espoca
é a verdadeira noção do escrever
não pra se obter complexidade
mas sim, para tornar o crível fácil de se ver,
cumpliciando-o sempre com a simplicidade...

Maneira poética de ver as coisas.
Os olhos jamais inventam.
As mãos seguem o mesmo caminho,
pois que senão
perder-se-ia da linha o linho.
Perder-se-ia do belo
o que o faz vero...
E o todo deixaria de ser sentimento...

Assim penso...
Simples assim.

anjo não tem cor...

Bela e inebriante solidez...
Na simplicidade contida em altivez,
eis que surge a face que conceitua o suave...
Ave! Salve!
São difíceis surgirem belezas assim como tema.
Coisas de um País que ainda teima
em não acatar os resquícios ricos,
onde habitam virtudes
de tão maravilhosa e linda negritude...

Uma face, uma história...
Um passado marcado por açoites
onde as noites,
em nada se diferenciavam dos dias
no que concerne a maceração de sentimentos.
De peso, de dor, de sofrimento...

Ah como me orgulho
ver minha raça,
- aquela que venceu a desgraça -
ser estampada em figura de tão cintilante brilho!
Sinto-me como fosse mãe,
acariciando apaixonadamente o retrato de um filho!

Tomara que nosso País desperte...
São essas expressões de face belas e singelas,
que nos permitem afirmar sem medo ou temor:
Anjo não tem e nunca terá cor!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

terrível sortilégio...

Fazer-se entender no qualitativo
passou a ser do que é mais preciso,
simplesmente algo que possa quiçá,
um dia vir a despertar...

Vou falar dos meus cães... não que eles não mereçam
Vou falar dos meus ais sempre de forma contumaz,
sempe rotulando um algoz,
aquele que desata os nós
para logo em seguida, feito processo vicioso,
ter-nos de novo como prisioneiros nos amanhãs
inseridos apalermados
nas mediocridade das promessas idiotas e vãs...

Ou talvez ainda falar sobre o nada...
Sobre o que passa feito pó na estrada
e sequer é notado, ouvido, tem a natureza desvendada...
Talvez o quantitativo ativo
seja hoje o construtor do nosso mundo,
O todo hoje vestiu-se de casca.
Todos escondemos o que em nós se faz profundo,
e consistentemente flui...
Atrasando-nos, tornando-nos meros repetidores
do que rapidamente se apaga,
do que por ser vazio, se auto-exclui.

Se eu não conseguir postar uma poesia,
posto uma receita de bolo...
Se eu não conseguir enaltecer alegria,
visto-me de tolo...

No mais, é embrenhar-se pelo quantitativo,
aquilo que mesmo sem passar por nenhum crivo
faz-se porquê nossa natureza preguiçosa,
optou por endeusar as idéias mesmas, ociosas.
Vou falar sobre meus móveis.
Meus pensamentos imóveis.
Minhas visões que não ultrapassam as curvas.
Vou falar sobre coisas efêmeras, reações chulas e turvas,
pois que essas sim, despertam as lágrimas...
E a moda ainda necessita do chorar.
Vou escrever o que do meu senso não pensante,
transgredir, forçar, brotar...

No amanhã talvez eu possa descobrir
o peso do medíocre,
que hoje se assevera privilégio.
E amanhã sofrer a desgraça de ser
um nada, um ser inanimado, uma mera estátua,
um terrível sortilégio...

época de dias comuns...

Corre-corre...
Serelepes passos descontínuos
dão a conotação de que os dias correm aflitos.
Mais uma vontade ou outra que morre.
Mais um mirar que não se posta dalém.
E nos arfares, o que se destaca são os conflitos,
aqueles que correm soltos no íntimo
estacando uma pífia querença,
donde se afloram apenas diferenças.
Nada mais se anuncia.
Nem mesmo postam-se irrequietas as confrarias,
imersas que se fixam em "embuçada" acalmia...

Os homens e mulheres
colocam-se na expectativa.
Como fossem uma resistência apagada, passiva.
E narcisos,
deixam de ser incisos
permitindo que as horas somente passem,
jamais marquem...

Mais um dia sem mesclas.
Mais um dia confrangido.
Mais olhares,
que se fazem constrangidos
como se dominados por brilho ilusor.
Falta de amor...
Precipitação de dor...
E a dúvida se instaura nas entrelinhas,
entre o que em mim se resvala,
e o que realmente, no instante sou...

Mais um entre uns.
Mais um relicário de indagações nulas.
Época de dias comuns...

sábado, 22 de setembro de 2007

que o amor não caia entre os medíocres

Que o amor jamais caia
em almas saltimbancas,
em bocas cujas falácias
nunca dêem de frente pro mar...

Que o amor seja sempre fruto
de quereres não carecentes.
Que ele seja exato exatamente
no ponto onde sua magia transborda
e o etéreo feito alma, sente...

Que o amor nunca se torne
hóspede de bocas volúveis...
Nem se entrelace às vontades nunca encantadas
que se espargem,
mas sempre de mãos dadas com o nada...

Que o amor nunca reluza
na natureza neon que luz sempre lhe traz.
Que sempre floresça em campos de paz
mesmo se as atitudes forem beligerantes.
Mas que muito antes
ele seja a estrutura da esperança existir
para que algo mude, num átimo de instante...

Que o amor não se crie
nos colos daqueles que rastejam nos solos,
procurando de qualquer coisa, não sei o quê...

Amor nunca jaz...
Amor nunca é algoz...
Amor é muito mais que o
somatório de todos nós.

Amor é o que se mesclará às cores
cor mais pura, que vira e revira
trazendo sempre flores,
que queiram perfumar os corpos
cada vez mais e mais...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Beijo vermelho

Deixo um beijo vermelho
assim,
desse jeito,
jogado.
Como se não fosse para ele
que me arrumo,
me pinto,
penteio.
Faço de propósito,
para mostrar que sozinha,
eu vou,
eu faço,
eu posso.
eu vou,
eu faço,
eu posso.
Na verdade,
sem ele, fico triste.
De soslaio vejo o meu limite
e a única realidade
é esse beijo vermelho
que deixo..
O resto, não existe.
A única realidade
é esse beijo vermelho
que deixo..
O resto, não existe.