O pó seco, ácido, tinge os pés nus.
Abrasador sol queima minha pele.
Sigo em frente, inda que isso sele
a mágoa triste que, silente, compus.
Juncos que propõem minha queda,
caídos ao chão, murchos, sem vida,
eu os ultrapasso na minha partida.
Rejeito o pó, que meus olhos veda.
O embargo que à frente me enfrenta
é inútil na quebra dos meus intentos.
Resoluta, enfrento o pó, rudes ventos,
riscos que caem, brasas cor magenta.
Desconheço o que busco! é um nada!
Trajeto nulo, sem um alcance à frente.
Somente passos alternados e cadentes
que talvez uma esperança a mim traga...
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
As Mãos!
As mãos! Ah, estas mãos! Elas, que turvas,
apelam pela luz. Romper redoma;
a que, na escuridão, o corpo, curvas,
circunda, em prisão, abate e o doma.
Cristal envelhecido, já em desgaste,
na luta com meu ser calcificado,
envolve minhas tiras, estas hastes
que tentam meu resgate, aos bocados.
Trincado que eu espero me apareça,
a porta que me salve, traga a luz,
reflexo, com seu brilho que me aqueça...
Do sol, o amarelo, o que conduz,
me aqueça, em carinho, a cabeça,
o corpo, que exangue, largue a cruz!
apelam pela luz. Romper redoma;
a que, na escuridão, o corpo, curvas,
circunda, em prisão, abate e o doma.
Cristal envelhecido, já em desgaste,
na luta com meu ser calcificado,
envolve minhas tiras, estas hastes
que tentam meu resgate, aos bocados.
Trincado que eu espero me apareça,
a porta que me salve, traga a luz,
reflexo, com seu brilho que me aqueça...
Do sol, o amarelo, o que conduz,
me aqueça, em carinho, a cabeça,
o corpo, que exangue, largue a cruz!
segunda-feira, 2 de março de 2009
Meu Desamparo
Esta sombra, que negra, tinge os meus olhos
Escurece tudo ao derredor, em tintas de noite
Pesa sobre minha face já em peia, no açoite
Chispa inclemente, qual o mar em abrolhos
O negro que me atormenta impiedoso, cruel
Clama por piedade ao clarão da cheia lua
Eu me vejo em desamparo, encolhida e nua
No rasgar de minhas vestes, atiradas ao léu
Encolho célere o corpo suado e desprotegido
Inda sabendo que o entorno é de total vazio
Tento lutar, em concha, por meus laços e brio
atingidos pela negritude do meu ser ferido
A noite me desampara, me aflige a tira escura
Nega-me a lua à luz que, esplendorosa, cheia,
Guarda em círculos concêntricos, qual u´a teia,
Resguardando para si os brilhos, em usura ...
Escurece tudo ao derredor, em tintas de noite
Pesa sobre minha face já em peia, no açoite
Chispa inclemente, qual o mar em abrolhos
O negro que me atormenta impiedoso, cruel
Clama por piedade ao clarão da cheia lua
Eu me vejo em desamparo, encolhida e nua
No rasgar de minhas vestes, atiradas ao léu
Encolho célere o corpo suado e desprotegido
Inda sabendo que o entorno é de total vazio
Tento lutar, em concha, por meus laços e brio
atingidos pela negritude do meu ser ferido
A noite me desampara, me aflige a tira escura
Nega-me a lua à luz que, esplendorosa, cheia,
Guarda em círculos concêntricos, qual u´a teia,
Resguardando para si os brilhos, em usura ...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Esconderijo
Abafo meus ais no meu esconderijo.
Atrás dessa bela máscara enfeitada
sufoco as lágrimas.Guardo o rosto rijo,
encrespado pelas dores da empreitada,
esta que enfrento, assim escondida.
Minha covardia não será julgada
e o sal que escorre não será secado.
Recolho-me sob a beleza estampada
e engulo as lágrimas aos bocados.
Mirem a máscara, vejam seu encanto!
O que a mim só pertence ficará comigo,
nas minhas dobras, no meu recanto,
purgando meus erros no doce abrigo.
Por detrás, inacessível, a minha solidão!
Atrás dessa bela máscara enfeitada
sufoco as lágrimas.Guardo o rosto rijo,
encrespado pelas dores da empreitada,
esta que enfrento, assim escondida.
Minha covardia não será julgada
e o sal que escorre não será secado.
Recolho-me sob a beleza estampada
e engulo as lágrimas aos bocados.
Mirem a máscara, vejam seu encanto!
O que a mim só pertence ficará comigo,
nas minhas dobras, no meu recanto,
purgando meus erros no doce abrigo.
Por detrás, inacessível, a minha solidão!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Traição
Amarga minha boca o sabor do pecado
Raspa minha pele, açoite!, vento gelado
Meus passos trôpegos expõem a nudez
Dobro, em curvatura, a pálida cor da tez
Meu âmago carrega, da culpa, as dores
Que ferem meus órgãos em estertores
Finco meus dedos na pele emaciada
Vago em busca de mim, do meu nada.
Arrasto meus temores no pesado fardo
Este que queima; explosão do petardo!
Exponho a traição no andar descalço
No pó que me envolve os pés. Percalço!
Raspa minha pele, açoite!, vento gelado
Meus passos trôpegos expõem a nudez
Dobro, em curvatura, a pálida cor da tez
Meu âmago carrega, da culpa, as dores
Que ferem meus órgãos em estertores
Finco meus dedos na pele emaciada
Vago em busca de mim, do meu nada.
Arrasto meus temores no pesado fardo
Este que queima; explosão do petardo!
Exponho a traição no andar descalço
No pó que me envolve os pés. Percalço!
domingo, 14 de dezembro de 2008
Rubros lábios
Escapam, desses rubros lábios, sussurros doridos,
contidos sons, que se espalham em sinuosas ondas.
Cicios inaudíveis que transpiram, nos seus ruídos,
sorriso carmim, misterioso, intrigante. Gioconda!
Há trêmulos lábios pálidos, sob vermelho-sangue.
Neles se escondem as trevas da negra vicissitude
dos muitos atos que, intensos, a deixaram exangue!
Recusas aos gritos de amor. Nada há que mude...
Há um silêncio branco que se entremeia nos sussurros,
carregando nas entranhas, nos muitos espaços, certa dor
que a boca entreaberta, fria, consegue conter os urros.
Murchos, pálidos, seus lábios não conteriam o clamor.
contidos sons, que se espalham em sinuosas ondas.
Cicios inaudíveis que transpiram, nos seus ruídos,
sorriso carmim, misterioso, intrigante. Gioconda!
Há trêmulos lábios pálidos, sob vermelho-sangue.
Neles se escondem as trevas da negra vicissitude
dos muitos atos que, intensos, a deixaram exangue!
Recusas aos gritos de amor. Nada há que mude...
Há um silêncio branco que se entremeia nos sussurros,
carregando nas entranhas, nos muitos espaços, certa dor
que a boca entreaberta, fria, consegue conter os urros.
Murchos, pálidos, seus lábios não conteriam o clamor.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Longa espera
Começo o lento despir pelas contas
à espera do teu cheiro que, em monta,
há de vir, inebriante, ao meu espaço,
invadir os poros, no toque do abraço.
Tu te demoras assim, pois tens medo
d´eu , no vagar de meus longos dedos,
não me apronte para ti em pêlo e pele
e que minha nudez a ti não se revele...
Lento e calmo movimento, sem frenesi,
alonga o prazer da minha entrega a ti
À cada pedaço deste tecido arrancado
vem o tremor do corpo, rumo ao pecado.
Seremos um só na inevitável união
e as contas, uma a uma, cada porção,
será do gozo testemunha, no reflexo
do ato amoroso e nossos muitos nexos.
E os brilhos cantarão o amor...
à espera do teu cheiro que, em monta,
há de vir, inebriante, ao meu espaço,
invadir os poros, no toque do abraço.
Tu te demoras assim, pois tens medo
d´eu , no vagar de meus longos dedos,
não me apronte para ti em pêlo e pele
e que minha nudez a ti não se revele...
Lento e calmo movimento, sem frenesi,
alonga o prazer da minha entrega a ti
À cada pedaço deste tecido arrancado
vem o tremor do corpo, rumo ao pecado.
Seremos um só na inevitável união
e as contas, uma a uma, cada porção,
será do gozo testemunha, no reflexo
do ato amoroso e nossos muitos nexos.
E os brilhos cantarão o amor...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Constatação
A gota de lágrima guarda a saudade
A saudade guarda tua imagem nua
Tua imagem guarda a torta verdade
Verdade que guarda a si, nua e crua.
Nua e crua é a verdade que me dobra
E a curva faz do meu corpo u´a forma
Forma defeituosa, torta, tal qual cobra
Ofídio gordo de veneno que transforma
Transforma cada gota do veneno em sal
Sal que guarda o líquido da saudade
Saudade incolor que embute, tal e qual,
Nudez da imagem espelhada na verdade.
A saudade guarda tua imagem nua
Tua imagem guarda a torta verdade
Verdade que guarda a si, nua e crua.
Nua e crua é a verdade que me dobra
E a curva faz do meu corpo u´a forma
Forma defeituosa, torta, tal qual cobra
Ofídio gordo de veneno que transforma
Transforma cada gota do veneno em sal
Sal que guarda o líquido da saudade
Saudade incolor que embute, tal e qual,
Nudez da imagem espelhada na verdade.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Onde estarei?
Obscuros pensamentos, incrustados nest´alma,
deixam-na estática e confusa: não me enxergo!
De mim, nos meandros desse ser, não há sinais .
Habito um corpo que não me pertence.
Onde o meu?
Serei o revérbero de outrem que me suga e afugenta?
Um abrigo de alguém? De quem?
Há confusos rabiscos que não me definem.
Não sou esse entrelace de fios enovelados!
Dia a dia, estarei desfiando essa confusa linha
e, então, talvez lá eu me encontre inteira...
deixam-na estática e confusa: não me enxergo!
De mim, nos meandros desse ser, não há sinais .
Habito um corpo que não me pertence.
Onde o meu?
Serei o revérbero de outrem que me suga e afugenta?
Um abrigo de alguém? De quem?
Há confusos rabiscos que não me definem.
Não sou esse entrelace de fios enovelados!
Dia a dia, estarei desfiando essa confusa linha
e, então, talvez lá eu me encontre inteira...
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Espanto!
As luzes que recaem sobre o meu canto
esfacelam-se em miúdos pontos difusos,
que pipocam, em alternância, no manto
que recobre meu corpo curvo e obtuso.
Os pontos vêm de brilhos e são opacos.
Suas formas estranhas são pontiagudas.
Estabelece-se a estranheza! E os cacos,
inda que sombras, me ferem em miúdas
feridas inexistentes, escaras doloridas
que me entontecem e deixam confusa.
Estranho bordado! Figuras, as tecidas
aleatoriamente em mim... E, qual musa
de longínquas estrelas, eu me encaro
múltipla agora, espelhada em cada ponto,
envolta na estranha manta de tons claros.
esfacelam-se em miúdos pontos difusos,
que pipocam, em alternância, no manto
que recobre meu corpo curvo e obtuso.
Os pontos vêm de brilhos e são opacos.
Suas formas estranhas são pontiagudas.
Estabelece-se a estranheza! E os cacos,
inda que sombras, me ferem em miúdas
feridas inexistentes, escaras doloridas
que me entontecem e deixam confusa.
Estranho bordado! Figuras, as tecidas
aleatoriamente em mim... E, qual musa
de longínquas estrelas, eu me encaro
múltipla agora, espelhada em cada ponto,
envolta na estranha manta de tons claros.
sábado, 27 de setembro de 2008
Tramas de um sonho
Engolfam-me as figuras desse sonho
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos
Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolta em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa
E pairo...
Livre, sobre o negro, eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem
curvando o corpo, desfigurada imagem!
Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos
Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolta em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa
E pairo...
Livre, sobre o negro, eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem
curvando o corpo, desfigurada imagem!
Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Prisioneira
Há um ondulado movimento
que me faz ferver por dentro,
que me aprisiona, entontece.
Sou refém dos atos que tece
sua mão, lenta e sem pudor.
Estática, e sem ação que for,
lanço-me à pura languidez,
arrepios que roçam minha tez.
Sou agora a sua prisioneira,
sal que se lança em sua eira.
que me faz ferver por dentro,
que me aprisiona, entontece.
Sou refém dos atos que tece
sua mão, lenta e sem pudor.
Estática, e sem ação que for,
lanço-me à pura languidez,
arrepios que roçam minha tez.
Sou agora a sua prisioneira,
sal que se lança em sua eira.
sábado, 6 de setembro de 2008
GOTA
Chora gota, chora!
Pinga devagar tua sinfonia.
Deixe que, na lenta cadência,
tu chegues lá, bem no fundo,
às enroscadas tranças da flor...
Umedeça-as com tua canção
e deixe que teu carinho suba
lentamente, amorosamente,
às pétalas ressequidas
que, na ânsia incontida,
clamam por ti, em suspiros!
Devolva-lhes o carmim fugidio.
Receberás o beijo vermelho
que escorrerá em perfumes...
Pinga devagar tua sinfonia.
Deixe que, na lenta cadência,
tu chegues lá, bem no fundo,
às enroscadas tranças da flor...
Umedeça-as com tua canção
e deixe que teu carinho suba
lentamente, amorosamente,
às pétalas ressequidas
que, na ânsia incontida,
clamam por ti, em suspiros!
Devolva-lhes o carmim fugidio.
Receberás o beijo vermelho
que escorrerá em perfumes...
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Abandono
A luz morna do sol adormece a cidade.
Ruas estreitas e nuas circunscrevem os traçados.
Cada cubículo nos fala de idos fatos.
Desenha-se um deserto de linhas verticais;
linhas enegrecidas pelo abandono fugidio.
As pedras gastas arranham os pés;
pés dos que se atrevem à violação.
Cada pedaço delas esconde vagares
dos que arrastavam seus fardos nas costas,
e se afugentaram em espaços longínquos.
Não há gente! Fatos grudados, quais cracas,
nas protuberâncias e reentrâncias das pedras,
nos dizem de segredos que não podemos alcançar.
Sons ocos de falas inexistentes ressoam surdos.
Já o sol se nega à luz! Põe-se de mansinho...
A lua oculta se recusa ao prateado.
E a escuridão enlaça o passado!
Chora a rosa rubra e vela o abandono
Ruas estreitas e nuas circunscrevem os traçados.
Cada cubículo nos fala de idos fatos.
Desenha-se um deserto de linhas verticais;
linhas enegrecidas pelo abandono fugidio.
As pedras gastas arranham os pés;
pés dos que se atrevem à violação.
Cada pedaço delas esconde vagares
dos que arrastavam seus fardos nas costas,
e se afugentaram em espaços longínquos.
Não há gente! Fatos grudados, quais cracas,
nas protuberâncias e reentrâncias das pedras,
nos dizem de segredos que não podemos alcançar.
Sons ocos de falas inexistentes ressoam surdos.
Já o sol se nega à luz! Põe-se de mansinho...
A lua oculta se recusa ao prateado.
E a escuridão enlaça o passado!
Chora a rosa rubra e vela o abandono
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Meus trinados
Cortam os céus a voz que a ti esmaga.
Leva, nos tons, grilhões, (a tua paga!),
que hão de te ferir, abrir em ti chagas,
as mesmas que sulcaste em meu peito;
as que meu corpo exangue diz do feito
que me pôs de joelhos neste leito.
Qual flecha pontiaguda, meus trinados
levarão aos teus ouvidos os recados
que guardo na garganta engasgados.
E, tal qual pomba livre, seguirei
flanando sobre ti, ditando a lei
que irá te dobrar na nova grei.
Leva, nos tons, grilhões, (a tua paga!),
que hão de te ferir, abrir em ti chagas,
as mesmas que sulcaste em meu peito;
as que meu corpo exangue diz do feito
que me pôs de joelhos neste leito.
Qual flecha pontiaguda, meus trinados
levarão aos teus ouvidos os recados
que guardo na garganta engasgados.
E, tal qual pomba livre, seguirei
flanando sobre ti, ditando a lei
que irá te dobrar na nova grei.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Tramas de um sonho
Engolfam-me as figuras desse sonho
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos
Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolta em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa
E pairo...
Livre, sobre o negro eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem
curvando o corpo, desfigurada imagem!
Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!
onde, na sua negritude, eu me ponho
em seus estranhos, ovais receptáculos
envolta em longos, floridos tentáculos
Minhas rezas eu as digo qual um feto
envolta em ramas verdes de um abeto
na ânsia da casca dura que se rompa
me liberte branca, em luzes de pompa
E pairo...
Livre, sobre o negro eu reino soberana,
olhando, de cima, cacos da casca tirana
que me aprisionava em sua embalagem
curvando o corpo, desfigurada imagem!
Venci o que me sufocava, as ramas
urdidas sobre meu leito, em dramas
que o inconsciente me lançava duro,
sem pejo, nas tramóias do lado escuro!
terça-feira, 1 de julho de 2008
A travessia
Os galhos se entrelaçam na figura
abstrata e solene que risca o céu.
Despencam fortes águas na secura
da terra, a que d´antes tão cruel!
A fonte inesgotável, grossos pingos,
ensopa, do caboclo, seu corcel
que agora, vagaroso, enfrenta dingos,
as feras que, já famintas, vão à caça.
O lúgubre caminho enlameado
estranhas novas rotas risca e traça.
Do raio, no anúncio, e atrasado,
trovão, em sua potência, arrepia.
Caboclo encolhido, ensopado.
Cenário se completa: travessia!
abstrata e solene que risca o céu.
Despencam fortes águas na secura
da terra, a que d´antes tão cruel!
A fonte inesgotável, grossos pingos,
ensopa, do caboclo, seu corcel
que agora, vagaroso, enfrenta dingos,
as feras que, já famintas, vão à caça.
O lúgubre caminho enlameado
estranhas novas rotas risca e traça.
Do raio, no anúncio, e atrasado,
trovão, em sua potência, arrepia.
Caboclo encolhido, ensopado.
Cenário se completa: travessia!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Impenetrável rocha
Sou a impenetrável rocha!
Diamante, brilhos de cristal.
Cintilantes faixas, em tocha,
saem de mim; o amargo sal!
Não me esfacelo em partes.
Indestrutível, dura, lisa face,
meu burilar requer as artes
de um escultor, seus enlaces
Mergulhar em meus veios,
onde corre o liquido doce,
vasculhar-me os entremeios,
tentar o que quer que fosse,
requer suave tática, ciência.
Pois na minha dura solidez,
inda que ágeis,em dormência,
tuas mãos persistam...talvez...
Diamante, brilhos de cristal.
Cintilantes faixas, em tocha,
saem de mim; o amargo sal!
Não me esfacelo em partes.
Indestrutível, dura, lisa face,
meu burilar requer as artes
de um escultor, seus enlaces
Mergulhar em meus veios,
onde corre o liquido doce,
vasculhar-me os entremeios,
tentar o que quer que fosse,
requer suave tática, ciência.
Pois na minha dura solidez,
inda que ágeis,em dormência,
tuas mãos persistam...talvez...
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Fuga
Arranca de ti a ensopada tira que te venda os olhos.
Que a ti, a realidade se apresente em suas escuras cores
e te abrace com seus tentáculos rugosos e toscos.
Teus olhos se recusam às salgadas gotas reprimidas
e elas retornam pra ti, ensopando teus órgãos e veias.
Teu sangue manchado descora o rubro dos vasos.
Vagas, cega, por desérticas ruas, calcando pedras;
e tua queda eminente te trará feridas.
E as cicatrizes, cada uma delas,
te dirá da tua covardia e destempero.
Não haverá fuga que te proteja dos riscos permanentes!
Que a ti, a realidade se apresente em suas escuras cores
e te abrace com seus tentáculos rugosos e toscos.
Teus olhos se recusam às salgadas gotas reprimidas
e elas retornam pra ti, ensopando teus órgãos e veias.
Teu sangue manchado descora o rubro dos vasos.
Vagas, cega, por desérticas ruas, calcando pedras;
e tua queda eminente te trará feridas.
E as cicatrizes, cada uma delas,
te dirá da tua covardia e destempero.
Não haverá fuga que te proteja dos riscos permanentes!
terça-feira, 29 de abril de 2008
Acordes
Acordes, em sons que nos atingem o peito,
calcando emoções que dormitam hibernadas,
quebram o gelo, que se derrete pelos olhos
numa explosão incolor que ensopa a face.
Dos paralelos fios, em curvas descendentes,
ágeis e finos dedos, num vai e vem calculado,
retiram das cordas o belo que lhes é possível...
O rubro que colore os emocionados rostos,
os que compartilham da quebra do silêncio,
tinge, alhures, o espaço antes pálido e seco,
envolvendo-o num abraço curvo e intenso!
Acordes se espalham por todo o entorno,
com envolventes e ternos ecos furta-cores.
calcando emoções que dormitam hibernadas,
quebram o gelo, que se derrete pelos olhos
numa explosão incolor que ensopa a face.
Dos paralelos fios, em curvas descendentes,
ágeis e finos dedos, num vai e vem calculado,
retiram das cordas o belo que lhes é possível...
O rubro que colore os emocionados rostos,
os que compartilham da quebra do silêncio,
tinge, alhures, o espaço antes pálido e seco,
envolvendo-o num abraço curvo e intenso!
Acordes se espalham por todo o entorno,
com envolventes e ternos ecos furta-cores.
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