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terça-feira, 30 de outubro de 2007

AMARGANDO DECEPÇÕES.

Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas. A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado.



Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize.
Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações. Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.


Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco. Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.


A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial. Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.


O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.
Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem.



Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir. Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho.


Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam. Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.


Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.

Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais. Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos
detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

ALGO MAIS

Um crente sincero na bondade de Deus, desejando aprender como colaborar na
construção do reino de Deus, certo dia pediu ao Senhor a permissão para
compreender os propósitos divinos e saiu a campo.
De início, encontrou-se com o vento que cantava e o vento lhe disse: Deus
mandou que eu ajudasse as sementeiras e varresse os caminhos, mas eu gosto
também de cantar, embalando os doentes e as criancinhas.
Em seguida, o devoto surpreendeu uma flor que inundava o ar de perfume, e a
flor lhe contou: minha missão é preparar o fruto; entretanto, produzo também
o aroma que perfuma até mesmo os lugares mais impuros.
Logo após, o homem parou ao pé de grande árvore que protegia um poço de
água, cheio de rãs, e a árvore lhe contou: confiou-me o Senhor a tarefa de
auxiliar o homem; contudo, creio que devo amparar igualmente as fontes, os
pássaros e os animais.
O visitante olhou os feios batráquios e fez um gesto de repulsa, mas a
árvore continuou: estas rãs são boas amigas. Hoje posso ajudá-las, mas
depois serei ajudada por elas, na defesa de minhas próprias raízes contra os
vermes da destruição e da morte.
O aprendiz compreendeu o ensinamento e seguiu adiante, chegando numa grande cerâmica.
Acariciou o barro que estava sobre a mesa e o barro lhe disse: meu trabalho
é o de garantir o solo firme, mas obedeço ao oleiro e procuro ajudar na
residência do homem, dando forma a tijolos, telhas e vasos.
Então, o devoto regressou ao lar e compreendeu que para servir na edificação
do reino de Deus é preciso ajudar aos outros, sempre mais, e realizar cada
dia algo a mais.
***
Temos que convir que, se cada um fizesse somente a sua obrigação, a
humanidade não teria saído das cavernas.
O progresso só se realiza porque há pessoas que fazem algo mais que sua
obrigação pura e simples.
O esforço que cada criatura faz em prol do bem comum, é o que propicia a
realização das conquistas maiores.
Se os homens de gênio tivessem apenas cumprido seu tempo justo de trabalho,
não desfrutaríamos hoje das grandes descobertas.
Se Pasteur, Tomas Edison, Pierre e Marie Curie, Grahan Bell, e outros tantos
cientistas não tivessem feito algo mais que a sua obrigação, a humanidade
não teria atingido tamanho progresso.
Nós, por nossa vez, também podemos e devemos fazer algo a mais para
conquistar uma sociedade justa e feliz.
Além das oito horas diárias de trabalho, podemos dedicar alguns minutos para
tirar alguém do analfabetismo.
Para ensinar um serviçal a utilizar corretamente os produtos e equipamentos
de trabalho.
Para socorrer um ancião desvalido, uma criança desamparada, um animal
ferido, um enfermo sem esperanças.
Aprendamos, com o devoto da fábula, que para a construção de um reino feliz,
Deus
espera que cada um de nós façamos algo a mais.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

AJUDA E SOCORRO

Certa feita, um nobre facultativo baiano pediu a um motorista que o levasse urgente para atender a um paciente em determinado bairro da cidade.
O motorista lhe respondeu que não podia, que iria se deitar, pois já era tarde.
O médico insistiu, dizendo que precisava atender a um chamado urgente...
O motorista respondeu insatisfeito:
Estou cansado! Vire-se por aí. O que não falta são veículos....
O doutor insistiu um tanto mais.
Mas é tarde. Estamos perdendo tempo enquanto uma vida se vai diluindo. Seja rápido, leve-me por favor...
Irritado o motorista arrancou o carro e saiu resmungando:
Ora essa. Era só o que me faltava aparecer. Não levo ninguém. Vou é dormir.
Chegando à casa que estava em alaridos e expectativas, o motorista,
mal-humorado, defrontou com o filhinho de cinco anos em lamentável convulsão, semi-asfixiado.
Sem saber o que fazer, propôs colocá-lo no veículo ara conduzi-lo ao pronto socorro, quando outro carro estacionou à porta e um médico saltou apressado.
O médico examinou o caso e identificou o "grande mal asmático". Aplicou imediatamente uma adrenalina no pequeno, ensejando reação orgânica que lhe
permitia conduzir o paciente ao hospital com possibilidades de salvação.
O motorista olhou o venerável senhor e baixou os olhos, envergonhado. Era o médico que ele se negara a trazer há pouco.
O paciente a quem o médico precisava atender com urgência, era seu próprio filho.
Tantas vezes nos negamos a atender a um pedido que nos é feito porque achamos que não tem nada a ver conosco.
Esquecemos a recomendação de Jesus de fazermos aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem.
Diz-nos o bom senso, que devemos fazer o bem sem olhar a quem, e para que o paticarmos uma única condição é necessária: a de que alguém precise do nosso auxílio.
Não importa quem seja. Que religião professe. A que nível social pertença.
Nada disso importa se levarmos em conta que somos todos filhos do mesmo pai, do criador do universo que a todos nos colocou no mundo para que nos ajudemos mutuamente.
Costumamos dizer com freqüência: "que Deus te ajude!"
E temos também que nos perguntar:
Como é que Deus vai ajudar as pessoas, senão através das próprias pessoas?
É importante que pensemos nisso. Deus conta conosco, e cada vez que alguém precisar de ajuda, questionemo-nos: e se fosse um ente muito caro ao meu coração?
Como é que eu gostaria que o tratassem?
Agindo assim jamais nos arrependeremos e certamente estaremos construindo um mundo bem melhor para todos nós.
***
Controla a má vontade e vence as qualidades inferiores.
O que negas a alguém te fará falta, agora ou depois.
Reflexiona, portando, vigilante, antes de reagir.