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quinta-feira, 10 de junho de 2010

CONTRIÇÃO

Rosários de palavras...

É isto o que eu procuro!

Enfiadas de versos

a demonstrar contrição.



Este é o meu confessionário,

e a cada metáfora uma transgressão,

e a cada poema uma penitência,

e haja pecado!



E aí...

Começar tudo outra vez.



No altar, meus santos,

não conseguem esconder

a contrariedade.



Às vezes até eu fico envergonhado!

A carne ainda é fraca,

a sede também.



Uma heresia aqui,

uma escorregada ali,

uma tentação acolá.

E haja poemas!



O padre disse

que o significado dos meus versos,

é o da busca pelo perdão.



Coleciono rosários,

palavras, poemas, pecados,

penitências, permissividade,

absolvições.



Vida de poeta

que gosta de caminhar

por entre escombros.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O HOMEM QUE OBSERVAVA O HORIZONTE

O homem que observava o horizonte
trazia consigo um sorriso,
meio assim sem juízo,
dizia ser apadrinhado dos ventos
e que ao amanhecer gostava
de caminhar pelas margens de um rio,
e de conversar com as águas que iam
desaguar nos intestinos daquela cidade.

O homem que observava o horizonte
cantava o canto dos pássaros,
que de tão assemelhado se dizia
que ele voava e ninguém via,
juravam até terem lhe visto as penas
que ao anoitecer brilhavam,
quando a lua surgia do ventre
de um vale que por lá existia.

O homem que observava o horizonte
quando a noite ia alta,
sossegava no canto de uma tapera
lá pras bandas da cidade velha,
e então cantava o canto dos loucos
que diziam morrer de saudades,
e ensinava a escrever poesia
nas pedras que por lá existiam...
Cantos de amor e de dor.

domingo, 22 de novembro de 2009

ALGUMAS PALAVRAS

Algumas palavras
às vezes escorrem
liquefeitas, ardidas,
e deixam sulcos no rosto,
de tão ácidas que são.

A palavra perda
costuma causar muito estrago,
ainda mais, quando vem
acompanhada da palavra saudade,
que é outra que arde
e não nos mostra compaixão.

Lágrimas doloridas, pesadas,
costumeiramente utilizadas
na forja de versos poemas,
mas que ainda assim vivem
a maltratar nossos corações.

Lágrimas?
Não há como impedi-las!
Melhor, então, tentar escrevê-las...
Talvez com o tempo se acostumem
a brotar de nossas mãos.

TERRA DESERTA

Terra deserta de sonhos

não se presta ao cultivo de gente,

e as coisas que ali acontecem

alimentam sentimentos estranhos.



Por lá não florescem gerânios,

samambaias desmaiadas padecem,

azaléias ressequidas não crescem,

e o que nos resta é semear desenganos.



Em terra deserta de sonhos,

o canto dos pássaros destoa,

as horas de tão lentas enjoam,

e o dia nunca amanhece.



Vidas desertas de sonhos

não se prestam ao cultivo de homens,

que por dias, meses e anos,

aprisionados às sombras não crescem.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CERTAS PALAVRAS

Certas palavras são como água,

por mais que irriguem poemas,

com o tempo transbordam

e vão dar luz a outros significados.



Outras são como teias,

assim, ramificadas

se prestam a muitos caminhos,

imagens, metáforas, rotas de escape.



Há aquelas que mais parecem poeira,

infiltradas entre dobras aparentes,

contam histórias diferentes...

Toda a vez que uso uma,

não sei bem onde vai dar.



Há também palavras de natureza pedra.

É preciso lapidá-las para que possam

quando banhadas pela luz do poema,

brilhar assim como brilham raras gemas.



Especiais são aquelas de natureza essência.

Toda a vez que toco nelas

brota um cheiro de alfazema,

colibris voam em meu quarto,

e eu me lembro de nós dois.



Palavras que não nos pertencem,

licença dada para se cometer sacrilégio,

chaves que libertam da mente o demente,

lâmina afiada a sangrar possibilidades,

colheita que o poeta só fará muito tempo depois.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

OLHOS DE COLHER HORIZONTES

Alongar olhos de colher horizontes

é porta aberta para o milagre

de conseguir gerar energias

nos pequenos gestos de delicadeza,

na certeza de perceber o significado

da luz do sol de um novo dia,

do riso aberto da criança inocente,

da brisa macia de um fim de tarde,

da magia de uma lua cheia e exibida,

das madrugadas molhadas de orvalho,

das águas do mar esculpindo o rochedo,

da chuva fina a lavar os meus medos,

do braço do amigo que existe ao meu lado,

da carícia da mulher amada,

da passarada que invadiu minha sala

e eu não tenho coragem de espantar,

do trigo florescendo nos campos,

das lágrimas que choramos sensíveis

pela emoção que hoje temos possível,

dos colibris que moram em meu jardim,

das palavras que eu colho e guardo,

do verbo que eu chamo Sagrado,

do coração que suaviza a razão,

dos anjos que eu preservo em meu peito,

apesar da morte que espreita em meu leito,

pois a cada poema que eu planto

mais acredito na existência de Deus.

terça-feira, 17 de março de 2009

ESTA LÁGRIMA

Esta lágrima arredia

que por mais que o tempo passe

não se permite o abismo,

prisioneira do segredo,

cristalizada em meus medos,

não revela sua origem

e sequer a que veio.



Esta lágrima estranha,

entalada no canto do olho esquerdo,

não me permite o sossego,

vive da minha inquietude

e fez do poeta um louco,

que de tropeço em tropeço

cresceu além de si mesmo.



Esta lágrima solitária,

maldita benção dos deuses,

recusou revelar-se em versos,

envolveu o poeta em teias,

e fez dele um homem mais forte,

capaz de resistir ao veneno

e a sobreviver a dor de não ser.



Esta lágrima que eu tenho,

incapaz de ser água que role

pela face de um homem que colhe

tantas outras lágrimas que choram

na forma de palavras sementes,

é a magia que eu trago latente,

poema que eu não saberia escrever.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

ESTE SONHO POEMA

Esta consistência pedra
traz o limo impregnado
e o relevo inesperado,
traz arestas esculpidas,
armadilhas desta vida.

Esta pele tecido
traz bordados, tatuagens,
vestimenta de coragem,
armadura já cerzida,
cicatriz em carne viva.

Este sangue viscoso
derramado no assoalho,
traz fuligem, traz ferrugem,
traz fumaça de cigarro,
coisa estranha e corrosiva.

Este silêncio nervoso,
esconde estragos, desencantos,
mas traz desmanche de feitiço
conjurado noite e dia,
ainda guardo as feridas.

Este sonho poema,
traça mapas, dá detalhes,
revela a força das palavras
desencravadas feito farpas
e mostra a luz a ser seguida.

sábado, 15 de novembro de 2008

QUANDO ALONGO OLHOS

Quando alongo olhos de horizonte,

percebo a pequenez da palavra pavio,

a complexidade do emaranhado de fios,

a amplitude das coisas sem dono

e a insensatez de vivermos com pressa.



Quando alongo olhos de cidade,

percebo a pequenez da palavra distância,

a complexidade da palavra conversa,

a frustração de acordar de um sonho

e descobrir que somos apenas humanos.



Quando alongo olhos de permanecer,

percebo a pequenez da palavra descrença,

a complexidade do ciclo das águas,

a “infinitude” da palavra caminho,

e reconheço que ainda há muito a aprender.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

VERSO ESMIRRADINHO

Ando sofrendo de verso esmirradinho,

tipo lua minguante, maré vazante na areia,

instante aprisionado entre a noite e o dia,

vontade de não dizer nada, colocar o pé na estrada

e sem adeus viajar pra dentro de mim.



Ando sofrendo das inutilidades,

tipo qualquer coisa que se diga carece de importância,

sensação de vazio, gastura, clausura, estio,

vontade de ficar embrulhado nesta teia de aranha,

até que o veneno inoculado possa dar um fim em mim.



Ando sofrendo de poema morto,

palavras veladas sobre a pedra fria,

velas acesas, lágrimas, muita oração,

e o poeta precisando de cuidados,

parto encruado, prisão de ventre, constipação.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

QUANDO UMA VOZ SE CALA

Quando um poeta se cala,

flores murcham nos jardins,

galhos secos, retorcidos,

não mais voa o colibri,

seu ninho abandonado

já não se presta mais a nada.



Quando um poeta se cala,

amanhece e o sol desanimado

da vez a nuvens escuras,

tormentas no horizonte,

sinal de derrota, loucura,

mordaças permitidas, clausura.



Quando um poeta se cala,

anoitece e a lua surge nublada,

sombria, medrosa, acovardada;

as noites ficam estranhas,

janelas e portas trancadas...

Teias intrincadas tecidas por uma aranha.



Quando um poeta se cala,

livros são queimados nas praças,

pensamentos censurados antes que nasçam,

vira verdade o que antes era mentira,

e transformam em mentira

duras e amargas verdades.



Quando um poeta se cala,

louco tiranos brindam ao desespero,

taças cheias do vinho da insensatez,

e a guerra santa será o único caminho,

infiéis, passaremos pelo fio da espada,

e o poeta que se fez calado não dirá NÃO!?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A DANÇA DO TEMPO

Na dança do tempo, o descompasso das horas,

ainda é noite aqui dentro, amanhece lá fora.

A porta entreaberta denuncia a loucura

o silêncio das coisas aumenta a clausura.

Na dança da vida, o descompasso do tempo,

calmaria aparente, tempestade aqui dentro.

E a insônia insistente não quer ir embora,

coração ainda sangra, vez por outra ainda chora.

Na dança dos versos, poemas que imploram,

nostalgia que eu temo, inquietudes que afloram,

Um sorriso aparente, um café, um cigarro,

uma dúzia de rosas ressecadas num jarro.

Na dança das águas, beija-flor foi pra longe,

voou bem depressa, se escondeu não sei onde.

Agora chove lá fora, secura aqui dentro,

as notícias que guardo são antigas, faz tempo.

Já são quase dez horas e a cidade nublada,

manhã fria de agosto, respiração afrontada.

O poema que nasce não diz o que eu quero,

não sei se desisto, não sei se te espero.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

FUI FEITO PRA CAÇAR RUMO

Fui feito pra acreditar em gnomos,

musas, duendes e bruxos,

iaras, ninfas e feitiços,

daqueles conjurados sem pressa,

com saliva peçonha de sereia,

colhida em noite de lua cheia;

e não há como me tirar deste vício!



Pois na madrugada alquimizo sonhos,

em papel caldeirão sentimentos,

e extraio poderosa palavra

que desfaz olho gordo e quebranto,

e cura espinhela caída,

lumbago e até prisão de ventre.

Só não traz mulher amada de volta,

senão perde a graça o poema,

vira anúncio de jornal.



Fui feito pra caçar rumo,

mas me perco mais que outra coisa...

E toda vez que alguém acha,

nem sei bem porquê:

me perco, de mim, outra vez.



No meu jardim colibri, tinham três,

por conta do carinho, hoje, são seis,

manhã se contar de novo,

tomara que sejam dezesseis!



Fui feito pra acreditar nestas coisas!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

ÀS VEZES

Às vezes é preciso ter coragem

para alimentar um sonho,

acordar pela manhã,

abrir portas e janelas,

andar pelas ruas, dobrar esquinas,

escutar pássaros em festa

e o cochicho das flores que insistem

em afirmar que apesar de estar tudo mudado,

nós ainda permanecemos por aqui.



Às vezes é preciso ter coragem

para realizar um sonho,

dar bom dia a um estranho,

desejar reencontrar o inimigo,

buscar compreender o outro lado,

aparar arestas, estender a mão,

fazer de um sorriso a moeda verdade,

do olho no olho a marca da fraternidade,

reconhecer o próximo como a um irmão.



Às vezes é preciso ter coragem

para permanecer poeta,

caçador de palavras que sonham

e dos significados que elas revelam,

e dar liberdade aos versos que imploram

por poesia visceral e insurreta,

que nos fale de um amanhã sem fronteiras,

de poder semear sem temer tais barreiras,

de frutos colhidos sem pressa,

de mesa farta de vinho e de pão.



Às vezes é preciso ter coragem

para acreditar em Deus!

Apesar da dor de tantos espinhos,

da revolta que atormenta a mente,

da indiferença, do medo e do ódio...

Tantos fardos pesados, nossas escolhas,

e por mais que a vida não nos perdoe,

só em Ti existe o caminho

que irá nos levar a redenção.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

LUA NUBLADA

Lua nublada?
Vez em quando aparece,
quase sempre se esconde.
Madrugada de outono,
onde o silêncio enlouquece
e a cidade não dá conta
de como é feio o abandono.
Ruas desertas, esquinas vazias,
portas e janelas fechadas
e alguns poucos carros
passam e não param.
Ainda existe o orvalho,
tipo lágrima discreta.
Ainda existe a espera,
coisa estranha e inquieta.
Lua nublada?
Já foi cheia e exibida
dentro do meu quarto,
já dançou noites de insônia,
bebeu todo o meu absinto,
fez juras de amor eterno
e depois minguou.
Hoje é só nublada:
vez em quanto aparece,
quase sempre se esconde

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

HEI DE MORRER JOVEM

Hei de morrer jovem,

na flor dos nem sei quanto anos,

com as costas arqueadas

pelo peso de uma vida,

e as pernas enfraquecidas

por trilhas, atalhos, estradas.



Hei de morrer jovem,

na flor dos meus desenganos,

com os olhos, assim, embaçados

por conta do quanto enxerguei

e a pele toda enrugada

pelo muito que semeei.



Hei de morrer certamente,

ainda que permaneçam os espinhos,

pois embora não te pareça,

jovem ainda estarei!

Pois esta foi minha escolha,

meu rito sagrado, minha lei.



Hei de morrer qualquer dia,

antes que seja tarde!

Mas só quando acabarem os poemas,

e tomara Deus que docemente!

Pois por mais que eu tenha pecado,

Ele sabe o quanto eu amei.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O POUCO QUE EU SEI

Sei dos caminhos que nos levam à loucura

e das trilhas, abismos, armadilhas.

Sei do sangue coagulado sobre a ferida

e da dor na cicatriz quando mexida.

Sei do inverno no silêncio do meu quarto,

e das lágrimas, quase sempre não disfarço!

Sei das ruas, vielas, esquinas desertas,

insônia insistente, madrugadas incertas.

Sei do amigo que se recusa ao abraço,

chuva ácida poluindo o riacho.

Sei dos esboços, dos rascunhos, dos sonhos,

projetos engavetados, lado esquerdo, tristonhos.

Sei do livro de contos inacabado,

faz tempo não pego, tenho medo do estrago!

Sei que o tempo tece teias estranhas,

corpo cansado, presa indefesa da aranha!

Sei que amanhã vou acordar setembro,

se me lembro: primavera, flores, temperatura amena!

Sei que no final deste caminho, existe um outro.

Sei da pedra, do limo, das raízes e da solidão.

sábado, 11 de agosto de 2007

INTIMIDADES DE UM POETA

Na beira do abismo a garrafa de conhaque atormenta em minha mente. O cigarro aceso permanece entre os dedos, uma dúzia de rosas, ainda guardo em segredo, a maresia da orla, a ferrugem entre os dedos, um monte de poemas rascunhados na gaveta.

O barulho dos carros, a insônia insistente, madrugada chuvosa. As teclas do piano, ainda gosto de boleros, mas só os cubanos. A reforma da casa continua em meus planos, rasguei tuas cartas, teus retratos, meus sonhos, primavera, novembro, já faz tanto tempo, as notícias nos jornais, a esperança resiste, apesar dos enganos.

Num canto do quarto: samambaia chorona; no outro: renda portuguesa. Na estante da sala: discos e livros, e eu nem tenho mais vitrola, e faz tempo não leio, não escrevo mais poemas, doem muito e ainda sangram. Em cima da mesa solidão e a certeza: já não me resta tanto tempo, e a vontade anda fraca. Minhas pernas, hoje, doem, a glicose anda alta, gravei um CD, o livro está guardado, qualquer dia eu mando, só não sei o endereço.

E no fio da navalha, as artérias entupidas, coração anda espremido pela tal da nostalgia, a pele ressecada pelo tempo de espera, e esse trem que não chega, anda sempre atrasado. As malas já estão prontas, vou levando um agasalho, vai que lá faz frio!

Estou deixando este bilhete, quarta gaveta, lado esquerdo da cômoda, aquela do quarto! Estou deixando também minha saudade, só serviu para manter aberta a ferida, inspiração para um monte de bobagens, intimidades de um poeta, que eu nem sei se vão te interessar.

Beijos Molhados

Beijos molhados, lambuzados de orvalho,
minhas mãos em seus seios,
minhas pernas entrelaçadas,
com suas pernas embaralhadas.
A respiração ofegante,
o gosto de vinho, tinto e rascante,
janelas abertas, é tão doce o pecado.

Rasgar sua blusa, libertar os seus seios,
o seu ventre suado é chama que aquece.
O seu cheiro, o seu cheiro...
Embriaga e enlouquece.
A lua enxerida espiona, é claro!

Abafar seus gemidos, ocupar os espaços,
olhar em seus olhos, perceber o delírio,
perceber as narinas dilatadas, desejos...
Deixar gravado em seu corpo
minhas marcas, meu nome;
nos seus ouvidos, segredos,
coisas bem indecentes.

Uma parte de você diz não!
Mas a outra se entrega, não nega
que gosta de me sentir abusado
por todos os cantos e lados.
Pois sou o veneno que alimenta o seu corpo,
pois sou eu quem sacia a sua inquietude tamanha,
só assim você sossega, adormece e sonha.

AO PASSEAR POR SUA PELE

Ao passear por sua pele
eu descubro quase tudo;
marcas, sardas, cicatrizes,
fendas, dobras, diretrizes,
essências que brotam impunemente,
néctar envenenado de serpente,
suor, saliva e aguardente.
Se não é, parece!
Pois toda a vez que eu percebo,
já nem sei das minhas pernas,
embriagado que estou.

Ao passear por sua pele,
deixo marcas preciosas,
abro todas as janelas,
escancaro minhas portas,
escorrego, não importa!
se num recanto obscuro
eu me lambuzo do seu ser.

Ao passear por sua pele
eu me envolvo em suas teias
e absorvo tantas chamas,
colho gemidos quase loucos,
se não morri ainda, foi por pouco!
E então escrevo o absurdo,
poemas plenos e obscenos,
choro lágrimas convulsivas,
ferida aberta, carne viva...
Detesto a hora da partida,
pois toda vez que amanhece,
vou pra bem longe de você.