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quinta-feira, 31 de março de 2011

Minutos

O tempo é estreito
e me separa dela,
o tempo é espelho
que reflete a minha volta.


O mundo corre a minutos,
a vida em camadas
de segundo
e eu vivo outra vida,
entre o sonho, o sim
e todos os outros pecados.


Amo por horas,
enquanto ela me faz mundo
girando louco seu corpo,
mudando disfarces,
caminhando lençóis
por entre pernas.


O momento eterniza
e inferniza as horas que param,
se ela não vem
o minuto quebra,
eu a espero, e, espero mais...


O mundo é estreito e louco,
de dois minutos em dois minutos
são anos sem amor,
todo o tempo é feliz
se um segundo sobre sua pele.


O relógio corre minutos
e depois disso, te amo,
horas a fio permanente,
nem eu e nem ela,
nem o destino sabe ler esse tempo.

Vida e destino

A vida lê o que está no destino de cada um,
existe um livro que não alcançamos,
lá está nosso sempre e o para sempre,
nunca e ninguém pode virar suas páginas.


Letras grandes são rascunhos do dia a dia,
a felicidade anda no rodapé em letras pequenas,
os sonhos, os milagres, são apenas pensamentos
que inventamos e douramos com falso ouro.


Somos eternos depois da carne, e, o escrito continua,
páginas e páginas trazem surpresas e decepções,
um dia as horas acabam e o ‘para sempre’ é adiado,
o céu pode não chegar nunca e nem depois.


Enquanto na carne, leia as esperanças para sua a vida,
disfarça o tempo e alivia suas penas, ore, faz amor,
sua existência está resumida a uma linha pontilhada
e a esperança eterna presa a um grande ponto final.

Menina-mulher

O amor quando chega atenta,
compra, vende, aluga,
faz a mentira ser verdade,
a lua muda de rua e ela a idade.


A menina se apaixona e vai,
muda de roupa pra ficar nua,
passa cor nos olhos, na boca,
acredita nas juras pra ficar sua.


O mundo gira só pra ela,
quando garota vira mulher,
o presente não lhe interessa
se não adivinha o que ela quer.


É o diabo quando vira os olhos,
deixa o corpo atentado,
o vestido nem sabe onde joga,
louca pra cometer pecado.

Quadro de mulher

Rabisco linhas, um coração exposto, um amor,
é uma mulher apaixonada, com olhos de sol,
sua quentura vem da alma, o sorriso dos céus,
mesmo chorosa é linda, mostra-se sedenta.



Desenho seu corpo na cama entre lençóis,
aprendendo amar, ensina a fazer amor,
sua cor e o gosto da pele têm sabor de desejo,
um toque a desperta, aguça sua fome e ataca.



Lambuzo de cores suas formas arredondadas,
tinjo seus sonhos com nuances do arco-íris,
como um entardecer, vibro em linhas horizontais,
te dou vida nos traços, na paixão... no prazer.



O rosto reflete a calma tranqüila depois do gozo,
deixei marcas avermelhadas em seu colo,
como ficou depois que fizemos amor,
um pequeno sorriso aparece, estou feliz.



A tinta secou, os sentimentos deixei à mostra,
no seu corpo ficou explícita a minha paixão,
em um quadro desenhei um rosto e um corpo,
para descrever em todas as cores o meu amor.

Ser mulher

Ser mulher...
Não é só chegar ao mundo
pensando que é a maioral,
ser dependente do homem,
andar cheirosinha e dizer:
'' meu bem'' isto, '' meu bem'' aquilo.


Ser mulher...
não dói, mas sangra todos os meses,
ela tem que estar sempre pronta,
mesmo contorcendo de cólicas,
com a pele limpinha depois de fritar batatas
e ainda ter braços suficientes
para agasalhar seu batalhão doméstico.


Ser mulher...
é educar com o coração, os grandes e os pequenos,
dar verniz em tudo para parecer novo,
às vezes, se sentir como móvel velho
esquecido no canto,
ainda assim receber seu homem com um beijo.


Ser mulher...
é amamentar, no mínimo, 6 meses depois do parto,
passar a noite ao lado da cama e não em cima,
é não precisar de termômetro para ver a febre,
saber quando estamos com fome ou com sede,
é fazer da natureza sua aliada
e nunca desafiar a sua força.


Ser mulher...
é lembrar a todos de todos os compromissos
e não lembrar se almoçou,
é chorar sozinha sem saber a razão,
mesmo que a cor do cabelo tenha lhe ficado bem,
é tomar muitos banhos para trocar o cheiro do perfume
e ainda usar aquele salto 12 com dois números menor.


Ser mulher...
é esperar aquela ligação que nunca vem,
também dizer ''boa sorte'' quando acaba a relação
e depois, sozinha, derramar tudo no travesseiro;
é não ter limites nem hora para nada,
mesmo que digam não, ela entende sim e pode tudo,
para depois se sentir abandonada
e a mulher mais sem afeto do planeta.


Ser mulher...
é caminhar suave sobre meu peito,
é entrar devagar na minh'alma,
atravessando de um lado para outro,
fazendo carinhos,
é se fazer de criança na hora do dengo
e nunca ouvir o que não interessa,
ser mulher, acho que é assim,
um ''ser'' mulher é um ''ser'' de amor.

terça-feira, 29 de março de 2011

Minha morte de amor

Morro um pedaço a cada dia que amanhece,
quisera saber mais dos meus amanhãs,
saber de alguém que escreveu
em meus olhos o caminho que sigo,
as imagens daquele meu futuro próximo.


Morro um pedaço a cada noite solitária,
meus sonhos descansam depois das seis,
tenho palavras, mas não sei dizê-las
ou a quem perguntar sobre esse escuro
e um painel negro pendurado no teto do quarto
onde somente meus olhos alcançam sua imagem.


Morro a cada madrugada que o sono não vem,
meus lábios estão secos, os sabores exalaram,
penso em voltar, mas não sei nenhum caminho,
apenas sei negar minha morte aos deuses,
cada uma que toca meu coração, digo não,
não tenho muita coisa para contar sobre ela.


Morro cada vez que revejo o retrato, ela partiu
e nunca mais voltei ao seu pensamento,
não sei como falar deste amor que me mata
todos os segundos que respiro da sua lembrança,
esta é a razão das minhas mortes todas,
todos amores em um e eu morto de amor por ela.

Eu, apenas um tolo

Não sei o que procuro nos meus outros amanhãs,
meu hoje é sempre igual e diferente do ontem,
procuro paz em todas as vidas que já tive,
não quero apenas viver, preciso ser mais,
conhecer melhor, crescer melhor, renascer melhor.


Mas às vezes pareço me ignorar, me perco,
caminho ruas do passado e não me encontro,
preciso me olhar menos, sem machucar,
ir pra valer atrás dos meus sonhos, sem correr,
deixar as portas abertas o tempo todo de liberdade.


Se a vida e um presente, devo abrir, tirar proveito,
parar de assinar cheques, quebrar os cartões,
sentir o gosto do mundo, perfumar de outros corpos,
saborear de outros sexos, gozar cada pedaço deste
presente que ainda não sei como abrir o pacote.


Não posso e nem quero ser prisioneiro desta solidão,
tem dias que sinto estar perdendo pedaços de mim,
não sei jurar, mas prometo mudar e não ficar tão só,
quantas vezes tentei me ligar a outros, mas quem são?
Sou um tolo que não acredita em sonhos, não acreditava!


No meu hoje não estou só, nem preso a minha solidão,
juntei meus cacos e joguei na lixeira da vida,
pedaços de mim voaram até um céu e trouxe amor,
agora tudo faz sentido, sei quem sou, talvez até mais,
aquele tolo hoje acredita em mudanças e em sonhos.

Ser mulher

Ser mulher...
é não ser só de aparências...

é ter momentos tristes e felizes...

é saber da vida de todos os seus...

é se atrapalhar vez ou outra com uma cantada...

é dar carinho gratuito na hora certa...

é fazer amor com amor... ser cúmplice...

é ter fome de vida... de paixão... cheia de tesão...

é sair de dentro de si e entrar no outro...

é esquecer teu coração pra cuidar do amado...

é tomar a frente pra fazer amor... inventar...

é ser ousada... abusada... desavergonhada...

é pedir um carinho quando triste...

é ser a amigona nas horas das incertezas...

é fazer de todos os momentos uma parceria...

é ter coragem pra chegar dizendo te amo...

é ter sempre uma saída sem se mostrar frágil... indefesa...

é sofrer sem saber...

é chorar sem razão...

é demonstrar toda emoção...

é ser adolescente... garota... mulher...

é ser a amante... a desejada... a vadia... a santa...

é ser do teu homem...

é ser apenas você mesma...

é ser simples... simplesmente mulher.

Fêmea e mulher

Te quero mulher,

no seu tempo,

nem santa,

nem prostituta,

apenas mais...

amiga,

simples,

fêmea,

só a pura amante,

despretensiosa,

a que chora

e que ri,

a do simples gozo

ou a do prazer total,

mas minha,

só mulher,

te quero íntegra,

que explode de paixão,

mas tenha vida

e fale os sentimentos,

que urre de tesão

e chore por amor,

que sorria no desespero,

nunca em rascunho escreva,

seja sempre a original,

sem cópia,

me jogue na sua vida,

que ame

ou só que te ame,

mas nunca deixe de ser...

fêmea... e mulher minha.

Você mulher

Estou escrevendo para você,

mais uma vez tenho que te dizer,

tenho saudades de nossas noites,

daquela parceria,

ainda sonho... sabia?

Você me ensinou a ser feliz,

foi assim um dia.





Foi em todas as noites,

em todos os momentos,

sei que foi aqui,

acreditei no seu sol,

descobri a lua,

entrei pelas estrelas,

a luz quase me cegou,

foi assim que aprendi a escrever o amor.





Foi você sim,

me mostrou muitos caminhos,

me jogou felicidade em cima,

entrou como um cometa,

sem titubear me fez surpresa,

disse que eu podia,

entrei e fiz tudo que queria,

foi assim que aprendi a amar.





Foi você sim,

quem mostrou a felicidade,

não precisei nem olhar o caminho,

pegou em minha mão,

me fez sentir seguro,

me guiou,

sem perguntas, sem cobranças,

até então não sabia o que era vida,

é, foi assim que me deu muitos dias felizes,

obrigado por ser assim, mulher.

A mesma mulher

Era só um mar, parecia monstruoso mar,

um amante ardente de felicidade,

um caso ao acaso, uma vida a viver,

banhada com ondas separadas de sim e não.





Não sou rei do meu sentimento,

meu amor sim, encantado por ela,

maré mansa, correndo cada palavra,

deslizando o antigo novo amor de hoje.





Assim sou, assim minha eternidade de agora,

misturando os tempos, os sentimentos,

em nenhuma dimensão mudei meu sentir,

apenas amo, na medida que me enlouqueço.





Ouço dúvidas nas entrelinhas da sua voz,

não sei falar mais, amar sim,

com mar calmo, ondas, idas e vindas, mas,

apenas de um sentimento, a mesma mulher.

Mulher

Teu corpo é sal e água como mar,
caminhos estreitos de nascer,
cruzam o cio mães que choram,
quando filhos partem do útero.




Feito noivas casam nas noites,
tecem rosários por maridos bêbados,
enquanto na grinalda secam as flores
de laranjeira que benzeu tua alegria.




Quer teu corpo como buraco de céu
em um gozo limpo das dores,
prazer que sonha em preces impuras,
que vai além das tristezas e cólicas.




Mulher deusa de todos perigos,
santa mãe, santa filha, santo abismo,
espelho de fogo que queima a carne.
no êxtase simples de amor e alma.

Mulheres, amantes do mundo

Mulheres são amantes do mundo,
feito flores,
são rosas,
feito dores, são amores.

Te cala no peito a paixão,
toma de amor outro corpo,
sorri com muitos dentes,
ama com um só coração.

Mulheres são amantes do mundo,
não são donas do seu corpo,
servem, adornam o belo,
sem prazer, aquilata o gozo.

Olhos que enxergam a alma,
descontroladamente certa,
oferta a boca com milhares de beijos,
nas queixas, um silêncio mortal.

Mulheres são amantes do mundo,
dos sonhos, dos desejos,
de vontade servível, chora,
grita com prazer a dor de parir.

Dessas almas se fez a minha,
socorrido nas dores, nas alegrias,
palavra presente nos carinhos,
pura pela natureza, inventa o amor.

Mulher

O tempo é como o amor, são marés que voltam,
o ausente está sempre rondando o peito vazio,
quantos sonhos me provocam a mulher que amo,
sou o amanhã antes que o ontem mostre o sol.


Quero suas luzes de desejos rondando minhas sombras,
os perfumes do seu corpo provocando as vontades,
sons ensurdecedores do ritmo alucinante do prazer,
fazendo a paixão queimar a pele dentro e fora do sexo.


Mulher! Por agora, faça-me único nos seus desejos,
seja meus sonhos de uma noite ou de todas mais,
entregue-se, dome, domine, deixe-se tomar pela paixão,
solte-se para que lhe toque fundo no corpo e na alma.


Separo as mãos do corpo, deixando-as ao longo dos braços,
como se fossem asas paradas em meio à tempestade,
toco sua face, fazendo uma pequena trilha de saliva,
arrasto minha língua, descendo entre os seios até à pelve.


O amor agora é o tempo que provoca nossas vontades,
atravessamos desertos, ventos, luzes, relâmpagos,
a menina encontra a mulher, o homem torna-se amante,
o prazer se resume em minutos à paixão, em morte ou vida.

Nome: Mulher

Que nome tem a mulher?
Lembra-me amor,
lábios manchados de vermelhos,
mãos além dos pensamentos,
pernas sem o fio desfiado
e o 28º dia.


A boca de beijos,
como se estivesse em orgasmos,
a paixão,
vai de ponta a ponta das unhas,
esmaltadas, lisas como aço,
para cravar a carne em gozo.


Fala de amor e chora,
as lágrimas recebem a felicidade,
também a despedida.
Seus sins,
seus não(s),
tem o mesmo sentido.


Que nome tem o amor?
Lembra-me mulher,
o espanto, o espasmo,
o proibido, a libido,
como ontem à noite... Eu e você!

Mulher

Hoje não sei seu nome, te chamo mulher,
sem qualquer medo, apenas mulher,
sorri misteriosa como o seu desejo,
os pensamentos voam alto como o céu que sonha,
amante... outra vez, muitas vezes mulher.


Onde anda suas vontades de mais viver,
os ciúmes de uma outra que não existe,
mais pura, mais linda, não como você,
visita seu íntimo e grita por socorro:
-Voltem o tempo, quero ser outra...


Tem o belo impregnado na pele,
dentro e fora do sexo,
o perfume que agride, conquista,
os pêlos entrecortados, um tesão incontido,
desafia a noite exalando seu cheiro provocante.


Seus passos seguem uma rota desenhada,
como rainha, como donzela, como mulher,
como qualquer uma, luta e apaixona,
entrega-se, faz o amante desfilar em suas ruas,
lambuzando-o, o sexo de sexo, o amor que faz amor.


Reconheço sua coroa invisível de cristal amarelo,
o vermelho da paixão estampado na roupa,
o perfume cremoso do desejo espalhado na pele,
os pés firmes na sua própria verdade de mulher,
como se nada mais existisse, apenas uma de sua espécie.


E quando sonha, é de amor que sonha,
um corpo amante de outro mais ou menos puro,
não precisa ter um céu, amor sim,
nos olhos tem que ter o brilho das luas, das estrelas,
assim se sente mulher, simplesmente mulher.

Sonhe, mulher

Voe em seus desejos e em suas viagens de amor,
viva seu lado anjo,
anjo amante ou apenas mulher.



Deixe que a menina
e seus sonhos sintam o vento no rosto,
que suas vestes caiam entre as nuvens
e os prazeres te levem aos céus,
até que sua alma desprenda do corpo...



Sonhe mulher...
até que ame...

DEPOIS DE TI...

Depois de ti... escrevi amor,
falei da paixão que não conhecia,
até chorei um pouco a solidão.

Depois de ti... meus olhos tem luz,
os brilhos vem da alma,
da tua alma na minha, depois do amor...

Depois de ti... o amanhã é sonho,
alguns espelhos foram quebrados,
não quero imagem alheia, apenas te quero.

Depois de ti... sou amante,
desquitei da lua, abandonei as estrelas,
fiz do teu corpo minha capela, amor, minha reza.

Depois de ti... sou dia,
sou os perfumes exalados do corpo,
somos jardins, mundos, eternos...

Depois de ti... tenho vida.

Mãos de amor

Onde estão tuas mãos que não veio essa noite,

teu perfume não está espalhado no ar,

só uma louca vontade de tocá-la por inteiro,

devagar, noite adentro, corpo adentro.





Caminho em silêncio a noite solitária,

o tempo é canalha de todos meus sonhos,

paro entre a porta e o destino que maltrata,

falta-me coragem de seguir ao menos

um pedaço de caminho, falta-me tuas mãos.





O tempo não é amigo de nossos sentidos,

os dias param no meio, as noites na madrugada,

a me perturbar, tua imagem voa os pensamentos,

pareço louco de amor ou apenas louco por ti.





Quando vier não sei como me portar, um abraço,

um beijo mais longo que os dias que ficou longe,

está próxima quando o carinho corre os pensamentos,

as mãos, o jeito suave de me tocar, o amor meu.

Da minha vida

Era apenas uma porta entre eu e a madrugada,

ambos cheios de alguma esperança e sem crença,

as orações foram perdidas, uma e outra abandonada

nua no meio dos pensamentos entre a terra e o céu.





Espero o sábado para rezar, dobrar os joelhos,

diante de Deus existe um sim que não alcançamos,

não sei ao certo quais e onde estão meus pecados,

sei onde nós estamos, eu e alguns dos meus amores.





Estou atento para o amanhecer da minha fé,

a felicidade que suponho não está tão longe,

não tenho e nem quero sonhos milagrosos,

apenas guardo bem cuidado o dourado do meu sol.





As janelas do mundo não estão eternamente abertas,

caminho meu sono esperando mais sonhos festivos,

não só horas felizes de poucos ou falsos amores,

as horas do Pai não podem sempre ser adiada.





Levanto as mãos ao meu céu, um corpo tanto honesto,

palavras sem disfarces que me dão força para seguir,

é a minha existência resumida em poucos anos de fé,

pra vida, espero que as esperanças não sejam malogradas.