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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Poema à última tarde.

Dentro da palidez dos temporais
um sol vermelho de corais e flores
pousa nos beirais de alguns olhos que ainda podem ver
tantas vozes a anunciar um outro ciclo
Presas dentro das espirais do tempo
Grávidas de vida, ávidas pelo grito
Devorador de silêncios e mitos do paraíso
Rasgando as faces e crenças,
Libertando manadas de anjos malditos
Que cuspiam navalhas sobre os vivos
Dentro da palidez dos temporais
Quando o sol era mais que vermelho
E mortais eram os corais e flores
Tomei-te pelas mãos
E três vezes falei teu nome
E três vezes lancei-te ao mar
Para que andasse nua pelas ondas
E teu seio claro alimentasse as constelações
E foste o recomeço da vida
Foi dentro da palidez dos temporais
de uma manada de sóis vermelhos
que tomei-te pelas mãos
E três vezes matei-me.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Desabafo

vivo entre ruas e homens, barulho e música
e em meu braço esquerdo, tatuado um anjo e uma guitarra
alguns sonhos perdi em jogos de azar
outros em tempos de guerra, desaprendi a sonhar
minhas mãos estão ásperas e há cartas que sei não irão chegar
há promessas de amor que ouvi, que sumiram no ar
e em meu braço esquerdo, tatuado em anjo e uma guitarra
entre ruas e homens, em tempos de azar
sou intuição
não aprendi a jogar...