Rumo ao Imo, rumo ao Outro
nesse mundo torto...
Rumo à Esperança
a porfiar coragem,
ânimo e bonança...
Mãos nas mãos,
dividir afetos e somando gestos,
saber ser irmãos...
Alongar os braços
a plantar ternura
onde o Amor é lasso,
e em qualquer lonjura...
Plenos de estesia como a levitar,
saber ser Poesia
entre a Terra e o Ar...
E saber que as dores
do caminho incerto
têm os seus pudores
quando a Céu Aberto.
Amar a mancheias
e nada cobrar
elevar candeias
e ser luminar...
E ao fim do caminho
saber que essa estrada
ninguém faz sozinho...
Que d'alma o carinho
é ser alentada
por ter sido Amada!
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sábado, 20 de dezembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Balanceio
voando no balanço que me embala
ponho os pés no viés do horizonte
mas o açoite do empuxo do galeio
vem, me repuxa,
e eu já sem fala,
volto,
ainda que me amedronte...
mergulho rumo às nuvens no meneio,
corpo solto, num vertigo que avassala...
quanto tempo nessa lida?
há quem conte?
céu e terra, cara a cara...
eu no meio...
fecho os olhos
a sorver o que não cala...
ponho os pés no viés do horizonte
mas o açoite do empuxo do galeio
vem, me repuxa,
e eu já sem fala,
volto,
ainda que me amedronte...
mergulho rumo às nuvens no meneio,
corpo solto, num vertigo que avassala...
quanto tempo nessa lida?
há quem conte?
céu e terra, cara a cara...
eu no meio...
fecho os olhos
a sorver o que não cala...
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
QUANDO NOS "ENCANTAMOS
Tudo é estímulo e fica mais gostoso...
Caminhamos em nuvens coloridas de arco-íris,
sorriso no brilho dos olhos,
vontade de ficar sempre acordado
a repetir, a repetir a mesma imagem
fugidia gravada na retina...
A boca esboça beijos que permanecem
no sabor que não se esquece...
E a pele em arrepios,
- linguagem que só fala quem sente -
lateja na palma das mãos...
O encantamento entorpece,
invade o corpo em vertigem
e dança alucinando o pensamento...
Tudo é lembrança, é tudo Encanto!
Jeito mais estranho de ser cativo
nas asas da mais louca liberdade...
Quando nos Encantamos,
multiplica-se o vigor,
o colorido da vida,
e em tudo há mais sabor!
Um mundo novo em nós
enquanto o velho fica à margem,
não importa...
Os Encantados gravitam entre si,
têm sua própria distância
de outros corpos e de outras gentes,
habitam um Universo sem fronteiras
mas tão restrito... inacessível!
Quando Encantados,
o corriqueiro perde a dimensão,
tudo é infinitamente menor
enquanto crescem a coragem,
o destemor, a ousadia;
fenece o egoísmo, o apego,
e a mesquinhez cede espaço
à grandeza de gestos
e sentimentos...
Quando nos Encantamos, não tiranizamos.
Somos libertários sem causa própria,
só por gozo e prazer.
Nosso olhar fica mais doce, aguçam-se os sentidos.
Somos donos de 'algo' que existe mas não nos pertence, nem a mais ninguém,
apenas nos escolheu para se entregar...
Quando nos Encantamos,
alguns dizem que é paixão,
outros chamam de amor, atração, empatia, tesão...
Eu acho que é a mais perfeita alquimia.
Encaixe de elementos que se combinam,
simbiose na melhor dose!
Encantados,
somos bruxos, duendes, fadas ou feiticeiros,
prestidigitadores,
magos, sedutores e seduzidos,
entregues ao enleio sublime e bacântico,
devasso e sagrado,
do mistério de um Encanto
que transcende o tempo
e o espaço, como dogma:
- a metade do segredo é toda sua,
a outra metade, eternamente minha...
Caminhamos em nuvens coloridas de arco-íris,
sorriso no brilho dos olhos,
vontade de ficar sempre acordado
a repetir, a repetir a mesma imagem
fugidia gravada na retina...
A boca esboça beijos que permanecem
no sabor que não se esquece...
E a pele em arrepios,
- linguagem que só fala quem sente -
lateja na palma das mãos...
O encantamento entorpece,
invade o corpo em vertigem
e dança alucinando o pensamento...
Tudo é lembrança, é tudo Encanto!
Jeito mais estranho de ser cativo
nas asas da mais louca liberdade...
Quando nos Encantamos,
multiplica-se o vigor,
o colorido da vida,
e em tudo há mais sabor!
Um mundo novo em nós
enquanto o velho fica à margem,
não importa...
Os Encantados gravitam entre si,
têm sua própria distância
de outros corpos e de outras gentes,
habitam um Universo sem fronteiras
mas tão restrito... inacessível!
Quando Encantados,
o corriqueiro perde a dimensão,
tudo é infinitamente menor
enquanto crescem a coragem,
o destemor, a ousadia;
fenece o egoísmo, o apego,
e a mesquinhez cede espaço
à grandeza de gestos
e sentimentos...
Quando nos Encantamos, não tiranizamos.
Somos libertários sem causa própria,
só por gozo e prazer.
Nosso olhar fica mais doce, aguçam-se os sentidos.
Somos donos de 'algo' que existe mas não nos pertence, nem a mais ninguém,
apenas nos escolheu para se entregar...
Quando nos Encantamos,
alguns dizem que é paixão,
outros chamam de amor, atração, empatia, tesão...
Eu acho que é a mais perfeita alquimia.
Encaixe de elementos que se combinam,
simbiose na melhor dose!
Encantados,
somos bruxos, duendes, fadas ou feiticeiros,
prestidigitadores,
magos, sedutores e seduzidos,
entregues ao enleio sublime e bacântico,
devasso e sagrado,
do mistério de um Encanto
que transcende o tempo
e o espaço, como dogma:
- a metade do segredo é toda sua,
a outra metade, eternamente minha...
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Quem me dera
Quem me dera... quem me dera...
ser manancial de Vida
eu quisera... eu quisera...
ser semente revivida
Primavera... Primavera...
ternamente colorida...
ser manancial de Vida
eu quisera... eu quisera...
ser semente revivida
Primavera... Primavera...
ternamente colorida...
domingo, 11 de maio de 2008
CONTRATEMPO...
Que amor é este que surpreende?
Que descompasso, quanta agonia!
Certo é, que o amor ninguém entende
E se opõe à razão com rebeldia...
Quem acalma este inquieto coração
aflito, sufocado de emoção?
E ri de mim, o desalmado!
Melhor que eu, sabe o que quer,
Por quem palpita... afogueado!
Bate apressado, bate ligeiro,
Num rodopio dentro de mim
Faz o que quer, o desordeiro,
Numa balbúrdia que não tem fim
Pois sempre soube por quem pulsava,
De minha espera, ria e zombava.
Fugiu de mim, o bandoleiro
E noutro peito, muito mansinho,
Fez a morada mais que ligeiro...
Aconchegou-se em outro ninho.
Faz tanto tempo te conhecia,
Que antes de mim (que ironia),
Apaixonou-se. Te amou primeiro!
Que descompasso, quanta agonia!
Certo é, que o amor ninguém entende
E se opõe à razão com rebeldia...
Quem acalma este inquieto coração
aflito, sufocado de emoção?
E ri de mim, o desalmado!
Melhor que eu, sabe o que quer,
Por quem palpita... afogueado!
Bate apressado, bate ligeiro,
Num rodopio dentro de mim
Faz o que quer, o desordeiro,
Numa balbúrdia que não tem fim
Pois sempre soube por quem pulsava,
De minha espera, ria e zombava.
Fugiu de mim, o bandoleiro
E noutro peito, muito mansinho,
Fez a morada mais que ligeiro...
Aconchegou-se em outro ninho.
Faz tanto tempo te conhecia,
Que antes de mim (que ironia),
Apaixonou-se. Te amou primeiro!
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
MEU PORTO
É tarde, os olhos ardem, as costas doem...
mais um dia de expectativa e cansaço...
Sou aquela nau com fome de navegar.
Olho o horizonte buscando alento,
seguindo as nuvens soltas ao vento...
Onde o meu Norte?
Vislumbro enfim o Porto de Chegada...
Plena de renovadas esperanças,
nas águas mansas do rio que escorre
lento e sinuoso,
vejo o contorno de sonhos, tão perto,
que posso quase tocar com as mãos...
No espelho d´água, o reflexo da jornada
quase inacreditável, trajeto heróico!
Viagem ponteada de mudanças,
antes um sonho, ao sabor da correnteza.
Entre assustada, ansiosa
e insegura, mas decidida, avanço!
Aproxima-se lentamente o Porto... o cais,
ancoradouro de mim, de uma nova vida.
As luzes cintilam, guiam-me, e aos poucos,
clareiam a escuridão que me envolvia...
Ouço o Apelo obstinadamente chamando
enquanto o coração responde a palpitar:
"estou chegando"...!
Oh, Porto de Chegada, abre tuas portas,
acolhe-me num doce abraço...
Aqui estou, liberta dos despojos de outra vida
que lancei às águas e a ti me entrego
com a nudez de quem acaba de nascer
Num grito forte, conto pro mundo: Renasci...!
Titubeio, sinto frio,
tento me situar entre hemisférios...
tantas vidas... repartidas, reunidas...
Já não pertenço ao Passado
e sou Futuro em tempo de Agora.
Lanço âncoras que me seguram
enquanto a correnteza leva em seu curso,
o resto desse parto que me devolve à Vida.
Ofegante, vou chegando...
Manobro com cautela a suave atracação
e enquanto me prendo ao cais,
dispara uma ansiedade desmedida;
A espera sufoca, as mãos tremem,
quase desfaleço...
Ouço mais forte o 'apelo' que me guiou,
minha bússola, o farol
sinalizando um morse que só eu entendia, aflita,
na impaciência dos procedimentos finais...
Chão firme, Terra de Esperança,
oásis brotando de um deserto secular,
homérico oceano conquistado...
Oscilam as luzes, pára o tempo e
por um momento,
apenas murmúrios entremeados de beijos,
sorrisos, afagos e soluços...
Aportamos.
Meu coração e eu.
Únicos tripulantes dessa nau valente,
disposta a navegar de continente a continente!
- E nossa bagagem era só o Amor... -
A Cidade sorriu...
Demos as mãos e caminhamos por uma viela.
A noite escorregava mansamente...
mais um dia de expectativa e cansaço...
Sou aquela nau com fome de navegar.
Olho o horizonte buscando alento,
seguindo as nuvens soltas ao vento...
Onde o meu Norte?
Vislumbro enfim o Porto de Chegada...
Plena de renovadas esperanças,
nas águas mansas do rio que escorre
lento e sinuoso,
vejo o contorno de sonhos, tão perto,
que posso quase tocar com as mãos...
No espelho d´água, o reflexo da jornada
quase inacreditável, trajeto heróico!
Viagem ponteada de mudanças,
antes um sonho, ao sabor da correnteza.
Entre assustada, ansiosa
e insegura, mas decidida, avanço!
Aproxima-se lentamente o Porto... o cais,
ancoradouro de mim, de uma nova vida.
As luzes cintilam, guiam-me, e aos poucos,
clareiam a escuridão que me envolvia...
Ouço o Apelo obstinadamente chamando
enquanto o coração responde a palpitar:
"estou chegando"...!
Oh, Porto de Chegada, abre tuas portas,
acolhe-me num doce abraço...
Aqui estou, liberta dos despojos de outra vida
que lancei às águas e a ti me entrego
com a nudez de quem acaba de nascer
Num grito forte, conto pro mundo: Renasci...!
Titubeio, sinto frio,
tento me situar entre hemisférios...
tantas vidas... repartidas, reunidas...
Já não pertenço ao Passado
e sou Futuro em tempo de Agora.
Lanço âncoras que me seguram
enquanto a correnteza leva em seu curso,
o resto desse parto que me devolve à Vida.
Ofegante, vou chegando...
Manobro com cautela a suave atracação
e enquanto me prendo ao cais,
dispara uma ansiedade desmedida;
A espera sufoca, as mãos tremem,
quase desfaleço...
Ouço mais forte o 'apelo' que me guiou,
minha bússola, o farol
sinalizando um morse que só eu entendia, aflita,
na impaciência dos procedimentos finais...
Chão firme, Terra de Esperança,
oásis brotando de um deserto secular,
homérico oceano conquistado...
Oscilam as luzes, pára o tempo e
por um momento,
apenas murmúrios entremeados de beijos,
sorrisos, afagos e soluços...
Aportamos.
Meu coração e eu.
Únicos tripulantes dessa nau valente,
disposta a navegar de continente a continente!
- E nossa bagagem era só o Amor... -
A Cidade sorriu...
Demos as mãos e caminhamos por uma viela.
A noite escorregava mansamente...
sábado, 23 de junho de 2007
SAUDADE
Saudade que se abriga no meu leito,
lembrança diuturna que me aquece,
se, perto, toma conta do meu peito...
distante, sempre viva permanece!
A saudade tem nome e endereço,
envolve-me em seu laço sempre ardente!
Saudade...
que do amor é adereço,
que o anseio adorna eternamente!
Aperto de meu coração amante,
dor que não machuca nem é triste,
certeza que não vejo mas existe!
Velha companheira, és caminhante...
se vens, preenches meu peito vazio,
só vais, se o amor retorna com seu cio...!
lembrança diuturna que me aquece,
se, perto, toma conta do meu peito...
distante, sempre viva permanece!
A saudade tem nome e endereço,
envolve-me em seu laço sempre ardente!
Saudade...
que do amor é adereço,
que o anseio adorna eternamente!
Aperto de meu coração amante,
dor que não machuca nem é triste,
certeza que não vejo mas existe!
Velha companheira, és caminhante...
se vens, preenches meu peito vazio,
só vais, se o amor retorna com seu cio...!
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