Deitarei o sal que em mim existe
feito a lágrima que cai desse olhar,
e se for a dor que pranteia o pensar,
beberei a gota única que me assiste.
Entoarei a cada dia todas as sinas
que envergam os joelhos ao chão,
serei a voz que apunhala a ilusão
e não a lesão que ceifa a vindima.
Dos mistérios cruéis, a abjuração,
e da ferida que sangra, o absinto.
No vazio da solidão, serei recinto,
e no abismo escuro, darei a mão.
Da luz que invade e jaz incolor,
à candeia enganosa da aceitação,
se não houver sim, perdoa o não,
porque dos espinhos, serei o amor.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Sarasvati
Eu sopro a flauta a esse canto ao nada
e o cisne branco agracia o pôr-do-sol.
Água dos sonhos, abençoai o crisol
e libertai a deusa tão sonhada...
À flor de lótus beijando a sedução,
eu sou a fonte onde o seu fim deságua,
purificando moinhos de mágoas,
sou a bebida sagrada e a salvação.
A lua crescente, o cálice e a essência,
aspergindo o aroma das venturas
nas gotas supremas tal a cura
e o amor sublime dessa existência.
Sou o cântico aos dosséis da imensidão,
o sânscrito qual energia espiritual,
redenção em minha forma universal,
sou Sarasvati, a divina criação.
e o cisne branco agracia o pôr-do-sol.
Água dos sonhos, abençoai o crisol
e libertai a deusa tão sonhada...
À flor de lótus beijando a sedução,
eu sou a fonte onde o seu fim deságua,
purificando moinhos de mágoas,
sou a bebida sagrada e a salvação.
A lua crescente, o cálice e a essência,
aspergindo o aroma das venturas
nas gotas supremas tal a cura
e o amor sublime dessa existência.
Sou o cântico aos dosséis da imensidão,
o sânscrito qual energia espiritual,
redenção em minha forma universal,
sou Sarasvati, a divina criação.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Anjo de grafite
Lembrei-me de você; amor que não nasceu,
do brilho fácil espelhando o poente,
refletido no olhar de anjo inocente,
tatuando a minha mão com o beijo seu.
Voar assim; marcada de asas e sonhos
dourados, brilho de amor e solstício,
sol e aura, lua adentrando o precipício
de prata, aspergindo lumens risonhos.
Compor nas areias os dias de castelos
e um mundo sem noite, só o céu astral
colhendo a magia da manhã solsticial
à lua noiva em lindos raios amarelos.
Lembrei-me de você; asa que não cresceu,
olhando o espelho do brilho passado,
o precipício e o sonho amarelado,
tatuado no amor do anjo que morreu
do brilho fácil espelhando o poente,
refletido no olhar de anjo inocente,
tatuando a minha mão com o beijo seu.
Voar assim; marcada de asas e sonhos
dourados, brilho de amor e solstício,
sol e aura, lua adentrando o precipício
de prata, aspergindo lumens risonhos.
Compor nas areias os dias de castelos
e um mundo sem noite, só o céu astral
colhendo a magia da manhã solsticial
à lua noiva em lindos raios amarelos.
Lembrei-me de você; asa que não cresceu,
olhando o espelho do brilho passado,
o precipício e o sonho amarelado,
tatuado no amor do anjo que morreu
Anjo de grafite
Lembrei-me de você; amor que não nasceu,
do brilho fácil espelhando o poente,
refletido no olhar de anjo inocente,
tatuando a minha mão com o beijo seu.
Voar assim; marcada de asas e sonhos
dourados, brilho de amor e solstício,
sol e aura, lua adentrando o precipício
de prata, aspergindo lumens risonhos.
Compor nas areias os dias de castelos
e um mundo sem noite, só o céu astral
colhendo a magia da manhã solsticial
à lua noiva em lindos raios amarelos.
Lembrei-me de você; asa que não cresceu,
olhando o espelho do brilho passado,
o precipício e o sonho amarelado,
tatuado no amor do anjo que morreu
do brilho fácil espelhando o poente,
refletido no olhar de anjo inocente,
tatuando a minha mão com o beijo seu.
Voar assim; marcada de asas e sonhos
dourados, brilho de amor e solstício,
sol e aura, lua adentrando o precipício
de prata, aspergindo lumens risonhos.
Compor nas areias os dias de castelos
e um mundo sem noite, só o céu astral
colhendo a magia da manhã solsticial
à lua noiva em lindos raios amarelos.
Lembrei-me de você; asa que não cresceu,
olhando o espelho do brilho passado,
o precipício e o sonho amarelado,
tatuado no amor do anjo que morreu
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Flor de verão
Espalha a flor os aromas de verão,
e as cores risonhas das mil cadentes,
bailando nos céus ao encanto da oração,
brotando no chão a fé da sua semente.
Flor de verão; há de azular esse dia
de paz, se colorando a concepção,
caminham o verbo e a luz em euforia
traduzindo-a mulher, filha da doação.
Mulher de Deus, a flor do verão e do amor,
irmanada no universo de magias
ofertando preces do Nosso Senhor;
plenitude rezada nas tuas poesias.
Flor de Deus, encanta as luzes dos céus...
brilhos risonhos transbordando oração
da calmaria do verbo à luz do papel;
estrela florindo no meu coração.
e as cores risonhas das mil cadentes,
bailando nos céus ao encanto da oração,
brotando no chão a fé da sua semente.
Flor de verão; há de azular esse dia
de paz, se colorando a concepção,
caminham o verbo e a luz em euforia
traduzindo-a mulher, filha da doação.
Mulher de Deus, a flor do verão e do amor,
irmanada no universo de magias
ofertando preces do Nosso Senhor;
plenitude rezada nas tuas poesias.
Flor de Deus, encanta as luzes dos céus...
brilhos risonhos transbordando oração
da calmaria do verbo à luz do papel;
estrela florindo no meu coração.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Gotas de solidão
Pensamento errante; ao rito desmembro o bucólico
verde que acabou naquela floresta... Ipê florido,
ali, onde entreguei às tuas pegadas de rei o meu adeus doído
beijando a terra em silêncio, escoando o pranto alcoólico.
Ébria das gotas de solidão, errante equilibrista
tentando tocar o céu, tocar o anjo do telhado
que foi embora e me deixou sem sombras, do lado errado,
inventando a vida de vidro na fome alquimista.
Fome de deus, febre de mitos... doente do retalho
que tanto me usou; desbotada pele de outras dores,
suor de irmãos cerzidos com as vergastas dos horrores,
ninando as noites de frio da fada dos espantalhos.
Embriagadoras mãos escavando o céu do rei sem sol,
tentando alcançar os passos daquele anjo de vidro
que iluminou o acarvoado quintal dos ritos feridos,
onde eu ria, sóbria fada, coroada por um girassol.
verde que acabou naquela floresta... Ipê florido,
ali, onde entreguei às tuas pegadas de rei o meu adeus doído
beijando a terra em silêncio, escoando o pranto alcoólico.
Ébria das gotas de solidão, errante equilibrista
tentando tocar o céu, tocar o anjo do telhado
que foi embora e me deixou sem sombras, do lado errado,
inventando a vida de vidro na fome alquimista.
Fome de deus, febre de mitos... doente do retalho
que tanto me usou; desbotada pele de outras dores,
suor de irmãos cerzidos com as vergastas dos horrores,
ninando as noites de frio da fada dos espantalhos.
Embriagadoras mãos escavando o céu do rei sem sol,
tentando alcançar os passos daquele anjo de vidro
que iluminou o acarvoado quintal dos ritos feridos,
onde eu ria, sóbria fada, coroada por um girassol.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Discurso
Queria aquietar o impotente discurso empapelado nos meus poemas; dói demais perceber o fracasso dos gritos, o insucesso das minhas bandeiras hasteadas com fervor, o clamor em defesa dos animais, da natureza e dos meus iguais.
Que grande socorro eu prestei à humanidade!
Nenhuma vírgula mudou as vidas discursadas nessas linhas reclamantes... só reticências e interrogações somatizadas.
Queria orar e crer que fiz o diferencial, e depois dessa prece, abriria os meus olhos e veria algum minúsculo milagre — preciso de pouco —; só um pequeno sinal bastaria, mas nada acontece.
Não consigo ajudar os meus irmãos, muito menos salvar o eu de mim, afastando a incômoda sensibilidade que capta as dores e se alimenta das tristezas.
Poemas indiferentes, linhas fracassadas, minha rima aos derrotados: é só o que eu sou e o que faço.
Dou as mãos à palmatória, me calo à glória de um mundo rosado que eu não vi, à história de um amor eterno que não resistiu ao egoísmo dos anos desperdiçados em partilha.
Rasgar os papéis das ruas obscuras que desenhei, dobrar a bandeira do meu país manchado de corrupção, de fome e descaso, jogar as palavras e as folhas na chuva, sem olhar para trás; depois ficar olhando uma lua esburacada e distante nesse céu chato e poluído, esperando que ela preencha o vão desse lamento surtido retinindo aqui dentro, preso na garganta, invertendo toda a tradução do que vi.
Fotografar a esperança escorregadia e cair na passarela bucólica, dentro do fantástico carnaval colorista, beber dessa orgia esquecendo as quartas-feiras cinzentas tão cheias de ressacas estampadas nas faces assustadas, enfrentando o sol abrasador, derretendo a ilusão plastificada da cera humana.
Queria agradar os olhos famintos de beijos escritos, aquecer os corpos carentes de gozos múltiplos, saciar os peitos solitários que buscam o toque lírico no branco decote do vestido virginal, ourando a aliança findada no círculo feliz até que a morte da união separe o para-sempre do final amargurado e rotineiro.
Eu queria não sentir, mas eu sinto...
Sinto muito!
Que grande socorro eu prestei à humanidade!
Nenhuma vírgula mudou as vidas discursadas nessas linhas reclamantes... só reticências e interrogações somatizadas.
Queria orar e crer que fiz o diferencial, e depois dessa prece, abriria os meus olhos e veria algum minúsculo milagre — preciso de pouco —; só um pequeno sinal bastaria, mas nada acontece.
Não consigo ajudar os meus irmãos, muito menos salvar o eu de mim, afastando a incômoda sensibilidade que capta as dores e se alimenta das tristezas.
Poemas indiferentes, linhas fracassadas, minha rima aos derrotados: é só o que eu sou e o que faço.
Dou as mãos à palmatória, me calo à glória de um mundo rosado que eu não vi, à história de um amor eterno que não resistiu ao egoísmo dos anos desperdiçados em partilha.
Rasgar os papéis das ruas obscuras que desenhei, dobrar a bandeira do meu país manchado de corrupção, de fome e descaso, jogar as palavras e as folhas na chuva, sem olhar para trás; depois ficar olhando uma lua esburacada e distante nesse céu chato e poluído, esperando que ela preencha o vão desse lamento surtido retinindo aqui dentro, preso na garganta, invertendo toda a tradução do que vi.
Fotografar a esperança escorregadia e cair na passarela bucólica, dentro do fantástico carnaval colorista, beber dessa orgia esquecendo as quartas-feiras cinzentas tão cheias de ressacas estampadas nas faces assustadas, enfrentando o sol abrasador, derretendo a ilusão plastificada da cera humana.
Queria agradar os olhos famintos de beijos escritos, aquecer os corpos carentes de gozos múltiplos, saciar os peitos solitários que buscam o toque lírico no branco decote do vestido virginal, ourando a aliança findada no círculo feliz até que a morte da união separe o para-sempre do final amargurado e rotineiro.
Eu queria não sentir, mas eu sinto...
Sinto muito!
sábado, 3 de janeiro de 2009
Os filhos do caos
O hálito aquecido das ruas pobres me traz os suores da inspiração — uma realidade cruel transpirando o descaso das próprias massas; as agressões juvenis, os nomes ofensivos, raça contra raça, um amontoado de seres estranhos, humanos estuprando a tarde dominical, ferindo as calçadas com o lixo das bocas.
Adolescentes se comendo nas esquinas, filhos e filhas de um falo qualquer disputado a tapas — troféu de ventre, barriga medalhada e, depois, a cria da desinteligência —, bebês comerciados, pensão alimentícia, padrastos pedófilos e assassinos, madrastas ciumentas queimando criancinhas e uma cena dramática frente às câmeras de TV; os conspiradores clamando deus e Jesus, alguns gritinhos de justiça... e o replay.
O replay dos canais; a morte ao vivo! Cinco, seis... tantas vezes a exclusividade em câmera lenta, em ângulos mil e versões supostas em todos os jornais por dias e dias.
Então, a mesma estupidez diante dessa imunda lavagem cerebral é copiada por mais outro idiota sanguinário sequestrando os seus minutos de fama, e a mesma história mundana e novamente contada com outro nome e sobrenome; uma gêmea reportagem.
Mais uma vez a justiça sorridente é bradada pela mesma boca que deixou a quem dará a sua prole marcada pelo sofrimento, pelo caos da ingerência dessa produção de fetos não quistos, não amados — brinquedinhos substituíveis.
Amanhã será igual e nenhuma justiça divina ou humana impedirá a soltura das mãos que sangraram os filhos do caos, os netos do replay... as fotos nos jornais!
Mãe! Pai? Talvez será essa a última frase da outra pequena peça, a próxima criança que morrerá sem porquê.
Será somente mais uma foto com a tarja preta nos olhos anunciando a manchete cotidiana, tarja igual à da própria justiça, idêntica à ceguidade de um poder atado, que pouco se importa com as ruínas da nossa sociedade, sociedade essa consciente da impunidade, dos indultos, ou adormecidas pessoas esperando um novo massacre.
Pai, mãe... são muitas as exceções, é claro, porém eu não aguento mais ver o futuro do Brasil ser apagado nesse hoje sem leis, sem punições sérias, sem planejamento, sem educação, sem amor, sem nada...
Sem ter que repetir isso novamente!
Adolescentes se comendo nas esquinas, filhos e filhas de um falo qualquer disputado a tapas — troféu de ventre, barriga medalhada e, depois, a cria da desinteligência —, bebês comerciados, pensão alimentícia, padrastos pedófilos e assassinos, madrastas ciumentas queimando criancinhas e uma cena dramática frente às câmeras de TV; os conspiradores clamando deus e Jesus, alguns gritinhos de justiça... e o replay.
O replay dos canais; a morte ao vivo! Cinco, seis... tantas vezes a exclusividade em câmera lenta, em ângulos mil e versões supostas em todos os jornais por dias e dias.
Então, a mesma estupidez diante dessa imunda lavagem cerebral é copiada por mais outro idiota sanguinário sequestrando os seus minutos de fama, e a mesma história mundana e novamente contada com outro nome e sobrenome; uma gêmea reportagem.
Mais uma vez a justiça sorridente é bradada pela mesma boca que deixou a quem dará a sua prole marcada pelo sofrimento, pelo caos da ingerência dessa produção de fetos não quistos, não amados — brinquedinhos substituíveis.
Amanhã será igual e nenhuma justiça divina ou humana impedirá a soltura das mãos que sangraram os filhos do caos, os netos do replay... as fotos nos jornais!
Mãe! Pai? Talvez será essa a última frase da outra pequena peça, a próxima criança que morrerá sem porquê.
Será somente mais uma foto com a tarja preta nos olhos anunciando a manchete cotidiana, tarja igual à da própria justiça, idêntica à ceguidade de um poder atado, que pouco se importa com as ruínas da nossa sociedade, sociedade essa consciente da impunidade, dos indultos, ou adormecidas pessoas esperando um novo massacre.
Pai, mãe... são muitas as exceções, é claro, porém eu não aguento mais ver o futuro do Brasil ser apagado nesse hoje sem leis, sem punições sérias, sem planejamento, sem educação, sem amor, sem nada...
Sem ter que repetir isso novamente!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Discurso
Queria aquietar o impotente discurso empapelado nos meus poemas; dói demais perceber o fracasso dos gritos, o insucesso das minhas bandeiras hasteadas com fervor, o clamor em defesa dos animais, da natureza e dos meus iguais.
Que grande socorro eu prestei à humanidade!
Nenhuma vírgula mudou as vidas discursadas nessas linhas reclamantes... só reticências e interrogações somatizadas.
Queria orar e crer que fiz o diferencial, e depois dessa prece, abriria os meus olhos e veria algum minúsculo milagre — preciso de pouco —; só um pequeno sinal bastaria, mas nada acontece.
Não consigo ajudar os meus irmãos, muito menos salvar o eu de mim, afastando a incômoda sensibilidade que capta as dores e se alimenta das tristezas.
Poemas indiferentes, linhas fracassadas, minha rima aos derrotados: é só o que eu sou e o que faço.
Dou as mãos à palmatória, me calo à glória de um mundo rosado que eu não vi, à história de um amor eterno que não resistiu ao egoísmo dos anos desperdiçados em partilha.
Rasgar os papéis das ruas obscuras que desenhei, dobrar a bandeira do meu país manchado de corrupção, de fome e descaso, jogar as palavras e as folhas na chuva, sem olhar para trás; depois ficar olhando uma lua esburacada e distante nesse céu chato e poluído, esperando que ela preencha o vão desse lamento surtido retinindo aqui dentro, preso na garganta, invertendo toda a tradução do que vi.
Fotografar a esperança escorregadia e cair na passarela bucólica, dentro do fantástico carnaval colorista, beber dessa orgia esquecendo as quartas-feiras cinzentas tão cheias de ressacas estampadas nas faces assustadas, enfrentando o sol abrasador, derretendo a ilusão plastificada da cera humana.
Queria agradar os olhos famintos de beijos escritos, aquecer os corpos carentes de gozos múltiplos, saciar os peitos solitários que buscam o toque lírico no branco decote do vestido virginal, ourando a aliança findada no círculo feliz até que a morte da união separe o para-sempre do final amargurado e rotineiro.
Eu queria não sentir, mas eu sinto...
Sinto muito!
Que grande socorro eu prestei à humanidade!
Nenhuma vírgula mudou as vidas discursadas nessas linhas reclamantes... só reticências e interrogações somatizadas.
Queria orar e crer que fiz o diferencial, e depois dessa prece, abriria os meus olhos e veria algum minúsculo milagre — preciso de pouco —; só um pequeno sinal bastaria, mas nada acontece.
Não consigo ajudar os meus irmãos, muito menos salvar o eu de mim, afastando a incômoda sensibilidade que capta as dores e se alimenta das tristezas.
Poemas indiferentes, linhas fracassadas, minha rima aos derrotados: é só o que eu sou e o que faço.
Dou as mãos à palmatória, me calo à glória de um mundo rosado que eu não vi, à história de um amor eterno que não resistiu ao egoísmo dos anos desperdiçados em partilha.
Rasgar os papéis das ruas obscuras que desenhei, dobrar a bandeira do meu país manchado de corrupção, de fome e descaso, jogar as palavras e as folhas na chuva, sem olhar para trás; depois ficar olhando uma lua esburacada e distante nesse céu chato e poluído, esperando que ela preencha o vão desse lamento surtido retinindo aqui dentro, preso na garganta, invertendo toda a tradução do que vi.
Fotografar a esperança escorregadia e cair na passarela bucólica, dentro do fantástico carnaval colorista, beber dessa orgia esquecendo as quartas-feiras cinzentas tão cheias de ressacas estampadas nas faces assustadas, enfrentando o sol abrasador, derretendo a ilusão plastificada da cera humana.
Queria agradar os olhos famintos de beijos escritos, aquecer os corpos carentes de gozos múltiplos, saciar os peitos solitários que buscam o toque lírico no branco decote do vestido virginal, ourando a aliança findada no círculo feliz até que a morte da união separe o para-sempre do final amargurado e rotineiro.
Eu queria não sentir, mas eu sinto...
Sinto muito!
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Camarim
Camarim revestido de falas já ridas,
tapetes de flores e anjos com asas tortas
pendurados nas paredes, antes sem portas,
adornando os silêncios e inventando a vida.
Bordado e cetim; a máquina de costura
remendando os panos, recriando outro carnaval
de regras requebradas, estandarte final,
desfilando a inocência vestida à loucura.
Os dias de hoje são velhos, mudo camarim,
as roupas cerzidas carregam o passado
e as linhas não mais cruzam no mesmo bordado,
atrofiado pelos anos sem mãos, cheios de mim!
Doeu crescer assim; a porta é uma boca medonha
engolindo a fala, estandarte da covardia,
bordando os anos sem cores, e o anjo em atrofia
vai olhando as paredes velhas, antes risonhas.
tapetes de flores e anjos com asas tortas
pendurados nas paredes, antes sem portas,
adornando os silêncios e inventando a vida.
Bordado e cetim; a máquina de costura
remendando os panos, recriando outro carnaval
de regras requebradas, estandarte final,
desfilando a inocência vestida à loucura.
Os dias de hoje são velhos, mudo camarim,
as roupas cerzidas carregam o passado
e as linhas não mais cruzam no mesmo bordado,
atrofiado pelos anos sem mãos, cheios de mim!
Doeu crescer assim; a porta é uma boca medonha
engolindo a fala, estandarte da covardia,
bordando os anos sem cores, e o anjo em atrofia
vai olhando as paredes velhas, antes risonhas.
domingo, 5 de outubro de 2008
Desigual
Afavorar a estonteada danação
num famélico crime farisaico,
estendendo à sujeira dos mosaicos
a beatitude no chão da humilhação.
Filamento e imundície no lavabo,
sedando a honra e o gemer sacrificial
da arruinada fonte de água batismal,
fustigando o plural do eu; pó ajoelhado!
Ciumentas vindícias... quase um escarro
no entusiasmo do pingente na estante,
engolindo a esperança lacerante,
misturada à vertigem do meu barro.
Açoitar a esperança; fio ornamental
aspergindo os óleos desse semblante,
se no pano imundo o sumo é o corante
da face... suor do pingente desigual
num famélico crime farisaico,
estendendo à sujeira dos mosaicos
a beatitude no chão da humilhação.
Filamento e imundície no lavabo,
sedando a honra e o gemer sacrificial
da arruinada fonte de água batismal,
fustigando o plural do eu; pó ajoelhado!
Ciumentas vindícias... quase um escarro
no entusiasmo do pingente na estante,
engolindo a esperança lacerante,
misturada à vertigem do meu barro.
Açoitar a esperança; fio ornamental
aspergindo os óleos desse semblante,
se no pano imundo o sumo é o corante
da face... suor do pingente desigual
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Figuras
Doei-te ao círculo, eterno retorno;
jazo por fim bebendo do vício
incolor, tinturas desse exício
esperançando o imortal estorno.
Na argamassa lapido a rasura
tão minha... de mim extorquida e só;
uma ilusionista caiada sem dó
nas salinas das idem figuras.
Àquela face esgrafiei, oh!nunca mais;
tanta insônia clamada às escuras
se, dormindo a apiedada secura,
regrava no egoísmo os fluxos plurais.
Doei-te rasura bebendo o imundo;
sagrei a irredutível anilina, oh!
iludindo a ilusão retorno ao pó...
poeira e paz danando idem fungos.
jazo por fim bebendo do vício
incolor, tinturas desse exício
esperançando o imortal estorno.
Na argamassa lapido a rasura
tão minha... de mim extorquida e só;
uma ilusionista caiada sem dó
nas salinas das idem figuras.
Àquela face esgrafiei, oh!nunca mais;
tanta insônia clamada às escuras
se, dormindo a apiedada secura,
regrava no egoísmo os fluxos plurais.
Doei-te rasura bebendo o imundo;
sagrei a irredutível anilina, oh!
iludindo a ilusão retorno ao pó...
poeira e paz danando idem fungos.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Enchente da flor
Vem ao meu alcance grávida de flor,
depressa, adocicando as cascatas
salinas do meu olhar em ressaca;
vem! — numa enchente límpida de amor.
Mãe risonha, abençoada e serena,
se derramando o leite encantado,
há de milagrar o inesperado;
então me abraça, mãe, eu sou pequena.
Vem depressa gotejar o absinto,
umedecendo o quintal agreste,
embriagando a paisagem rupestre
no fadário bronzeado que eu pinto.
Ah! mãe e mãe, me ilumina e me irriga
com a sua tempestade de emoção,
se deitando do útero outra oração,
germinará a luz na minha vida.
Fada da flor, mãe grávida de lis,
enlevo a remissão e beijo a criança,
primavera lilás que descansa...
cio da estação; uma enchente mais feliz.
depressa, adocicando as cascatas
salinas do meu olhar em ressaca;
vem! — numa enchente límpida de amor.
Mãe risonha, abençoada e serena,
se derramando o leite encantado,
há de milagrar o inesperado;
então me abraça, mãe, eu sou pequena.
Vem depressa gotejar o absinto,
umedecendo o quintal agreste,
embriagando a paisagem rupestre
no fadário bronzeado que eu pinto.
Ah! mãe e mãe, me ilumina e me irriga
com a sua tempestade de emoção,
se deitando do útero outra oração,
germinará a luz na minha vida.
Fada da flor, mãe grávida de lis,
enlevo a remissão e beijo a criança,
primavera lilás que descansa...
cio da estação; uma enchente mais feliz.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Meus demônios
Solto os meus demônios feito um animal caçando o agourento
quando alimento minhas fornalhas com a foice e com o arpão;
um calafrio esfria o sangue e me faz contínuo moinho-de-vento,
quebro as hastes se ergo um tridente, e levo a ira entre as mãos.
Sou o nada de luz quando o insano me habita o coração,
nada mais sou enquanto anda à solta meu instinto pelas pedras,
sopro os ventos e apago as falsas velas, dôo o vale da escuridão;
uma rebeldia sorve esse repúdio e rasgo e queimo quantos vedros.
Quando assim... empunho o ego e cravo a lâmina e faço o jugo
de outro lobo, caço as feras e me embriago na lei desse veneno;
só... saio de mim, e dilacero outro cego alquebrando o seu rogo,
visto a noite e saciada cubro o peito e bebo o luto do frio ameno.
quando alimento minhas fornalhas com a foice e com o arpão;
um calafrio esfria o sangue e me faz contínuo moinho-de-vento,
quebro as hastes se ergo um tridente, e levo a ira entre as mãos.
Sou o nada de luz quando o insano me habita o coração,
nada mais sou enquanto anda à solta meu instinto pelas pedras,
sopro os ventos e apago as falsas velas, dôo o vale da escuridão;
uma rebeldia sorve esse repúdio e rasgo e queimo quantos vedros.
Quando assim... empunho o ego e cravo a lâmina e faço o jugo
de outro lobo, caço as feras e me embriago na lei desse veneno;
só... saio de mim, e dilacero outro cego alquebrando o seu rogo,
visto a noite e saciada cubro o peito e bebo o luto do frio ameno.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Prefácio
Antes que de mim se afaste o monólogo
matando até a morte numa poesia ou drama
enredando as minhas mãos, carências e tramas,
vou sorrindo e chorando o mesmo prólogo.
Antes, pois não há depois no meu prefácio,
ressuscito à vida adoçando outro poema;
se o passado ora não passa duma cena,
no amanhã serei eu um esmaecido epitáfio.
Antes afino eu os bemóis deste interlúdio
no segundo colorido que me resta,
canto à desoras ou prateio as horas destas
minhas mãos musicando o ato num prelúdio.
Mas antes deixo ao animicida o apólogo
retratando tanta fala quem em mim chora,
e sorrio ao pôr-do-sol enquanto a mão jorra
a tinta da tela escoando um monólogo.
matando até a morte numa poesia ou drama
enredando as minhas mãos, carências e tramas,
vou sorrindo e chorando o mesmo prólogo.
Antes, pois não há depois no meu prefácio,
ressuscito à vida adoçando outro poema;
se o passado ora não passa duma cena,
no amanhã serei eu um esmaecido epitáfio.
Antes afino eu os bemóis deste interlúdio
no segundo colorido que me resta,
canto à desoras ou prateio as horas destas
minhas mãos musicando o ato num prelúdio.
Mas antes deixo ao animicida o apólogo
retratando tanta fala quem em mim chora,
e sorrio ao pôr-do-sol enquanto a mão jorra
a tinta da tela escoando um monólogo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Indecifrável
Mediando este grito que me falha,
mortificando este áspero negror
perguntando ao vitral do meu vetor:
por que os ledos me chamam mortalha?
Cruzo a multidão, clã inevitável,
em desdém protestando o violado;
soberbia do icor mortificado
seguindo o batismo indecifrável.
Acordando a noite que devora
contos e cadentes por desoras
aclarando a mea culpa, culpo o orco.
Arranho o sonho mercando o corpo!
E sem mais então, sem mais destarte,
empunho a haste e choro ao sangrar-te...
mortificando este áspero negror
perguntando ao vitral do meu vetor:
por que os ledos me chamam mortalha?
Cruzo a multidão, clã inevitável,
em desdém protestando o violado;
soberbia do icor mortificado
seguindo o batismo indecifrável.
Acordando a noite que devora
contos e cadentes por desoras
aclarando a mea culpa, culpo o orco.
Arranho o sonho mercando o corpo!
E sem mais então, sem mais destarte,
empunho a haste e choro ao sangrar-te...
domingo, 24 de agosto de 2008
Sorrisos da lua
Lua diurna, o que quer me mostrar nesta tarde,
qual um meio circulo nos céus quase encoberto?
Lacônica boca, teus lábios estão mudos decerto,
e nada dizem; é ilusão neste meu peito que arde.
O martelar em minha mente assombra o devasso
reverdecer de uma orgulhosa e solitária alameda,
o arame farpado equilibra-se nestas minhas ledas
muralhas; acho até que a lua canta para o pássaro.
Eu o vi ali, estava tão sedento de algo quanto eu,
e esperando, quem sabe, que esta tarde se acabe
e que a noite nos traga estranhas estrelas de jade,
nascendo assim, aquela esperança que se perdeu.
qual um meio circulo nos céus quase encoberto?
Lacônica boca, teus lábios estão mudos decerto,
e nada dizem; é ilusão neste meu peito que arde.
O martelar em minha mente assombra o devasso
reverdecer de uma orgulhosa e solitária alameda,
o arame farpado equilibra-se nestas minhas ledas
muralhas; acho até que a lua canta para o pássaro.
Eu o vi ali, estava tão sedento de algo quanto eu,
e esperando, quem sabe, que esta tarde se acabe
e que a noite nos traga estranhas estrelas de jade,
nascendo assim, aquela esperança que se perdeu.
sábado, 23 de agosto de 2008
Sorrisos da lua
Lua diurna, o que quer me mostrar nesta tarde,
qual um meio circulo nos céus quase encoberto?
Lacônica boca, teus lábios estão mudos decerto,
e nada dizem; é ilusão neste meu peito que arde.
O martelar em minha mente assombra o devasso
reverdecer de uma orgulhosa e solitária alameda,
o arame farpado equilibra-se nestas minhas ledas
muralhas; acho até que a lua canta para o pássaro.
Eu o vi ali, estava tão sedento de algo quanto eu,
e esperando, quem sabe, que esta tarde se acabe
e que a noite nos traga estranhas estrelas de jade,
nascendo assim, aquela esperança que se perdeu.
qual um meio circulo nos céus quase encoberto?
Lacônica boca, teus lábios estão mudos decerto,
e nada dizem; é ilusão neste meu peito que arde.
O martelar em minha mente assombra o devasso
reverdecer de uma orgulhosa e solitária alameda,
o arame farpado equilibra-se nestas minhas ledas
muralhas; acho até que a lua canta para o pássaro.
Eu o vi ali, estava tão sedento de algo quanto eu,
e esperando, quem sabe, que esta tarde se acabe
e que a noite nos traga estranhas estrelas de jade,
nascendo assim, aquela esperança que se perdeu.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Tocaia da fome
A rua parece rezar aos indigentes;
as infames velhas, mosaicos em coma,
sentadas nas calçadas comendo o axioma
numa coreografia alterada e indecente.
Carregam nas trouxas a rota fantasia,
e os panos de chão agasalham as cabeças
intranqüilas, brilho e olhares às avessas;
violação de ser a tão imunda epidemia.
A esquina parece rezar; sinistra vaia
aprisionando as estatuas vivas na rua,
onde a noite despedaçadora cultua
um canteiro de gente esperando a tocaia.
A velha caminha orando ao horizonte,
os mosaicos de pedras da coreografia
arrastam a tocaia da viva epidemia
ao imundo canteiro da fome em desponte.
as infames velhas, mosaicos em coma,
sentadas nas calçadas comendo o axioma
numa coreografia alterada e indecente.
Carregam nas trouxas a rota fantasia,
e os panos de chão agasalham as cabeças
intranqüilas, brilho e olhares às avessas;
violação de ser a tão imunda epidemia.
A esquina parece rezar; sinistra vaia
aprisionando as estatuas vivas na rua,
onde a noite despedaçadora cultua
um canteiro de gente esperando a tocaia.
A velha caminha orando ao horizonte,
os mosaicos de pedras da coreografia
arrastam a tocaia da viva epidemia
ao imundo canteiro da fome em desponte.
sábado, 26 de julho de 2008
DELTA DE VÊNUS
Triângulo perfeito,
percorrendo a vida em águas de Nilo.
Fertilizando seus vales,
subjugo canais,
desertos e montanhas,
desaguando influências,
encontro-me em seus mananciais,
preenchendo seus estreitos...
Sou estrela de Vênus
guiando pastores,
vespertina em seu caminho.
Sou constelação complexa,
deflagrando chamas de vida,
alegria, consolo e amplexo.
Sou templo, sou tempo, sou alimento,
sou mineral, sou vegetal e sou animal...
Sou sua origem
viajando em meu universo,
teoria que acalanta inspiração,
buraco negro, invasão, sua conspiração,
lapidada esfinge imortalizada,
em seu fogo e seu ar,em sua terra e sua água.
Sou descendência de sua filiação,
o verbo, a semente e a ascensão...
Sou átomo,
construindo seu universo,
ação produzindo um novo corpo,
fração de uma parte de seu todo,
elemento em correntes elétricas,
núcleo de minha terra,
massa de sua esfera.
Sou reação, sou atração e união,
sou sua imagem, a sua semelhança e a sua perfeição,
sou a criatura, sou a filha da divina criação...
percorrendo a vida em águas de Nilo.
Fertilizando seus vales,
subjugo canais,
desertos e montanhas,
desaguando influências,
encontro-me em seus mananciais,
preenchendo seus estreitos...
Sou estrela de Vênus
guiando pastores,
vespertina em seu caminho.
Sou constelação complexa,
deflagrando chamas de vida,
alegria, consolo e amplexo.
Sou templo, sou tempo, sou alimento,
sou mineral, sou vegetal e sou animal...
Sou sua origem
viajando em meu universo,
teoria que acalanta inspiração,
buraco negro, invasão, sua conspiração,
lapidada esfinge imortalizada,
em seu fogo e seu ar,em sua terra e sua água.
Sou descendência de sua filiação,
o verbo, a semente e a ascensão...
Sou átomo,
construindo seu universo,
ação produzindo um novo corpo,
fração de uma parte de seu todo,
elemento em correntes elétricas,
núcleo de minha terra,
massa de sua esfera.
Sou reação, sou atração e união,
sou sua imagem, a sua semelhança e a sua perfeição,
sou a criatura, sou a filha da divina criação...
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