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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Anjo de pedra II

Anjo de pedra que vigiava a minha solidão,

entre uma densa e verdejante vegetação,

anjo onde depositei todas as minhas tristezas,

em uma noite em que as sombras dominavam,

quedou-se ao chão, e quebrou-se no piso frio.

Pedaços do meu coração caídos e destruidos,

era meu amado, meu tão querido anjo guardião.

Restou o vazio naquele vão, não há mais anjos,

nem lá, nem aqui, um a um despedaçados, sei lá,

parece que algo se apossou do meu recanto,

e, como um vendaval maligno, a tudo destruiu.

Quebraram-se os meus outros anjos, e eu,

lamento nesses espaços vazios algo que partiu,

talvez, um restinho de inocência, ou até,

o cadinho de esperança, tudo ruiu...

E na eterna espera que me persegue,

sento-me no vazio vão, e vou catando

um a um, os meus pedaçinhos,

e os caquinhos do meu partido coração.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ondas da solidão

Naufrago nas ondas de uma solidão cortante, mar bravio,

nas escuras marés reflete um luar frio, estiagem do meu eu,

nesse vai e vem do vazio que ora devora todo o meu brio

e à deriva nessas águas salinas, vou ao encontro do seu eu.







Se as marés vazantes deixassem na praia tudo o que perdi,

talves houvesse um tempo para que eu pudesse me redimir.

Mas, as marés so deixam restos, e me condenam mais e mais,

não sou digna de nada, sequer tenho mais o direito de insitir.







Vivo então remexendo nos restos deixados pelas marés,

garimpando em minha solidão os pedaços do que me resta,

sob a luz da lua crescente, onde cresce minha dor empresto

aos restos do que pesco nesse mar, o que restou do meu amor.