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sábado, 23 de janeiro de 2010

Fale

"Fale com delicadeza hoje; quando o amanhã chegar, você já estará habituado".



"Ódio produz casamentos duradouros. O ódio não suporta a idéia de ver o outro voando livre, para longe...
O ódio segura, para que o outro não seja feliz.
O ódio gruda mais que amor. Porque o amor deixa o outro voar..."

domingo, 2 de agosto de 2009

A vida

" A vida da gente não se mede
pela quantidade de anos que
se vive.
A vida da gente se mede
pela quantidade de alegria que
se distribui".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Para te fazer sorrir

Se eu fosse um pássaro
voaria para bem longe,
para a a tua janela
e cantaria uma canção suave,
se fosse uma borboleta
te acariciaria,
como se afagasse
as pétalas da flor,
se eu fosse a brisa,
tocaria de leve teus cabelos,
afagava teu rosto
para que se sentisse melhor.
No entanto sou apenas eu,
que à distância
reúno minhas energias
e mando uma força grande
de ternura,
para que teu sorriso
seja uma constante
e tua angústia suma
dando lugar a alegria...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ENTRE FLORES

É bom olhar-te
E te imaginar
Entre flores no jardim.
Ainda sinto teu perfume,
Teu toque,
Teu calor junto de mim.
Vou viver no sonho
Pra aquecer meu coração,
Meu amor e paixão
Jamais terá um fim.

Carinhosamente

sábado, 12 de abril de 2008

Puedo

No tocar su cuerpo
Ni sentir sus labios,
O sus abrazos
En un momento
De sublime ternura.
Pero, siempre
Oiré su voz
Miraré a sus ojos
Y la contemplaré
Aun que sea a distancia
Y durante la añoranza
Tomaré en mis manos
Una flor.
Cerraré mis ojos
Y la tendré conmigo
Sentiré su perfume
Sus abrazos apretados
El calor de su cuerpo
Y la dulzura de sus besos.
Me derritiré
Con sus caricias
En mi cuerpo
Con sus murmullos
En mis oídos
Y en este mundo
El Sol y la Luna
Siempre estarán
En un eclipse total...

sábado, 5 de abril de 2008

Sou Assim

As estrelas,
quando meus olhos brilham.
As flores,
quando a ternura oferece perfumes.
Os rios,
quando a alma flutua.
A brisa,
quando chego distante.
As árvores,
quando dou guarida.
As frutas,
quando sou doce.
Os pássaros,
quando minha voz encanta.
O Sol,
quando clareio caminhos.
A Lua,
na inspiração dos poemas.
A própria poesia,
na essência de Pajador.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O tempo da delicadeza

"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu...", diz o texto sagrado.
O amor também tem os seus tempos e ele muda como mudam as estações.

Nós paises frios a Primavera é o tempo da pressa.
Os bulbos que por meses haviam hibernado sob o gelo repentinamente despertam do seu sono, rompem da noite para o dia a camada de neve que os cobria e exibem sem o menor pudor os seus órgãos sexuais coloridos e perfumados, suas flores...

"Que lindas...", dizemos. Ignoramos que aquela é uma beleza apressada.
A Primavera é curta.
Outro Inverno virá.
É preciso espalhar o sêmen com urgência para garantir a continuidade da vida. Por isso se exibem assim em sua nudez colorida e perfumada, para atrair os parceiros do amor.

Se as plantas pensassem elas teriam os mesmos pensamentos que têm os jovens quando neles desperta o sexo no seu furor para realizar-se.
É só isso que importa: o coito.
Passado o êxtase, vai-se o interesse, fuma-se um cigarro, vira-se para o outro lado...
Tomas, o amante de A Insustentável Leveza do Ser nunca permitia que uma mulher dormisse na sua cama.
Ele se livrava delas depois de realizado o ato.
É um sexo potente e feio.

O Verão é o tempo quando a fúria reprodutiva se esgotou.
Tempo maduro, tempo do trabalho, dos filhos, das rotinas domésticas.
Os mesmos olhos que se excitavam ao contemplar o corpo nu da mulher amada já não se excitam.
Já não sorriem e nem têm palavras poéticas a dizer sobre ele.
Há uma rotina sexual a ser cumprida.
Vai-se o encantamento, os olhos e as mãos se cansam da mesmice, e começam a procurar outros corpos e vem a saudade da juventude que já passou. Cumprido o ato vem o silêncio.

O Outono é a estação de uma nova descoberta.
Não há urgência.
Nenhuma obrigação.
A natureza está tranqüila.
Na adolescência qualquer mulher servia, porque o sexo era comandado pelas pressões vulcânicas dos hormônios e pelos genitais.
Agora o que excita é o rosto da pessoa amada.
O sexo deixa de ser movido pela bioquímica que circula no sangue e passa a ser movido pela beleza.
O amor se torna uma experiência estética.
E o que os amantes outonais mais desejam não são os fogos de artifício do orgasmo mas aquela voz que diz:
"Como é bom que você existe..."

O Outono é o tempo da tranqüilidade.
É bom estar juntos de mãos dadas sem fazer nada.
É bom acariciar o cabelo da amada...
Essa é a grande queixa das mulheres que para os homens a intimidade é sempre preparatória de uma transa.
Talvez porque se sintam obrigados a provar que ainda são homens.
O que as mulheres desejam não é o prazer; é a felicidade.
O Outono é o tempo do amor feliz.

O Chico escreveu sobre esse tempo e lhe deu o nome de tempo da delicadeza".

"Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente..."
Sim, preciso não dormir, é preciso não morrer, porque há muito amor ainda não realizado.
Vem-lhe então a memória do amor que, por descuido, não se realizou, e vai em busca da sua recuperação:
"Pretendo descobrir no último momento um tempo que refez o que desfez..."

Esse verso me comove de maneira especial.
Pensando no meu desajeito, na minha desatenção, vou me lembrando das coisas que derrubei, das palavras que não ouvi, das flores que pisei.
E dá vontade de fazer o tempo voltar pra poder " refazer o que foi desfeito, pra recolher todo sentimento e colocá-lo no corpo outra vez..."

Aí ele vai mansamente dizendo as palavras que o amor deve saber dizer, palavras que só existem no "tempo da delicadeza".

"Prometo te querer até o amor cair doente, doente... "

Por isso, por causa desse tempo misterioso, é preciso amar cuidadosamente com o olhar, com os ouvidos, com a mão que tateia para não ferir... enquanto há tempo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu
fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.
"Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas,
ostomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui
para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar
cebolas.
Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um
susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente
ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a
rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a
ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o
mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões. Agora, tudo o que
vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de
livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a
"Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum
entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe
causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está
louca. Você ganhou olhos de poeta. Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos
dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é
idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de
fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não
pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma
árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os
ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma
epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a
morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão,
dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só
viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma
pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra
que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser
cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os
campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O
ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso
e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo
concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada
"satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no
zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos
acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na
companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no
subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes
adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à
mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao
constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele
quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos
estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por
sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas
- e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário.
Mas é muito pobre. Os olhos não gozam. Mas, quando os olhos estão na caixa
dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que
vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os
olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos
brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro
disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do
céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas
flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão
e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver
- eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um
professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os
assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus
menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos".

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Eu Quero Ensinar-te

Eu quero
ensinar-te a andar pelos caminhos
semeando flores
sem se importar com os espinhos.
Eu quero
ensinar-te a viver a vida
em cada momento,
sem se importar com contratempos
Eu quero
viver o presente
e ensinar-te
que ele existe por si só,
pois, o passado já foi,
o futuro é incerto
e me basta você
nessa hora vivida.
Onde a normalidade são as loucuras
da nossa paixão,
onde os olhares
são os diálogos
e os toques,
os afagos,
que despertam desejos
por carinhos e beijos
se transformnam
na energia vital.
Eu quero ensinar-te
a sorrir com o coração
e fazer meu sorriso
transportar emoção.
Eu quero ensinar-te
o sentido do amor
para poder aprender,
entender o porquê
de te amar com ardor
e de sermos um para outro
como o perfume
e a flor.....

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

SEMPRE!

"As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa.
Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro.
Quem ama sabe disso.
É precisamente na ausência que a proximidade é maior.
Bachelard, ausente:
eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem.
Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram
apenas uma luz bruxoleante.
Um coração sensível gosta de valores frágeis“.
A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios,
fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena."

terça-feira, 23 de outubro de 2007

VERSO PARA LA LUNA

Hice un verso para la luna
Fué en una noche de verano
Entre notas afinadas
Brotaron partituras del corazón.
Tuve una orquesta de estrellas
En nuestra constelación
Todas fascinadas por la Diosa
Del más romántico resplendor.

En la linea del horizonte
La figura del trovador
Cantando versos para la luna
el poeta y soñador,
Reflejando en el brillo de la mirada
La intensidad del amor.

El tema traducido en palabras
Invitaba primavera y flores
En ofrecimiento por la noche
Para essa Diosa de amores
Que en la penumbra del hogar
Daba otro tono a los colores
Y se transforma en poema
Inspiración para los trovadores.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

"Carpe Diem

"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia".
Colha o dia como se fosse um fruto maduro
que amanhã estará podre.
A vida não pode ser economizada para amanhã.
Acontece sempre no presente.

sábado, 1 de setembro de 2007

VIOLINOS NÃO ENVELHECEM

Eu a escrevi faz muito tempo - uma estória de amor. Quem a leu, eu sei, não se esqueceu.

Por razão do dito pela Adélia: " o que a memória ama fica eterno". História de amor não inventada, acontecida, tão comovente quanto Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa. O que fiz foi só registrar o acontecido.
Preciso contá-la de novo, para benefício daqueles que não a leram pela primeira vez, e a fim de acrescentar um final novo, inesperado, acontecido depois.
A testemunha que me relatou o sucedido foi sobrinho, médico-músico, pessoa querida e bonita.
Atrasou-se para um compromisso na minha casa, chegou três horas depois, explicando que havia ido ao velório de um tio de 81 anos de idade que morrera de amor. Parece que seu velho corpo não suportara a intensidade da felicidade tardia, e os seus músculos não deram conta do jovem que, repentinamente, dele se apossara.
O amor surgira no tempo em que ele é mais puro: a adolescência.
Mas naqueles tempos havia uma outra Aids, chamada tuberculose, que se comprazia em atacar as pessoas bonitas, os artistas, os apaixonados -- esses eram os grupos de risco.
Pois ela, a tuberculose, invejosa da felicidade dos dois, alojou-se nos pulmões do moço, que teve de ir em busca de ar puro, no alto das montanhas, sanatório, tal como Thomas Mann descreve em seu livro - A montanha mágica.
Quem ia para tais lugares despedia-se com um "adeus", um olhar de "nunca mais".
Na melhor das hipóteses, muitos anos haveriam de passar antes do reencontro.
Imagino o sofrimento da jovem dividida: o corpo, naquela casa, a alma por longe terra!
Na vida daquela menina, que surda, perdida guerra... (Cecília Meireles).
Valeram mais os prudentes conselhos da mãe e do pai: não trocar o certo pelo duvidoso.
Vale mais um negociante vivo que um tuberculoso morto. E aconteceu com ela o que aconteceu com a Firmina Dazza, que de longe e às escondidas namorava o Fiorentino Ariza, na estória de Gabriel García Márquez Amor nos tempos do cólera, que foi obrigada pelo pai a se casar com o doutor Urbino: não se troca um médico por um escriturário. Casou e com ele ficou até que, depois de 51 anos, veio a libertação...
Ela casou. Ele casou. Nunca mais se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos (ele tinha 79), ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Foi procurá-lo. Encontraram-se. E, de repente, eram namorados adolescentes de novo.

Resolveram casar-se.


Os filhos protestaram. Eles, os filhos, todos os filhos, não suportam a idéia de que os velhos também têm sexo. Especialmente os pais. Pais velhos devem ser fofos, devem saber contar estórias, devem tomar conta dos netos. Mas velho apaixonado é coisa ridícula. Não combina. Mais detalhes no livro da Simone de Beauvoir sobre a velhice. E houve também aquela estória do programa Você decide: o velho pai, infeliz a vida inteira com a esposa, encontra uma mulher por quem se apaixona.
A pergunta: ele deve ou não deve deixar a esposa para viver o novo amor? Você decide... A decisão do público - os filhos, evidentemente: "Não, ele não deve viver o novo amor..."
Os filhos sempre decidem contra o amor dos pais.
Mas, na nossa estória, os dois velhos deram uma solene banana para os filhos e foram viver juntos em Poços de Caldas. Viveram um ano de amor maravilhoso, e ele até começou a escrever poesia e voltou a tocar o violino que ficara por mais de 50 anos sobre um guarda roupa, porque a esposa não gostava de música de violino. Confessou ao sobrinho: "Se Deus me der dois anos de vida com esta mulher, minha vida terá valido a pena..." Bem que Deus quis. Mas o corpo não deixou. Morreu de amor, como temia o Vinícius.
Achei a estória tão bonita que a transformei numa crônica a que dei um título inspirado nas Sagradas Escrituras: "... e os velhos se apaixonarão de novo".
Começa aqui o novo final para a estória.
Passaram-se semanas. Eram dez horas. Eu estava trabalhando no meu escritório. O telefone tocou.
Voz aveludada de mulher do outro lado.
- É o professor Rubem Alves?
- Sim, respondi secamente. Eu sou sempre seco ao telefone.
- Quero agradecer a belíssima crônica que o senhor escreveu com o título: " ...e os velhos se apaixonarão de novo". O senhor já deve ter adivinhado quem está falando....
- Não, respondi. Por vezes eu sou meio burro. Aí ela se revelou:
- Sou a viúva.
Foi o início de uma deliciosa conversa de mais de 40 minutos, interurbano, em que ela contou detalhes que eu desconhecia. O medo que ela teve quando ele resolveu mandar consertar o violino! Ela temia que os dedos dele já estivessem duros demais...
Ah! Que metáfora fascinante para um psicanalista sensível! Sim, sim! Nem os violinos ficam velhos demais, nem os dedos ficam impotentes para produzir música! E aí foi contando, contando, revivendo, sorrindo, chorando - tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia... Ao terminar, ela fez esta observação maravilhosa:
- Pois é, professor. Na idade da gente, a gente não mexe muito com sexo. A gente vive de ternura!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Ah! Se os poetas falassem de flores

Ah, como eu queria
ver os campos cobertos de flores.
Os poetas falassem de amores.
Só de amores.
Mas, também falam de penares,
que invadem os lares causando mágoas e dores.
E, o guri que voltava da escola,
Mui contente e pachola trazendo pra Mãe um buquê de flores.
Flores tinha a ofertar
Com sorriso cheio de guri
Donde se esconde o seu sorrir?
Outros ainda haverão de vir?
Os pássaros voavam na Primavera,
as borboletas pousavam às flores que cobriam de cores,
enchendo de odores a tapera.
Uma sanga, água limpa,
um pocito onde o guri brinca
entre cardumes de lambaris.
Este é o mundo do guri.
Um mundo de encanto e harmonia.
Que povoava o fim do diaAntes em casa chegar
Um mundo que tinha para ofertar,
colher e entregarflores à mãe com alegria.
Brincava de tropa de osso,
tinha um potro de taquara,
de pelagem malacara na sua imaginação.
Já tinha deixado do bico e até dormia sozinho sem medo da escuridão.
Escutava prosas no galpão sentadito num pelego,
Nem demonstrava ter medo dos causos de assombração.
Ah como era faceiro o guri
Podia andar por aí corcoveando e dando risada.
Brincando com a terneirada
Como se fosse um peão.
Mas, nem tudo é harmonia e,
o tema da poesia se transforma no penar.
O guri que vi brincar,
trazer flores coloridas,
com olhos cheios de vida e, sorrindo ao fim do dia partiu...
Qual a harmonia de seu mundo,
foi pra um mundo diferente, deixando recuerdos pra gente,
saudade e lembrança do seu rosto de criança que radiava felicidade,
pra colher flores na Eternidade e, levar um buquê à Virgem Maria.
Ah! Se os poetas falassem só de flores...
As flores que a Mãe leva pro guri.
E, que as gotas não são mais do sereno,
Pois, molharam o rosto moreno antes de nas pétalas caírem,
pois, da vertente dos olhos surgiram no puro amor e afeição,
regadas no pulsar do coração, que se mescla a penares e dores.
Ah!
Se os poetas falassem de flores.
Só de Flores..

quinta-feira, 26 de abril de 2007

A RAZÃO DO VIVER

Eu olho as flores,
que delicadas
são acariciadas pelo colibri.
E nesse afago
encontra-se o néctar para a sobrevivência.
E vejo na harmonia de cores,
no perfume de flores o próprio amor na essência.
Essa visão leva imagens à minha mente,
que se mesclam a momentos
vividos entre eu o colibrie a mais bela flor:Você.
E questiono sobre o que fazer se
somente assim encontro o néctar do meu viver.
Pois, já é mais que flor,é parte de mim.
A sua energia se funde no meu ser
e no calor do seu corpo
encontroa razão do viver...
Para a Lua mais bela o Sol
Carinhosamente

sexta-feira, 23 de março de 2007

COMO SERÁ

É tão difícil
Olhar o céu
Em uma noite de verão
E não encontrar
A fonte da inspiração,
Somente o breu Negro manto Que envolve a todos.
É tão difícil
Caminhar por entre flores
E procurar a mais bela Das cores
E um perfume
Que está distante.
Quando chega o Sol
Em cada amanhecer
Olhos fitam longe
A vislumbrar o nada.
Uma canção vem
De várias direções
Sem direção nenhuma
E invada a alma Inquieta e saudosa.
O mesmo perfume
Do seu corpo de mulher,
O mesmo toque
De suas mãos carinhosas
O mesmo gosto
De seus beijos molhados
A mesma volúpia
De um momento impar
Na entrega total.
É isso
A distância
A impotência
O não ter.
O querer Incessante de amar,
Amar, amar.
Amar mesmo assim
Carinhosamente

quinta-feira, 22 de março de 2007

À ESPERA

Um perfume de flor,
com essências de você.
Um brilho de estrelas
com a luz de seus olhos.
E meu olharà espera...
Distante um sorriso nos lábios de ternura,
um gesto nas mãos delicadas
de uma Deusa em criatura...
Como é bom ouvira musicadlidade de seu falar,
permite-me sonhar...e ficarà espera...
Os sonhos,
são momentos reais na imaginação irreal
de um mundo especial,
onde tudo é verdade
mesmo sendo fantasia.
As flores
tem seu perfume,
as estrelas o brilho de seus olhos
e o amor a ternura de seu coração...

A TIVE

Minhas mãos,
meu tato,
deixou que pelos poros
entrasse seu calore aquecesse meu ser.
Meus olhos,meu olhar,
vislumbrou os olhos seus
e fez com que a luz acendesse minha alma.
Minhas narinas,
meu olfato,
sentiu o cheiro de flor
que seu corpo exala
e transforma a vida em Primavera.
Meus lábios,
meu paladar,
sentiu o gosto dos lábios seus,
de sua pele,
seu néctar único.
Meu corpo,
minha volúpia,
descobriu o corpo seu e permitiu
viver um momento ímpardo Paraíso...
Meu silêncio,
minha distância permite que a ânsia
por desejos distantesme faça sonhar...