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quinta-feira, 31 de março de 2011

O peso que a gente leva..

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?



As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?



Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.



É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências.

E nisso mora o encanto da viagem.

Viajar é descobrir o mundo que não temos.

É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.



E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!”

Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados.

Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo.

Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.



É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.



Vida e viagens seguem as mesmas regras.

Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver.

Por isso é tão necessário partir.

Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias...

Hospitais, asilos, internatos...



Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.



Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa.

Não tenha medo das ausências que sentirá.

Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu.

Não leve os seus pesos.

Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve.

Mas se leve.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"O PESO QUE A GENTE LEVA"

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar
não podem ser levadas.
Excedem aos tamanhos permitidos.
Já imaginou chegar ao aeroporto carregando
o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas...
E se eu tiver vontade de ouvir aquela música?
E o filme que costumo ver de vez em quando,
como se fosse a primeira vez?

Desisto.
Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou.
Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida,
ou então,
inevitavelmente concluo que mais da metade
do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir
é experiência inevitável de sofrer ausências.

E nisso mora o encanto da viagem.
Viajar é descobrir o mundo que não temos.
É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar
o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar:
“Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!”
Ele tinha razão.
A partida nos abre os olhos para o que deixamos.
A distância nos permite mensurar os espaços deixados.
Por isso, partidas e chegadas são instrumentos
que nos indicam quem somos,
o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo.
Ao ver o mundo que não é meu,
eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território.
É conseqüência natural que faz o coração querer
voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras.
Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver.
Por isso é tão necessário partir.
Sair na direção das realidades que nos ausentam.
Lugares e pessoas que não pertencem
ao contexto de nossas lamúrias...
Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne,
mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem.
Mas não leve muita coisa.
Não tenha medo das ausências que sentirá.
Ao adentrar o território alheio,
quem sabe assim os seus olhos se abram
para enxergar de um jeito novo o território que é seu.
Não leve os seus pesos.
Eles não lhe permitirão encontrar o outro.
Viaje leve, leve, bem leve.
Mas se leve.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mais vale um silêncio certo

"Mais vale um silêncio certo,
que uma palavra errada.
Demora naquilo que você quer dizer.
Livre-se da pressa de querer dar ordens
ao mundo.
Em muitos momentos da vida, o
silêncio é a resposta mais sábia
que podemos dar a alguém.
Hoje, neste tempo de palavras muitas,
queiramos a beleza dos silêncios poucos."

sexta-feira, 22 de maio de 2009

QUANDO O SILÊNCIO É A ÚNICA FORMA DE DIZER!

Hoje eu não sei dizer...
Só sei sentir...
Há dias em que as palavras não são capazes de traduzir o sentimento.
E por isso a solidão se instaura.

A sensação de estar só é a mesma de não saber dizer.

Talvez seja por isso que só as pessoas que verdadeiramente se amam
são capazes de suportar o silêncio...

Ficar calado é uma forma de dizer sem conceituar.
Os conceitos são formulações fáceis,
o silêncio não.
Descobrir o que o silêncio diz requer mestria,
observação minuciosa.

É bom não saber dizer...

Bom mesmo é ser compreendido,
mesmo quando não sabemos dizer...

Amar é uma forma de crer em silêncio!

sexta-feira, 27 de março de 2009

NÃO PENSE DUAS VEZES

A felicidade é um susto.
Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas.
Chega sem chegar, insinua mais que propõe... Felicidade é animal arisco.
Tem que ser adimirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela.
Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.
Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos.
O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.
Felicidade é coisa que não tem nome.
É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes.
Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero.
É olhar de amigo em horas de abandono.
É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito.
É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.
Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira...
Eu vivo assim... Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira.
Eu quero a felicidade de toda hora.
Não quero o rancor, não quero o alarde dos artifícios das palavras comuns, nem tampouco o amor que deseja aprisionar meu sonho em suas gaiolas tão mesquinhas.
O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo.
Isso sim é felicidade sem medidas.
O café quente na tarde fria, a conversa tão cheia de humor, o choro vez em quando.
Felicidades pequenas... O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância ,sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.
A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito.
Não forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero.
E então sorrio, como quem sabe,que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças... E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.
O que hoje você tem diante dos olhos?
Merece um sorriso?
Não pense duas vezes...

domingo, 18 de janeiro de 2009

SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA

Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.
Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer. Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar.
Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que destruir. Repito: só dê ouvidos a quem te ama. Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo.
Só mais uma coisa. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. Quem geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre tu revelas.

O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito.