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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AI DAS PALAVRAS

Ai ,das palavras!
que ferem
como espadas afiadas
e dor.
Ai das palavras
proferidas
Ditas para ouvidos surdos
na calada da noite
Ou então aquelas ditas
diante dos olhos frios
das úmidas madrugadas.

Ai dos gritos !
que não foram ouvidos
Que se perderam no tempo
na garganta dos inocentes
Gritos nascidos
da solidão das noites

Ai dos suspiros !
que nascem dos amantes
Num poema,
os poemas nascem e morrem
E ressuscitam em outros poemas
E ficam para sempre na memória
Daqueles que amam...

Ai dos lamentos...!
Que rasgam a alma
aparência surgida entre nadas
De tantos outros corpos
Sempre cor e forma e ferida
Sempre nessa pedra dura e escura
que se chama palavra

Verso cantado que é
a larga solidão dos sentidos
no corpo entreaberto ao amor...

TE AMO TANTO

Te amo tanto que te vejo...
No lume das estrelas
Nas ondas do mar
De cor verde turmalina
No sopé da montanha,
Nas aguas do riacho
que correm ligeiras

Na rua, nos campos, nas fábricas
No canto alegre dos pássaros
Ou na luz da aurora
Na fruta primeira da estação

Na gota de orvalho da madrugada
Num sorriso de criança
Na rosa vermelha que desponta
Na gota da chuva que roreja
No crepúsculo que cai triste
Na lua que atrai mil encantos

Nas palavras limpas
Nas orações mais ternas
No cântico dos anjos
Ou no esplendor
De uma Sinfonia de Beetowen
Anulando sózinha de um só golpe
Todas as injustiças do mundo

Ou um acorde de Mozart
Remetendo a um mundo
Sem dores nem fealdade
Ou numa reprodução de Corot
Um Rodin...um olhar suave

Tu que me lembras uma paisagem de Post
Tu que me trazes a doçura
Do Duplo Concerto para Cordas de Bach
Ou num soneto de Drummond

No jasmim-laranja guardando
Gotinhas de chuva noturna
Brilhando ao sol
Ou no ciúme do amor
Querendo atenção

Na aspereza da terra
Na eloquencia dos sons
Nas cores do céu...
No arco-iris que surge
Pintando encanto em seus tons

Te vejo assim
Na tarde morrendo azulada no mar
No sol em raio morno se esvaindo
Na onda que vai e vem
Espumando em renda
Te vejo em tudo enfim !

TE AMO TANTO QUE TE VEJO ASSIM...

domingo, 10 de janeiro de 2010

DE REPENTE...

De repente..
Imaginar os passos
O som lento
A construção da tristeza
Mergulhei no silêncio
Sentí a minha vida
Estampada no rosto assustado
Minhas mãos presas
Diante do circo.

Às lágrimas saltavam de minha dor....
Não havia alegria
Nos meus lábios não havia mel
E não encontrei resposta
Às minhas perguntas
Procurei...
Busquei no céu
E as estrelas seguiram
Indiferentes seu caminho...

A tristeza vence
E a morte do tempo
Transborda neste azul
Feito de saudade
Apressei meus passos...
O frio e a solidão
Procuraram abrigo
Percorreram meu corpo
Vencido pelo cansaço do silêncio

De repente...
Erguí meus braços perfilados,
Feito águia
E voei para dentro de mim...
Para te encontrar...

domingo, 21 de junho de 2009

JURO

Juro que, em meio à vida
Ao te conhecer...
Foi como eu me houvesse preparado
Para acolher teu olhar e tua voz

Como se tivesse aguardado
De eternidade à eternidade
Numa espera...
Onde a esperança ressoava tímida

Juro para ti, que o amor
No meu rosto só desenhará
Sorrisos largos
Juro que, serei transparente
Mais verdadeira que nunca
Enquanto o mundo continuará
Dando suas voltas rotineiras

Juro que terei sempre uma reserva
De abraços e sorrisos importantes
Que acenarão para ti
Como um gesto de boas vindas

Prometo ter sempre
Um beijo á molhar tua boca
E mordiscar tua nuca
Arrancando arrepios sem fim...

Juro que, minha ausencia
Será preenchida
Com os retalhos das lembranças
De nossas sadias saudades

Juro que nada há de nos separar
A vida já nos fez distantes assim
Longe do que eu posso viver
Longe do que eu posso ter

domingo, 7 de dezembro de 2008

NOSSA CANÇÃO..

De repente..
Os acordes de tua canção
Tocada pelo silêncio
Lembram
Nosso sofrido carinho
Fria calmaria dos sonhos

O tempo corre célere
A pressa devora a si mesma
A construção da tristeza
Recobre o amanhã

Como se...
pela primeira vez fosse
Desde que entoei meu canto
Continuarei a solfeja-lo
Ao longo de uma trilha

Como se algum dia
Pudesse tê-los retirado
Sons dos lamentos

Como presos numa sinfonia
Essas canções no tempo
Me sufocam,
Me ilham

E por toda minha vida
Estes sons lentos
Vibram no tempo assim
E na alma rebrilham em mim...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

ENTREMEIOS

A noite passa a limpo suas horas
De tédio, de tristezas
E o tempo em sua linguagem muda
Carrega calado sem defesas
A sina de se viver na solidão

E mergulhando fundo na alma
Reconstroi pedra a pedra
A estrada do benquerer

Ofuscadas
Com o brilho dos amantes
As energias enrustidas
Fluindo como cascatas
Brotam no suor dos corpos
Que se entregam

Ah! Então a noite termina...
Contigo inteiro assim
Aqui dentro de mim

domingo, 16 de novembro de 2008

ACONCHEGO

Afundou a cabeça no meu colo
Agarrando-se ao meu corpo
Meu corpo casa
Território que lhe parecia conhecido
Sua respiração me queimava o peito
Rio de lavas consumindo diques

Minhas mãos o abraçaram
Reconhecendo o caminho
Que nunca será esquecido

Éramos um só impulso
Queríamos gritar que acontecia
O fim do mundo
A aurora boreal

Ele sorveu água
leite e mel no copo
Em que me transformei
E não dormiu, coisa largada
Ao longo de mim
Ficou me olhando
Sorrindo
Jato de luz e sonho
Querendo mais

Na meia luz
Só ele me ouvia
Só ele me entendia
Só ele me possuía...
Só ele me completava...

domingo, 9 de novembro de 2008

MAIS UM DIA

Não sou,

Nem maior

Nem menor

Do que ninguém

Me banho deste sol

Bebo desta água

Respiro o éter azul

Desta manhã




Num canto de quintal

Onde a luz de tão verde,

Pincelando os ermos

Expande a voz

De um canário

Que se fragmenta inteira

Entre os ruídos do cotidiano



A cidade espreguiça-se...

Recebo um beijo de hortelã

Num murmúrio gutural

De um bom dia sonolento

Mais um dia se inicia...



Na cozinha

Os aromas se misturam

Se mesclam com as palavras

Nas novidades anteriores



Pela janela vislumbro

As folhas verdes

De um jovem pé de frutas

Me debruço

Lendo as coisas

Numa brisa transeunte

Que dali se avizinha



Volta para mim

O indesejado cenário

Algo de saudoso me angustia

Uma canção talvez

Denunciadora...

De um amor adormecido

Entre as dobras do tempo...



E a soma de meus dias

Ponte triste

Extravaza

Em ruidos lacerantes

Minha dor de ser impotente

De um canto mais diuturno

Menos frágil

Mais sentimento

Menos parecido contigo.



E respiro a vida

Enquanto tu dormes...

domingo, 26 de outubro de 2008

DESPERTAR

E eu que me
Pensava alheia
Desses destinos
Apaixonados

Dispo-me da fala
Diante dessas
verdades jovens
E da máscara
Que me colocaram

Encontro na voz
Que me persegue
(Aqui dentro)

O Amor escondido
O sonho perdido
Que minha alma
Descontente
Havia abandonado

Sentimento desabrocha
Seu branco de paz
No corpo
Entreaberto ao amor

Mergulho fundo no passado
Onde as passagens do amor
Recobrem o coração
Tinge o ser de cores
Devorando sentidos

Em que me entrego-te
Definitivamente tua
E a tudo que nos faz
Demais viver

sábado, 27 de setembro de 2008

SOU ASSIM

Sou brilho tênue.

Sou um pouco da dor

Da flor

Sou essa nudez ansiosa

Que treme de frio

Que se arrepia de prazer

Sou como a sombra

Que protege

Mas, se contorce de medo

E chora, chora,

E lamenta...

Sou andante sem rumo

Mas quero alcançar estrelas

Ensina-me

A ser calma e louca

Controvérsia explícita

Que desfaz mal entendidos

E dá de ombros assim

Às mais piegas histórias

Que querem virar destino

Cada um...sua história...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ALÈM ...

No além... aquém dentro de mim
No sempre que me acompanha
usando máscaras que encobrem
meus infinitos desejos
Arrastando esses sentimentos
Que agonizaram e morreram
E que ainda vão me ajudar a lembrar

Do mistério de poder sentir
Buscando o ardor que mais revele
Este dissonante sentimento
Culpabilidade de mim mesma


Neste instante em que confesso
sem alarde nenhum
O desejo da descoberta de algum lugar
sabe-se lá onde...
além
das fronteiras do tempo

E não passarmos
mais que uma lembrança desbotada
adormecidos na memória...
ou no fundo de um sonho
que esquecí de sonhar...
Mas...ainda sem perder a esperança
De ser feliz não importa
o que aconteça...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ADOLESCENTE SEMPRE

Chamou-me de menina,
Havia anos que ninguém
me chamava assim.
Havia anos que eu era uma mulher
Na plenitude do meu ser-mulher

Concreta,consciente da minha idade
Do meu corpo,minhas rugas
E o fato de me perguntarem
O que a senhora deseja
ao entrar numa loja.

De repente...
me chamavam de menina
e devolviam a adolescente
que eu fora há vinte anos
Expontanea e confiante na vida

Nós dois, é a confiança,o descanso
Eu te sei,tu me sabes,nenhum mal
Poderemos fazer um ao outro
Nós irremediávelmente
marcados pelo encontro.

Vi-o e minha adolescência voltou,
Meus dezessete anos voltaram
E logo meus quarenta :
que não me deixam esquecer a verdade
a responsabilidade de ser...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

MEU BRILHO

Um lampejo de luz...

Sem sofrimentos....sem mágoas

Sem lágrimas...sem dor

Somente se põe em mim...

Repercute sua força

quando amanhece

Porque calmamente

com amor se deitou

Dando chance a chegada da noite



Medos de sombras, não

Dizem nada ao espírito

Veja meus olhos

Já conheceram o sol...



Nada temo...

A mente não aceita fronteiras

Quem se contenta com pouco

Permanece pequeno..



Aspiro a liberdade de ser....

O que nunca fui...

Chove minhas lágrimas

Tingindo minha alma

De um azul intenso



Mostra-me quão frágil é a paz

E a febre é da paixão

Sofre o corpo

A alma se liberta e sonha



Minha sorte é a esperança

Ora pelo rigor da memória

Ora pelos encantos

das lembranças.

domingo, 6 de abril de 2008

Caminhos

Andei...Por muitos caminhos...
Me pareceram difíceis às vezes...
Ví o tempo passar
A vida a correr...

Em cada etapa destes caminhos...
Fiz o melhor para caminhar sozinha..
Sem que fosse preciso,
amparos encontrar...

Aprendí..
Que ao conhecer o mundo e as pessoas
Me conheço melhor
E assim tomei as decisões certas
Em cada momento que viví...

Lutei...
Por ideais, sonhos, projetos...
Sei hoje... Com o passar dos anos,
Que tive que palmilhar
Caminhos de dor...
Mas...que ficaram no passado

Sinto a hora de partir...
Sinto toda emoção ...
De ti me despedir...
Pois faz -se presente o limite...
Entre o sonho e a realidade
Onde é o ponto de chegada
É o ponto de partida...

E nossos caminhos
São como duas paralelas
Seguem juntos...
E assim tão separados...
Convergem para o mesmo sentido...
Para algum lugar...
No infinito...
No amanhã...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

COMO É GRANDE O MEU AMOR

Ah!
Se eu pudesse,Te abraçaria agora
Passaria minhas mãos
nos teus cabelos
Sentiria o gosto dos teus beijos
O cheiro da alma 
doce...sem fazer força
suave...naturalmente suave
E ..tu voltarias a visitar
meus sonos de paz
transformados em sonhos de esperança...

Ah !
Se eu pudesse,Voltaria ao passado
não saber ser só
e só não ficar
Só saber te querer
É saber te amar
e amar te saber

Saber viver ao teu lado
despojada,leve e solta
suave como uma sombra perfumada
dentro de um beijo terno
de um abraço sincero

Não andaria mais
por caminhos distantesNão viveria a dor e a espera
Se eu pudesse
gritaria ao mundo inteiro
O quanto foi grande O meu amor por você